No final do último mês de março, voltaram a circular na rede os anúncios da empresa i-Doser (http://www.i-doser.com/) oferecendo vários produtos musicais capazes de estimular sensações muito semelhantes àquelas que resultam do uso de qualquer tipo de droga.
O site dessa empresa informa que a mesma faz pesquisas para desenvolver tecnologias relacionadas com as ondas cerebrais, usando métodos seguros e cientificamente provados para sincronizar as ondas cerebrais e estimular um estado que pode ser alcançado através desses métodos musicais, denominados de Binaural.
Não encontrei no referido site nenhuma especificação a respeito desse “estado” que pode ser alcançado com a música e nem sobre o método Binaural.
Por outro lado, a revista Nature (http://www.nature.com/) de 13 de abril, comenta que o governo alemão montou uma equipe com nove pesquisadores alemães – neurologistas, psicólogos, educadores e filósofos – todos peritos em música, para apresentarem um relatório completo sobre a influência da música no aprendizado, ou na melhora da inteligência das pessoas, o chamado “efeito Mozart”.
O mito do “efeito Mozart” nasce a partir de uma reportagem publicada em 1993 nessa mesma revista, na qual o psicólogo Frances Rauscher, pesquisador da Universidade da Califórnia, anunciou que as pessoas executam melhor as tarefas espaciais – tais como reconhecer testes padrões, ou dobrar papel – após escutar Mozart durante 10 minutos.
Isso vem sendo muito utilizado como marketing pela indústria da música a qual – na concorrência comercial selvagem – freqüentemente está envolvida com interpretações que vão muito além das informações científicas disponíveis. Neste caso específico, as atividades diferentes de escutar a música e de praticar música, são propositalmente misturadas.
A comissão alemã vasculhou todos os arquivos de jornais, livros, revistas, universidades, procurando qualquer estudo relacionado com a influência da música no cérebro humano.
A conclusão do relatório dessa comissão é que ainda não há evidência científica concreta de que a inteligência de uma pessoa, mesmo ainda criança, possa ser alterada a partir de processos relacionados com a música, mesmo que seja a música de Mozart.
Não é possível afirmar que a música não produza algum efeito, o relatório apenas diz que os pesquisadores AINDA não conseguiram detectá-lo. Quem sabe em futuro próximo se consiga medir esses efeitos, sejam quais forem.
Se escutar Mozart, Beatles, Rolling Stones, Callas, Gal, ou Simone não me torna mais inteligente, então como qualquer outra música será capaz de me drogar?
OBS: Quem quiser experimentar uma dose da “droga musical” pode acessar o blog www.artigosinfo.blogspot.com