Sacanagem da nossa Sociedade Falso Moralista

Não consigo concordar com as considerações e os termos da decisão contidos no Anúncio Publicitário da Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL – no recente caso da estudante que “provocou” ESTARRECIMENTO (por que não dizer: ESTUPEFACTAÇÃO) naquele “ambiente escolar“.

Não vou me enganchar no disse-me-disse publicado pela imprensa, pois é um labirinto sem saída, provavelmente.

No entanto vou tentar interpretar o Anúncio Oficial, pois este é o único fato concreto até agora.

Inicia com duas frases muito importantes para uma Instituição de Ensino Superior consciente da própria responsabilidade social:

“Responsabilidade educacional”
“A educação se faz com atitude e não complacência”

A partir dessas frases de profundo significado eu esperava uma aula magna de cidadania fundamentada nos princípios constitucionais da liberdade de de ir e vir e de manifestar o pensamento sempre com completa responsabilidade social.

Pura ilusão!

Deparei-me com um boletim de escola privada sem qualificação, repleto de falso moralismo com ranço machista inspirado em épocas de costumes pré-medievais deste planeta (e só em algumas sociedades daquela época).

Amparados “legalmente” por um artigo do Regimento Interno e se apoiando no artigo 207 da Contituição do Brasil, discorrem os “fatos” apurados:

“Foi apurado que a aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade, e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento.”

Na minha opinião, aqui está instalado um absurdo: o “fato apurado” nem resvalou na violência animalesca manifestada “livremente” por todos os que se se sentiram ““aviltados”” pela suposta atitude da estudante.

Outro absurdo: a Instituição não se preocupou em alertar – melhor seria, EDUCAR – a sua comunidade – estudantes, professores e funcionários – para não se “comportar selvagemente” diante de qualquer situação inesperada ou aparentemente inoportuna.

Afinal, nem tudo o que parece ser, o é, pois a interpretação de um fato não deve passar só por um olhar para não se tornar direcionado, parcial e inconsequente.

Além disso, esse trecho da Nota já revela o preconceito entranhado nos dirigentes dessa Instituição: identificam os trajes da estudante como “inadequados” para aquele “ambiente da universidade“.

Quais são os princípios utilizados para definir o que é um traje adequado? Será que devemos institucionalizar a burca como o traje adequado para as mulheres?

Só por esse início da Nota perdi completamente a confiança no resto do conteúdo da mesma e, é claro, o que começa com princípios absurdos continua absurdamente estapafúrdia.

“A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma, explícita, os apelos dos alunos que se manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos.”

A Comissão de Sindicância conseguiu medir o grau de tara sexual que a estudante provocou quando passeou pela Instituição e aumentou a sua exposição, ensejando explicitamente que todos os presentes – homens e mulheres – a estuprassem!!!

Seu comportamento sexual foi tão explicitamente excitante que culminou nas poses para as fotos que os estudantes poderão utilizar para se masturbar nos momentos de tentação e se consolar solitariamente nos momentos de solidão!

Esse é um FATO INÉDITO!!!

E a peregrinação de sexo explícito da estudante continua:

“Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local.”

Agora a estudante se torna um restaurante (universitário?), pois “alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas ” que se aglomeraram no afã de saciar a sede atroz e a fome insana de sexo.

“Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima que havia criado.”

A turba desvairada precisa ser acalmada vendo aquele demônio de estudante com seu corpo adequadamente coberto.

Só pode ser brincadeira de mau gosto! Péssimo gosto!

Nem dá para continuar discorrendo minhas sandices sobre esse “FATO”!

E a decisão de expulsá-la? Por esse “fato“?

É deplorável!

Seria muito mais interessante que todos nós nos concentrássemos com ética plena nas questões centrais do nosso viver educacional: ajudar os nossos jovens a se prepararem para encarar todos os desafios sempre lembrando que todos somos humanos e, como tal, precisamos uns dos outros para sobrevivermos com dignidade.

OBS: O artigo da Constituição citado na Nota estabelece:
“Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.”

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