Após mais de 60 anos de intensas lutas raciais nos Estados Unidos da América, eis que aquela sociedade surpreende o mundo e demonstra a capacidade – ou pelo menos a disposição – que tem de superar as próprias limitações: para tanto elegeu um negro para Presidente!
Considerando que os 8 anos do governo Bush Júnior foram pateticamente terríveis para os filhos e enteados daquele país, chega a ter alguma lógica a atitude de escolher um Presidente que promete mudanças ou, quem sabe, até mesmo transformações nos processos e procedimentos da política econômica interna e nas relações internacionais.
Na política interna dos USA reaparece o fantasma do desemprego fortemente aliado ao descrédito das instituições privadas que se emaranharam em um bacanal financeiro com alcance mundial.
Tudo indica que esse bacanal só se tornou possível em função da estrutura econômica escolhida cujas falhas permitem - em nome do tal livre mercado - qualquer manobra financeira que justifique a busca do lucro irrefreável e, no mundo globalizado, consiga inclusive a materialização da riqueza virtual.
É impressionante como esse modelo econômico torna possível enriquecer sem produzir absolutamente NADA!
Imagina um pária milionário!
Se isso é um problema econômico estrutural, será necessário ter “aquilo” super roxo para conseguir modificar ou transformar essa estrutura carcomida.
No campo das relações exteriores, há um sem número de situações problemas originárias do desastroso governo do Bush Junior: Iraque, Afeganistão, países da África são alguns exemplos da irresponsabilidade calculada de um governo oriundo e aliado da indústria bélica.
No entanto o principal ponto que o Presidente Negro terá de enfrentar é a imensa falta de credibilidade em que as nações mais ricas se encontram diante das populações marginalizadas deste planeta.
Ninguém confia em mais ninguém!
Este desafio externo está alinhavado com o interno e, com certeza, só haverá encaminhamento político e econômico adequado se as propostas atenderem simultaneamente a ambos.
Para isso, é preciso revolucionar os modelos econômicos e a política de implementação e controle desses modelos, sem dogmas e sem divinizações de qualquer natureza.
Não há mais guarida para os dogmas falaciosos da “Mão Invisível“ e da “auto regulamentação do livre mercado“.
Parece-me óbvio que um elemento básico importantíssimo que deve orientar a política internacional e os novos modelos econômicos é o fato de que este planeta é único e, por isso, deve ser compartilhado igualmente por todos os seres vivos, os quais têm direito a viver condignamente sem destruí-lo.
Talvez isso seja um pequeno passo para recomeçar… porém é preciso que todos nós sejamos muito mais criativos e nos empenhemos, sem parar, para continuar a revolução.
Todos devemos ter consciência de que o Presidente Negro não é e nem deve ser um Deus todo poderoso!
Nada de divinização!!!