Deus Negro?

7 de novembro de 2008

Após mais de 60 anos de intensas lutas raciais nos Estados Unidos da América, eis que aquela sociedade surpreende o mundo e demonstra a capacidade – ou pelo menos a disposição – que tem de superar as próprias limitações: para tanto elegeu um negro para Presidente!

Considerando que os 8 anos do governo Bush Júnior foram pateticamente terríveis para os filhos e enteados daquele país, chega a ter alguma lógica a atitude de escolher um Presidente que promete mudanças ou, quem sabe, até mesmo transformações nos processos e procedimentos da política econômica interna e nas relações internacionais.

Na política interna dos USA reaparece o fantasma do desemprego fortemente aliado ao descrédito das instituições privadas que se emaranharam em um bacanal financeiro com alcance mundial.

Tudo indica que esse bacanal só se tornou possível em função da estrutura econômica escolhida cujas falhas permitem - em nome do tal livre mercado - qualquer manobra financeira que justifique a busca do lucro irrefreável e, no mundo globalizado, consiga inclusive a materialização da riqueza virtual.

É impressionante como esse modelo econômico torna possível enriquecer sem produzir absolutamente NADA!

Imagina um pária milionário!

Se isso é um problema econômico estrutural, será necessário ter “aquilo” super roxo para conseguir modificar ou transformar essa estrutura carcomida.

No campo das relações exteriores, há um sem número de situações problemas originárias do desastroso governo do Bush Junior: Iraque, Afeganistão, países da África são alguns exemplos da irresponsabilidade calculada de um governo oriundo e aliado da indústria bélica.

No entanto o principal ponto que o Presidente Negro terá de enfrentar é a imensa falta de credibilidade em que as nações mais ricas se encontram diante das populações marginalizadas deste planeta.

Ninguém confia em mais ninguém!

Este desafio externo está alinhavado com o interno e, com certeza, só haverá encaminhamento político e econômico adequado se as propostas atenderem simultaneamente a ambos.

Para isso, é preciso revolucionar os modelos econômicos e a política de implementação e controle desses modelos, sem dogmas e sem divinizações de qualquer natureza.

Não há mais guarida para os dogmas falaciosos da “Mão Invisível“ e da “auto regulamentação do livre mercado“.

Parece-me óbvio que um elemento básico importantíssimo que deve orientar a política internacional e os novos modelos econômicos é o fato de que este planeta é único e, por isso, deve ser compartilhado igualmente por todos os seres vivos, os quais têm direito a viver condignamente sem destruí-lo.

Talvez isso seja um pequeno passo para recomeçar… porém é preciso que todos nós sejamos muito mais criativos e nos empenhemos, sem parar, para continuar a revolução.

Todos devemos ter consciência de que o Presidente Negro não é e nem deve ser um Deus todo poderoso!

Nada de divinização!!!

É preciso REVOLUCIONAR a Economia Mundial!!!

4 de novembro de 2008

Há muito tempo “os deuses da engenharia financeira” têm colocado muita fé em axiomas econômicos não testados e nos modelos de economia equivocados.

Para impedir a devastação econômica mundial, é preciso acabar com essa incompetência, é necessário alterar urgentemente esse procedimento.

Comparando com a Física, parece justo afirmar que o sucesso quantitativo das ciências econômicas tem sido extremamente decepcionante.

Os físicos têm garantido que os foguetes voem para a Lua, que a energia seja extraída de mínimas variações de massa atômica, que haja maior precisão nos dignósticos de doenças etc…

E os economistas? Qual é a realização emblemática da economia no nosso planeta?

Só a sua recorrente incapacidade de prever e evitar crises, incluindo a atual quebra de crédito em âmbito mundial.

Por que isto acontece?

Claro que, parafraseando Isaac Newton, criar um modelo para a loucura das pessoas é muito mais difícil do que modelar o movimento dos planetas.

Mas as regularidades estatísticas devem emergir do comportamento das grandes populações, tal como a lei dos gases ideais emerge a partir do caótico movimento das moléculas individuais do mesmo.

Para mim, a diferença crucial entre os modelos em física e em economia reside na forma de como são tratados os campos relativos das funções dos conceitos, das equações e dos dados empíricos.

A economia clássica está alicerçada sobre muitos pressupostos poderosos que rapidamente se tornam axiomas, como:

1- acredita-se na racionalidade dos agentes econômicos (a premissa de que cada agente econômico, seja uma pessoa ou uma empresa, age para maximizar seus lucros);

2- acredita-se na «Mão Invisível» (que os agentes, na defesa dos seus próprios lucros, são levados a fazer aquilo que é melhor para a sociedade como um todo);

3- acredita-se na eficiência do mercado (que os preços do mercado refletem fielmente todas as informações conhecidas a cerca dos ativos).

Certa vez ouvi de um economista, para meu espanto: “Estes conceitos são tão fortes que eles substituem qualquer observação empírica“.

Isso lembra o argumento do economista Robert Nelson em seu livro “Economia e Religião” (Pennsylvania State Univ. Press, 2002): o mercado tem sido divinizado.

Os físicos, por outro lado, aprenderam a suspeitar dos axiomas.

Se uma observação empírica é incompatível com um modelo, o modelo deve ser alterado ou ir para a lixeira, mesmo que seja conceitualmente bonito ou matematicamente conveniente.

Na história da física está registrado que muitas idéias (modelos) aceitas durante algum tempo estavam erradas, por isso os físicos cultivam a crítica e desconfiam dos seus próprios modelos.

Infelizmente, essas saudáveis revoluções científicas ainda não aconteceram na economia, onde as idéias são solidificadas em dogmas.

Estes acabam sendo perpetuados através do sistema educacional: os alunos não questionam as fórmulas que podem usar sem pensar.

Embora ao longo das últimas décadas, muitos físicos tenham sido recrutados por instituições financeiras, eles parecem esquecer a metodologia das ciências naturais na medida em que absorvem e regurgitam os dogmas econômicos existentes.

A suposta onisciência e a perfeita eficácia do livre mercado é reminiscência do mundo econômico das décadas de 1950 e 1960, o qual, retrospectivamente, manipulava mais com a propaganda anticomunista do que com uma ciência plausível.

Na realidade, os mercados não são eficientes, pois os humanos tendem a focar excessivamente nas ações de curto prazo e a ficar cegos no longo prazo e os erros são amplificados de tal forma que levam, em última análise, à irracionalidade, ao pânico e à quebradeira geral.

Os livres mercados de fato são mercados selvagens.

QUÍMICA MÉDICA: Implantes Protegidos de Microorganismos

31 de outubro de 2008

Durante a implantação ou inserção de dispositivos médicos no corpo humano, como os cateteres, os micróbios patogênicos podem ser introduzidos no paciente.

Uma vez implantados, os micróbios podem se incrustar à superfície do dispositivo de tal modo que formam um biofilme, e isso é uma causa comum de falha do dispositivo.

Para superar esses problemas, várias estratégias têm sido utilizadas para criar revestimentos que são antimicrobianos ou não incrustantes.

Neste mês, a equipe do dr. Cheng anunciou o desenvolvimento de um revestimento que combina essas duas propriedades passando de antimicrobiano para o estado não incrustante por processo de hidrólise.

Especificamente, eles aplicam um derivativo de poli(metacrilato) com cadeias laterais catiônicas que se tornam zwitterionic após a conversão de um terminal éster em carboxilato.

Dentro de 1 hora de exposição ao revestimento preparado inicialmente, 99,9% das bactérias Escherichia coli incrustadas estavam mortas.

Ao longo dos próximos 2 a 8 dias, o revestimento lentamente hidrolisado vai liberando 98% das células microbianas mortas.

A natureza não incrustante do revestimento hidrolisado previne a continuação das células microbianas e a formação de um biofilme sobre o dispositivo implantado.

Graduando adequadamente a taxa de hidrólise do revestimento, será possível adaptá-lo para uma gama de aplicações em dispositivos médicos implantáveis.

Esse trabalho foi publicado por Cheng et al na revista Angew. Chem. Int. Ed. 47, 10.1002/anie.200803570 (2008).

OBS: O zwitterionic é um composto químico com íon dipolar capaz de transportar simultaneamente carga elétrica positiva e negativa e usualmente é muito solúvel em água, mas pouco solúvel na maioria dos compostos orgânicos; os melhores exemplos desse tipo de composto são os aminoácidos com um grupo base NH2 e um grupo ácido COOH.

COMBUSTÃO QUÍMICA: Desafiando as Estatisticas

30 de outubro de 2008

A combustão do hidrogênio e do oxigênio desenvolve dinâmicas que as estatísticas não conseguem predizer.

A equação química da combustão do hidrogênio com oxigênio (H2 + O2 — H2O) pode parecer bastante simples, mas, na realidade, é um resumo de mais de 50 reações de combustão química.

Em particular, a reação (H + O2 — OH + O) é considerada por muitos pesquisadores como «a mais simples e importante reação de combustão”, pois caracteriza a dinâmica da combustão química.

Tem havido uma boa parte de controvérsia sobre se tal dinâmica pode ser descrita por um modelo estatístico, mas os cálculos de mecânica quântica feitos por Donghui Zhang (Academia Chinesa de Ciências em Dalian), Daiqian Xie (Nanjing University), Hua Guo (Universidade do Novo México) e colaboradores mostraram agora que isso não pode ser feito facilmente.

Na reação (H + O2 — OH + O), um radical livre (hidrogênio) produz dois radicais livres (oxigênio e hidroxila). Esses radicais livres podem reagir outra vez e produzir mais radicais e intermediários, permitindo assim que aconteça uma cadeia de reações de combustão.

Os pesquisadores estudaram o radical peridroxila HO2, um intermediário na cadeia de reações.

Eles calculam a seção transversal da reação, ou a probabilidade de que a reação de HO2 irá ocorrer (foto).

Esse resultado não concorda com as previsões estatísticas, que supõem que a formação e o decaimento do radical HO2 são eventos distintos.

De fato, o radical HO2 existe por tão pouco tempo que ele pode manter alguma ‘memória’ do seu estado inicial e, portanto, não se comporta estatisticamente.

Interessante é que comportamento não estatístico similar tem sido observado em colisões de alta energia.

Os pesquisadores esperam que essa descoberta estimule ainda mais os estudos experimentais da reação (H + O2 — OH + O).

Melhores informações:

Sun, Z. et al. State-to-state dynamics of H + O2 reaction, evidence for nonstatistical behavior. J. Am. Chem. Soc. (Out 2008)

SPINTRÔNICA: Receita para Correntes de Spin

20 de outubro de 2008

O domínio da spintrônica – a eletrônica com o spin – procura explorar o spin dos elétrons nos metais e semicondutores a fim de realizar tarefas que, atualmente, são rotineiramente realizadas pelo transporte da carga dos elétrons.(ver “Spintrônica: Catracas de Spin”)

A spintrônica oferece um caminho promissor para alcançar novas reduções tanto nas dimensões quanto no consumo de energia dos dispositivos de estado sólido.

Nos últimos anos, muitas experiências engenhosas têm procurado desvendar os princípios básicos que governam a criação e a manipulação das correntes de spin: o fluxo de elétrons com polarização efetiva de spin.

Em uma pesquisa inédita, a equipe de Uchida introduz o “Efeito Seebeck para Spin” como uma maneira sobretudo elegante de gerar correntes de spin a partir de uma fonte de tensão de spin, a qual pode ser aplicada e mantida até a distância de aproximadamente 1 centímetro à temperatura ambiente.

O conhecido Efeito Seebeck refere-se ao aparecimento de uma tensão elétrica quando as extremidades de um fio, eletricamente isolado, são colocadas em diferentes temperaturas (Fig. 1A).

O gradiente de temperatura produz um fluxo de corrente que é transportada pelos elétrons para a extremidade com menor temperatura.

Como o fio está eletricamente isolado, há um fluxo invertido de elétrons impulsionado por um gradiente finito no potencial químico, μ, a energia dos elétrons mais energéticos no fio.

A situação é análoga a usar um ventilador para amontoar água em uma lateral de um aquário: o curso de água superficial na direção do vento é equilibrado por um fluxo oposto impulsionado pelo gradiente de pressão na água.

No estado estacionário, o nível de água no tanque – análogo a função do potencial químico μ – tem um perfil inclinado.

Do mesmo modo, o potencial químico μ exibe um perfil inclinado em um gradiente de temperatura (Fig. 1A) e a tensão observada é a diferença no potencial químico μ nas duas extremidades do fio.

Essa tensão termelétrica pode ser usada para gerar eletricidade e é uma fonte vital de energia para os satélites espaciais.

O efeito inverso, conhecido como o Efeito Peltier, é utilizado para resfriar os materiais variando desde micro chipes até vinhos raros.

O resultado completo dessa pesquisa deve ser lido em:

Uchida, K. et al. Nature 455, 778–781 (Out. 2008).

CHINA: Desenvolvimento Arriscado com Ensino Avançado

18 de outubro de 2008

Entrevista do primeiro ministro da China, Wen Jiabao, para Bruce Alberts, editor chefe da revista Science, acontecida em 30 de setembro de 2008 em Beijing.

Foram 14 perguntas relevantes envolvendo interesses mundiais e aqui destaco uma delas, relacionada com o desenvolvimento científico e tecnológico da China

Bruce Alberts: Volto à questão das suas tentativas para criar um sistema mais inovador, o qual, é claro, significa que deva ser capaz de atrair pessoas inovadoras, talentosas para a China e treinar seu próprio povo para ser inovador, bem como inteligente. Como está indo esse programa?

Wen Jiabao: Este programa tem três aspectos. O primeiro deles é que precisamos cultivar em grande quantidade os nossos próprios talentos inovadores.

Isto tem de começar com as crianças, para desenvolverem um pensamento independente a partir dessa idade.

Após entrarem nas escolas secundárias e nas universidades, é necessário que exista um ambiente livre que lhes permita desenvolver o raciocínio criativo e o pensamento crítico.

Costumo dizer que é mais importante aprender a fazer uma boa pergunta ou descobrir um problema do que resolver um problema.

Este é exatamente o tipo de talento de que precisamos.

Em segundo lugar, precisamos também integrar estreitamente a ciência e a tecnologia com o desenvolvimento econômico e social, porque a ciência e a tecnologia encontram a sua inspiração no desenvolvimento econômico e social.

É por isso que procuramos fortalecer a integração entre a produção, o estudo acadêmico e a pesquisa.

Em terceiro lugar, os nossos cientistas precisam cultivar a ética científica; mais importante, eles necessitam defender a verdade, buscar a verdade a partir de fatos, serem ousados na inovação e tolerantes nas falhas.
Apenas a ciência e a procura da verdade dos fatos pode salvar a China. Estou acreditando nisto firmemente.

Nós desenvolveremos rapidamente a política de abertura ao mundo exterior, pois isso é muito importante para importar os melhores talentos intelectuais, científicos e tecnológicos.

Partindo desta perspectiva, os cientistas podem saltar as barreiras da ideologia e das fronteiras nacionais para servir a toda a humanidade.

Posso assegurar que vamos certamente criar um bom ambiente para os cientistas estrangeiros trabalharem na China.

Mas eu não acredito que esta seja a questão principal.

Eles devem sentir que têm direito às condições para desenvolver as suas carreiras na China, que são respeitados pela China e que os resultados do seu trabalho são respeitados pela China.

Isso vai exigir que nós protejamos os seus espíritos criativos independentes e os direitos de propriedade intelectual.

OBS: Continuarei apresentando outras questões dessa entrevista.

SPINTRÔNICA: Filtros para Spin

16 de outubro de 2008

A spintrônica – uma tecnologia emergente que explora o comportamento dos elétrons com spins ‘para cima’ (’spin-up’) e ‘para baixo’ (’spin-down’) – promete melhorar o seu desempenho e a funcionalidade para a próxima geração de dispositivos de estado sólido.(ver “Spintrônica: Catracas de Spin”)

Os filtros para spin – que permitem a passagem de elétrons com apenas uma orientação para os spins – são particularmente importantes componentes da spintrônica.

A equipe de Zhengxiang Gao na Universidade de Pequim, aplicou a teoria do funcional da densidade (DFT, do inglês) para investigar o potencial de utilização de materiais orgânicos para fabricar os filtros para spin.

Os materiais semi-metálicos (half metal) – que permitem a condução de elétrons com os spins em certa direção, mas se comportam como isolantes para os elétrons com spins na direção oposta – são conhecidos por serem bons candidatos para fabricar filtros para spin.

A sugestão é que um fio unidimensional (ver imagem) contendo átomos de metais – tais como o vanádio (marcado em vermelho) e o ferro (marcado em branco) – amontoados entre moléculas aromáticas – tais como o benzeno e o ociclopentadienil (marcado em cinza) – poderia ser um semi-metal orgânico.

Usando a teoria DFT, os pesquisadores previram que os fios que contêm apenas íons de vanádio apresentam comportamento de material semi-metálico, mas aqueles fios que contêm vanádio e ferro são semicondutores.

Quando os fios estão acoplados a eletrodos de ouro nas duas extremidades, no entanto, os fios de ciclopentadienil apenas com vanádio ou alternando vanádio e átomos de ferro, podem se tornar filtros para spin altamente eficazes.

Os pesquisadores também mostraram que os fios meio-metálicos que não contém ferro são melhores filtros de spin do que os fios semicondutores contendo ferro.

A leitura completa dessa experiência pode ser feita em:

Wang, L. et al. Novel one-dimensional organometallic half metals: Vanadium-cyclopentadienyl, vanadium-cyclopentadienyl-benzene, and vanadium-anthracene wires. Nano Lett. (2008).

CÉLULAS TRONCO INTESTINAIS: Procurando a Auto-regeneração

15 de outubro de 2008
Os pesquisadores em Pequim identificaram o gene que controla
a auto-regeneração das células intestinais

As células estaminais do intestino (ISC, do inglês), localizadas na membrana basal do revestimento do intestino delgado (ver imagem, marcada em verde), têm a capacidade única de desenvolver o processo de divisão celular indefinidamente.

Em cada divisão, uma célula ISC produz duas células filhas: uma que se submete a auto-renovação para se tornar uma nova ISC, e a outra que se torna uma enteroblasta, que só pode ser submetida a um número limitado de divisões celulares antes da maturação terminal em células intestinais especializadas, como a enterócita (marcadas em azul na imagem) ou a enteroendocrina.

O pesquisador Rongwen Xi e sua equipe no Instituto Nacional das Ciências Biológicas de Beijing (Pequim), China, descobriram a genética molecular que impede a ISC de se diferenciar nos diversos tipos de células especializadas.

Estudos anteriores identificaram vários percursos sinalizadores críticos que influenciam a auto-regeneração e a diferenciação das ISC; os exemplos incluem os percursos sinalizadores Wnt e Notch.

Os pesquisadores, por isso, investigaram o efeito de Wingless (WG, marcados em vermelho) – uma proteína sinalizadora Wnt especificamente expressa na musculatura circular localizada ao lado da membrana basal – sobre a ISC no intestino médio da Drosophila, a mosca da fruta.

Eles descobriram que a redução na capacidade da mosca da fruta de produzir Wg pode causar a diferenciação da ISC, enquanto a superprodução de Wg produziria um excesso de células tipo ISC com altos níveis de proteína sinalizadora Notch.

Outras análises mostraram que todos os tipos de proteínas no percurso da sinalização Wnt, incluindo Frizzled, Dishevelled e Armadillo, trabalham em conjunto com a Wg para controlar a auto-regeneração da ISC.

Parece que a proteína Notch funciona cooperativamente com a célula sinalizadora Wnt para manter o equilíbrio entre a auto-regeneração e a diferenciação das ISC.

O intestino médio da mosca da fruta e o intestino médio dos mamíferos são conhecidos por compartilharem muitas similaridades estruturais e funcionais.

As conclusões, portanto, podem conduzir a importantes descobertas sobre os mecanismos subjacentes da disfunção intestinal e dos cânceres nos mamíferos.

Consulte o trabalho completo:

Lin, G., Xu, N. e Xi, R. Paracrine Wingless signalling controls self-renewal of Drosophila intestinal stem cells. Nature (15 October 2008).

XIII OLIMPÍADA IBERO-AMERICANA DE FÍSICA: Estudantes Brasileiros são Campeões

14 de outubro de 2008

ESTUDANTES BRASILEIROS CONQUISTAM TRÊS MEDALHAS DE OURO E UMA DE PRATA E SÃO OS CAMPEÕES DA XIII OLIMPÍADA IBERO-AMERICANA DE FÍSICA. (ver “Olimpiada Internacional de Fisica”)

A disputa aconteceu na cidade de Morelia, no México, no período de 28 de setembro até 3 de outubro de 2008, tendo 68 estudantes de 19 paises participando.

A equipe brasileira – acompanhada pelo Prof. Carlito Lariucci, do Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás – foi composta pelos estudantes:

1- Ceará – Mariana Quezado Costa Lima – Medalha de Ouro – George Gondim Ribeiro – Medalha de Ouro – e Deric de Albuquerque Simão – Medalha de Prata;

2- São Paulo – Leonardo Mendes Valerio Almeida – Medalha de Ouro.

Os estudantes brasileiros participam dessas Olimpíadas desde 2000 e já foram campeões em 2004 e 2005 quando conquistaram 2 medalhas de ouro, 1 medalha de prata e 1 medalha de bronze.

Neste ano, a equipe obteve a melhor nota nas provas experimental e teórica e a primeira posição na classificação geral.

No Brasil, a seleção e preparação dessas equipes é resultado da Olimpíada Brasileira de Física desenvolvida todo ano pela Sociedade Brasileira de FísicaSBF.

PARABÉNS PARA TODOS!!!!!!!

PRÊMIO NOBEL de FÍSICA: Universo Anti-Simétrico

9 de outubro de 2008

Os vencedores do Prêmio Nobel de Física em 2008 – físicos nascidos no Japão – desenvolveram pesquisas para compreender o modo como são quebradas as simetrias fundamentais da natureza.

Quem são os premiados?

Ganhando um quarto do prêmio de 1,0 milhão de euros para cada um:

1- Makoto Kobayashi da Organização de Pesquisa do Acelerador de alta Energia (High Energy Accelerator Research Organization) em Tsukuba, Japão;

2- Toshihide Maskawa Yukawa do Instituto de Física Teórica (YITP), na Universidade de Kyoto,

Qual foi o grande motivo da premiação dessa dupla?

- A descoberta da origem da “quebra de simetria” na natureza que contribuiu para a preponderância da matéria sobre a antimatéria neste Universo.

Quem ganhou a outra metade do prêmio?

3- Yoichiro Nambu, da Universidade de Chicago, em Illinois, USA.

O que ele fez para merecer esse prêmio?

- Demonstrou que o conceito dequebra espontânea de simetria” pode explicar a diversidade de partículas e forças visualizadas na característica quântica da natureza.

A quebra de simetria na natureza descreve como os sistemas físicos podem subitamente mostrar uma preferência por certa direção em detrimento de outras direções.

Por exemplo: um lápis equilibrado sobre a sua ponta apresenta simetrias em torno do seu comprimento visto a partir do topo, mas quando o mesmo se desequilibra e cai, aponta em determinada direção e essa simetria é quebrada.

O mesmo conceito se aplica a muitos sistemas, mas foi Nambu quem ampliou essa teoria para as partículas fundamentais, explica John Ellis, físico teórico do CERN, o laboratório de física de partículas da Europa, em Genebra, Suíça.

Ellis é um dos milhares de cientistas que desejam usar o Large Hadron Collider (LHC) do CERN para desvendar um famigerado produto da quebra de simetria – o boson de Higgs – o qual se acredita ser capaz de dotar as outras partículas com massa.(ver “Large Hadron Collider”)

Kobayashi e Maskawa, entretanto, mostraram como a violação de certa simetria particular poderia criar mais matéria do que antimatéria no Universo – um mistério que vem de longo tempo escondido na física das partículas.

Em um artigo publicado em 1973, eles calcularam que as interações entre os quarks através da força fraca – uma das quatro forças fundamentais da natureza – naturalmente dá origem a uma violação na simetria da paridade de carga elétrica (simetria CP), quando as partículas de matéria não se comportam precisamente como imagens espelhadas das suas homólogas de antimatéria.

“Eles registraram essa enorme manifestação física cuja interpretação é a violação da simetria entre matéria e antimatéria“, comenta Ken Peach, físico da Universidade de Oxford, Inglaterra.

As equações também apresentavam a previsão da existência de uma terceira família de quarks, uma idéia que parecia completamente “artificial” em 1973, até que os quarks foram identificados.

O trabalho de Kobayashi e Maskawa já foi verificado por dois experimentos de alta energia: o experimento Belle no Japão e o experimento BaBar no Centro do Acelerador Linear de Stanford, na Califórnia.

Esses experimentos mediram o decaimento de partículas que incluiu os quarks bottom e os seus resultados experimentais comprovaram as previsões iniciais: “Todas as conclusões são consistentes”, afirma Peach.

No entanto, a violação da simetria CP descoberta pela dupla, atualmente ainda não é suficiente para explicar a dominância total da matéria sobre a antimatéria no Universo .

Peach diz que muitos físicos acreditam que outra violação de simetria ainda mais poderosa pode ser identificada, talvez também por meio das medidas que serão realizadas no LHC.

(Baseado na matéria de Geoff Brumfiel publicada na Nature em 7 de outubro de 2008)