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BIOCOMBUSTÍVEL: Novas Relações Internacionais (parte 5)

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Continuo apresentando as propostas de mudanças de atitudes tanto das empresas quanto dos membros universitários para estabelecer um programa de superação das deficiências em pesquisa e desenvolvimento nos países ocidentais industrializados.

Os projetos podem ser propostos tanto pelas empresas quanto pelo corpo docente da faculdade ou universidade, mas só serão aceitos aqueles que evidentemente apresentam correspondência entre as necessidades de pesquisa da empresa e a capacidade da universidade.

A participação de todas as partes – empresas, universidades, faculdades e estudantes membros – será voluntária e a universidade se reserva o direito de publicar os resultados da pesquisa após um intervalo de tempo apropriado (em geral não superior a um ano) para permitir à empresa conseguir a proteção da propriedade intelectual.

Esse programa supõe que a própria universidade não tenha significativa propriedade intelectual na área dos interesses da empresa participante.

Se trabalhos realizados anteriormente por membros docentes universitários e estudantes, resultaram em propriedades de patentes ou direitos autorais antes do acordo com a empresa, um acordo de licenciamento mais tradicional poderia garantir essa parte do trabalho e qualquer nova propriedade intelectual gerada poderia ser abrangida pelo acordo do programa.

O acordo poderá ser facilmente adaptado às diferentes circunstâncias.

Desde que o programa RIT foi anunciado em março de 2008, três empresas já assinalaram com financiamento de projetos no Instituto de acordo com o programa.

Uma delas – PAETEC, empresa de telecomunicações localizada em Rochester – assumiu o compromisso de financiar um total de aproximadamente US$ 1,0 milhão ao longo dos próximos três anos.

As discussões com outras sete empresas estão atualmente em curso.

É lógico que esses acordos devem beneficiar tanto a indústria quanto as universidades.

Embora não seja uma boa coisa, em geral, que o setor privado dite os rumos intelectuais que faculdades e universidades devem tomar, hoje, a maior parte da pesquisa universitária é de natureza muito básica e há benefícios na conexão desta atividade com as necessidades do mundo real.

Se as universidades e faculdades estão se tornando os motores econômicos em suas comunidades como aspiram a ser, então as suas atividades de pesquisa e desenvolvimento têm de centrar-se tanto na tradicional pesquisa fundamental de longa duração – que torna possível o avanço dos conhecimentos humanos – quanto nos projetos de curto prazo que têm o potencial de produzir os novos produtos e serviços.

Os países industrializados do Ocidente têm que começar por aqui.

A futura prosperidade econômica desse países pode muito bem depender de seu sucesso na exploração de uma das suas últimas vantagens competitivas: as instituições de ensino superior e os extraordinários ativos de pesquisa e desenvolvimento que as mesmas representam.

BIOCOMBUSTÍVEL: Novas Relações Internacionais (parte 4)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Aqui é sugerida uma proposta de solução para superar tantas divergências entre as universidades e as empresas.

Imagine, se quiser, um grupo de faculdades e universidades que decidisse disponibilizar o corpo docente e o pessoal administrativo, os estudantes de pós-graduação e as instalações para as empresas realizarem a curto e a médio prazos projetos empresariais de pesquisa e desenvolvimento de baixo custo e sem as brigas pela propriedade intelectual que geralmente põem a pique esses esforços.

Imagine ainda uma nova relação entre empresas e universidades: centenas de empresas redescobrem a possibilidade de se dar ao luxo de pesquisar e desenvolver novos produtos ao mesmo tempo que identifica novos talentos como futuros trabalhadores.

Imagine se as empresas fossem capazes de apresentar os projetos de pesquisa e desenvolvimento de curto prazo (cerca de 1 ano) em um ponto central de recepção onde os mesmos pudessem ser selecionados de acordo com a qualificação dos docentes e dos alunos das faculdades e universidades participantes.

Os estudantes de pós-graduação, sob a supervisão de um professor e um representante da empresa, poderiam se engajar no trabalho de cada projeto como um problema de tese.

Professores e alunos que se inscrevessem para esses projetos teriam, portanto, um verdadeiro interesse no problema e a interação entre os membros do corpo docente, alunos e representantes das empresas seria benéfico para os interesses dos três grupos.

Suponha, por outro lado, que as faculdades e universidades participantes concordem em aceitar um modesto pagamento a ser partilhado pelos alunos, professores e a própria instituição, em troca de quaisquer dos direitos de propriedade intelectual relacionados com o trabalho para a empresa patrocinadora.

Tal mecanismo poderia re-energizar a pesquisa e o desenvolvimento empresarial, mas apenas se as empresas e as universidades se unissem para construir acordos de tal forma que todas as partes envolvidas vissem os benefícios reais para as suas organizações como resultado dessa colaboração.

O financiamento para suprimentos e equipamentos já disponíveis não é adicionado à taxa fixa.

Até onde isso é realizável, só mesmo a necessidade de sobrevivência será capaz de definir.

Essa discussão será terminada na próxima publicação.

BIOCOMBUSTÍVEL: Novas Relações Internacionais (parte 3)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Nas relações universidade-empresa, também há muitas divegências que são provenientes do lado das empresas: a obstrução empresarial.

Uma dessas obstruções está vinculada ao “último dia do próximo trimestre“: essa expressão representa o aumento das expectativas dos conselhos de administração e acionistas das empresas pelo crescimento dos lucros de curto prazo, o que tem dificultado a justificativa dos gestores para investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento no médio e longo prazos.

É incrível que as pessoas continuem cometendo o mesmo equívoco da questão da Toyota: UM BILHÃO de dólares de investimento para o desenvolvimento de veículos híbridos, era o acordo entre empresas de automóveis européias e estadunidenses o qual não foi realizado porque os investidores consideraram muito longo o tempo necessário para começar a ter lucro.

A propósito, essa era uma tecnologia pioneira nos Estados Unidos.

Existe também a obstrução “nós vamos comprar a nova tecnologia que precisamos em qualquer lugar“: as aquisições empresariais e as fusões estão consumindo dólares e euros não declarados em despesas legais, mas sem acrescentar quaisquer bens intelectuais realmente novos para os inventários dos Estados Unidos e da Europa Ocidental.
Esse dinheiro poderia ser mais bem utilizado para financiar pesquisa e desenvolvimento em tecnologia para ajudar a manter uma posição de liderança nesse setor.

Os empresários manifestam outra obstrução quando afirmam “não vamos pagar despesas gerais“: muitas empresas se recusam a reconhecer os custos reais que as universidades devem bancar durante os programas de pesquisa e desenvolvimento.

Muitas vezes os empresários hesitam em pagar taxas adicionais para as instituições acadêmicas que são tipicamente de 50% ou menos sobre os custos diretos – a complementação de salários para os pesquisadores, o uso de materiais e equipamentos – não obstante o fato de muitas empresas apresentarem taxas internas superiores a 100% dos custos diretos para os mesmos programas.

Apesar dessas divergências, há alguma solução possível?

As possibilidades serão apresentadas na próxima publicação sobre este assunto.

BIOCOMBUSTÍVEL: Novas Relações Internacionais (parte 2)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A pergunta que ficou anteriormente foi:

Será que o Ocidente tem alguma vantagem competitiva que poderia aproveitar para corrigir esta tendência?

Um fato ainda verdadeiro é que as instituições de ensino superior nos Estados Unidos e na maioria dos países da Europa Ocidental, ainda são consideradas como as melhores do mundo.

Em 2007, a Universidade Shanghai Jiao Tong na China classificou as universidades no mundo e listou 48 instituições norte-americanas e européias entre as primeiras 50 universidades.

O que isso representa?

Possivelmente essas instituições, juntas, detêm invejável massa crítica intelectual de talento e criatividade.

Há mais três aspectos importantes relacionados com essas 48 universidades:

1- o custo efetivo da força de trabalho dos estudantes de pós-graduação em pesquisa e desenvolvimento continua sendo a melhor relação em comparação a qualquer outro lugar.

2- os salários da maioria dos membros docentes são pagos pelas faculdades e universidades para a atividade de ensino e seriam mínimos os custos para incorporar estes intelectuais aos projetos de pesquisa e desenvolvimento.

3- muitas faculdades e universidades têm laboratórios ativos que seriam proibitivamente caros para a maioria das empresas.

Diante dessa constatação, surgem dois questionamentos:

Porque as corporações estadunidenses e européias ainda não adotaram as suas faculdades e universidades como centros corporativos de pesquisa e desenvolvimento?

Por que não existem mais empresas de base tecnológica incubando os seus novos conceitos de produtos nas universidades?

Acontece que existem muitos obstáculos tanto acadêmicos quanto empresariais desfigurando as possibilidades de aproximação.

A seguir são feitas observações sobre alguns fatores do lado acadêmico que atuam contra os melhores interesses de todos os envolvidos.

O primeiro é o fator “Gatorade“: um pequeno número de faculdades e universidades, principalmente nos Estados Unidos, tem recebido extraordinário retorno financeiro proveniente de propriedade intelectual desenvolvida pelos seus membros docentes.

É o caso da Universidade da Flórida a qual, desde a invenção da bebida Gatorade em 1965, já recebeu mais de 150 milhões de dólares de royalties pela concessão de licenças para a sua fórmula.

Esse sonho de retorno financeiro significativo empurrou as faculdades e universidades à procura ávida dos direitos de propriedade intelectual e os conseqüentes pagamentos dos royalties do setor empresarial com tal insistência, que muitos projetos colaborativos foram encerrados por advogados antes de sequer começarem.

Infelizmente, a maioria dos membros docentes e administradores universitários normalmente não têm noção do que é necessário para desenvolver uma idéia até o ponto em que possa ser transformada em um novo produto ou serviço para o qual há demanda comercial.

Essa ingenuidade pode frustrar as negociações com a academia a respeito das questões da propriedade intelectual e dos royalties.

Muitas vezes os acadêmicos dizem “dê-nos o dinheiro e nós vamos trabalhar em algo relacionado com o seu interesse”.

Os docentes habitualmente estão à procura de apoio financeiro para as suas próprias idéias, não para as idéias dos outros, e isso faz com que muitos empresários executivos perguntem: “o que estamos financiando?

Por último, há o fator tempo: “financie-me por três anos e ao final lhe darei um relatório mostrando o progresso do projeto”.

O calendário acadêmico normalmente é muito mais longo e elástico do que as empresas podem suportar, especialmente quando estão sob a pressão competitiva proveniente do estrangeiro.

É bom pensar que as empresas não estão em atividade para financiar teses de PhD, pois têm questões específicas que precisam de respostas em curto prazo: um ano ou menos.

Na próxima publicação serão apresentadas as questões pelo lado empresarial.

BIOCOMBUSTÍVEL: Novas Relações Internacionais

terça-feira, 1 de julho de 2008

A inovação na área de combustível exige um tipo de colaboração diferente entre os pesquisadores da indústria e da academia.

Por muitas décadas, o padrão de vida da maioria dos países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos tem sido sustentado por novos produtos, serviços e comércio que são o resultado de mais de 100 anos de liderança desses países em pesquisa e desenvolvimento mundial.

No entanto, a foice do custo competitivo tem forçado a eliminação de todos os programas de pesquisa e desenvolvimento de curto prazo do setor privado nesses países.

Os maiores laboratórios corporativos, que já foram notáveis catalisadores para o desenvolvimento econômico, todos estão desaparecendo. Por exemplo, os Laboratórios da RCA – empresa de telecomunicações estadunidense criada em 1919 – já não existem.

Os Laboratórios Bell, em Murray Hill, New Jersey-USA, que já foi o principal laboratório corporativo de pesquisa no mundo, viu o seu orçamento reduzido de 3,0 bilhões de dólares em 1982 para 1,3 bilhões de dólares em 2005 (sem os ajustes inflacionários).

Enquanto isso, as corporações competitivas da Ásia e em outros lugares do mundo, em muitos casos aproveitando a vantagem do baixo custo do trabalho, incrementaram o investimento em pesquisa e desenvolvimento a tal ponto que muitas delas agora estão superiores às companhias do Ocidente industrializado, tanto na qualidade do produto quanto na produtividade.

A conseqüência principal dessas mudanças é que a Europa e os Estados Unidos logo vão verificar que, pela primeira vez na história moderna, a maioria das novas idéias para os produtos e serviços que resultam no crescimento econômico, está sendo gerada em outros lugares do planeta.

Isso representa a perda das hegemonias industrial e econômica.

Essa situação pode ter conformação de dois tipos: circunstancial ou estrutural.

Em ambas as conformações, cabe uma questão básica:

Será que o Ocidente tem alguma vantagem competitiva que poderia aproveitar para corrigir esta tendência?

Se não tiver vantagem competitiva que permita a reação imediata, significa que o problema é estrutural, sendo muito mais difícil de ser alterado.

OBS: Vamos continuar essa análise na próxima publicação.