Há muito tempo os químicos tentam recriar a fotossíntese em laboratório e aumentar a eficiência de conversão da luz solar em combustível limpo.
As células solares recebem a luz do Sol e produzem uma corrente elétrica, de maneira instantânea, mas, assim que o sol se põe, a células solares ficam inativas.
Essa limitação só pode ser superada se a energia solar for armazenada em baterias, no entanto esse processo ainda é muito caro!
Por essa razão os químicos perguntam: será possível transformar a luz solar em combustível?
A natureza já faz isso através da fotossíntese: as plantas verdes misturam água, luz solar e dióxido de carbono para fazer açúcares e amidos e isto fornece todo o combustível de que necessitam.
Esse é um tipo de combustível que também precisamos muito, sob a forma de alimentos ou de petróleo.
O problema é que as plantas não são muito eficientes em produzir esse combustível:
apenas cerca de 3% da energia do sol é convertida em combustível utilizável.
E o combustível que serve para as plantas não necessariamente funciona para nós: os amidos e açúcares têm de ser tratados posteriormente se as nossas necessidades são mais sofisticadas do que simplesmente comer e depois expelir as sobras.
Mas as plantas têm uma especialidade que precisamos aprender com elas:
retirar elétrons da água para produzir combustível.
Enquanto o sistema fotovoltaico, ou célula solar, é um processo que produz corrente elétrica deslocando os elétrons de um lugar para outro, para produzir combustível com a fotossíntese os elétrons precisam ser retirados da água e armazenados em ligações químicas.
As plantas obtêm o seu suprimento eletrônico da água e ao redor do mundo os químicos estão tentando projetar sistemas sintéticos que façam o mesmo.
E o projeto que eles têm de superar ou, pelo menos, imitar, não só funciona em temperatura ambiente como também não necessita de metais catalisadores caros.
Produzir algo tão barato e similar as máquinas utilizadas pelas plantas continua sendo um desafio fundamental.
Alguns químicos estadunidenses, encarando esse desafio, fazem parte de um esforço de colaboração chamado Powering the Planet (Energizando o Planeta), apoiado pela National Science Foudation (Fundação Nacional de Ciência) do Estados Unidos.
O cerne do projeto é constituído por três problemas químicos básicos, cada um abordado por uma equipe de pesquisadores.
1- Conceber um material acessível para coletar energia do Sol e convertê-la em corrente elétrica (a equipe responsável é liderada por Nate Lewis, no Caltech – California Institute of Technology).
2-
Aperfeiçoar um catalisador na extremidade do material para separar água e produzir oxigênio (essa equipe é liderada por Dan Nocera, no MIT – Massachusetts Institute of Technology).
3- Conceber outro catalisador para a outra extremidade do material para produzir hidrogênio, o qual será utilizado como combustível (a equipe é liderada por Harry Gray, também no Caltech).
Iniciado em 2006, esse programa continua em pleno desenvolvimento e isso será apresentado nas próximas publicações.
Esse post foi publicado de sábado, 12 de julho de 2008 às 19:36, e arquivado em Física, ciência, combustível, fotossíntese, fuell, luz solar, photosynthesis, química. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0.
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