Durante o inverno europeu de janeiro de 1609, o italiano Galileo Galilei (15 feveireiro 1564 – 8 janeiro 1642) usou, pela primeira vez, um monóculo tubular capaz de aproximar os objetos por cerca de 30 vezes – feito por ele, mas não por ele inventado – para olhar os céus.
A sua surpresa foi indescritível, pois conseguiu ver coisas nunca antes vistas por um olhar humano.
Registrou a superfície rugosa da lua – com montanhas e vales muito semelhantes aos da Terra - e, um ano mais tarde (janeiro de 1610), quatro pequenas estrelas errantes que se movimentavam nas proximidades de Júpiter, a maior estrela errante até então conhecida.
Dito e visto deste modo, fica a impressão de que essas descobertas de Galileo não têm a menor importância.
Para entender a revolução provocada por essas observações de Galileo, é preciso lembrar que na Europa de há 4 séculos todo o universo conhecido era dividido em duas partes bem diferentes, ainda conforme a interpretação do grego Aristóteles, que viveu cerca de 350 anos a.C:
1- As Esferas Celestes: da Lua para cima tudo era perfeito
Detalhes: a superfície da Lua era um espelho, as estrelas fixas e as estrelas errantes (os planetas) eram imutáveis.
2- O planeta Terra, o centro imóvel do Universo, composto pelas esferas dos 4 elementos nessa sequência: terra, água, ar e fogo.
Detalhe: era a zona da imperfeição, onde tudo era mundano e deveria desenvolver-se para a perfeição.
É principalmente a essa concepção que as observações de Galileo se contrapõem: os céus não pareciam ser perfeitos!!!!!
Se os céus não eram perfeitos, então a imperfeita Terra podia fazer parte dos céus.
Desse modo, Galileo reforça a proposta heliocêntrica do polonês Nicolao Copernico (1473-1543): a Terra também é uma estrela errante em movimento circular em torno do Sol.
É claro que Galileo não se conveceu tão facilmente da proposta heliocêntrica.
Por isso, fez outras observações sobre os movimentos dos planetas que só poderiam ser aceitos mediante o movimento da Terra em torno do Sol.
Mais tarde, em 1687 o inglês Isaac Newton (1643-1727), interpretando os movimentos das estrelas errantes do sistema solar estudados por Johannes Kepler (1571-1630), publicou a sua interpretação de que esse movimento é provocado por uma força responsável pela atração gravitacional entre o Sol e as estrelas errantes.
Desde então, o Universo conhecido foi se expandindo e hoje já brincamos com a possibilidade de múltiplos universos.
As pessoas que gostarem desse assunto podem consultar, entre tantos outros, os seguintes textos:
1. ASIMOV, Isaac, Understanding Physics, Ed. Barnes and Noble (1993)
2. CROMBIE, A. C., Historia de la Ciência, vols. 1 e 2, 7a ed. Espanhola, Editorial Alianza (1996)
3. HOLTON, G. e Roller, D. H. D., Fundamentos de la Física Moderna, Editorial Revert
4. GALILEI, Galileo, Sidereus Nuncius, Ed. Marsílio, (1993)
5. GAMOV, George, The Great Physicists: from Galileo to Einstein, Dover Publications (1988)
6. NEWTON, Isaac, Principia: Princípios Matemáticos de Filosofia Natural, vol. 1, Trad. Trieste Ricci et al, EDUSP (1990)
7. SEGRÈ, Emilio, Personaggi e Scoperte della Física, vols. 1 e 2, Ed. Oscar Mondadori (1996)


