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	<title>Ciência, Tecnologia e Ensino &#187; Thomson</title>
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	<description>Artigos, análises e comentários sobre ciência, tecnologia e ensino em geral. Em particular, temas atuais a respeito da pesquisa em Física, informática e do ensino e aprendizagem de Física.</description>
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		<title>SUPERCONDUTIVIDADE : Quase Cem Anos</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jun 2008 12:29:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raffa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nas ligações elétricas em nossas casas são usados fios feitos com metais – em geral o cobre, mas pode ser o alumínio – por que, sendo bons condutores de eletricidade em temperatura ambiente, os fios metálicos apresentam a melhor relação custo benefício nesse processo.
O matemático e físico alemão Georg Simon Ohm (1787-1854) estudou experimentalmente a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nas <span style="color:#ff0000;">ligações elétricas em nossas casas</span> são usados <span style="color:#ff0000;">fios feitos com metais</span> – em geral o cobre, mas pode ser o alumínio – por que, sendo <span style="color:#ff0000;">bons condutores de eletricidade</span> em temperatura ambiente, os fios metálicos apresentam a melhor relação custo benefício nesse processo.</p>
<p>O matemático e físico alemão Georg Simon Ohm (1787-1854) estudou experimentalmente a <span style="color:#ff0000;">condução elétrica</span> <span style="color:#ff0000;">nos fios metálicos</span> em temperatura ambiente e, em 1827, estabeleceu que:</p>
<p>1- a razão entre a tensão elétrica <em>V </em>e a corrente elétrica <em>i</em> no condutor metálico é uma constante característica do circuito, a qual chamou de resistência elétrica: <span style="color:#ff0000;"><em>R </em>= <em>V</em>/<em>i</em>.</span></p>
<p>2- cada material pode ser caracterizado pela resistividade (letra grega <span style="font-family:trebuchet ms;"><strong><em>rô</em></strong></span><span style="font-family:arial;">)</span>, que está relacionada com a resistência <em>R</em> através da expressão: <img style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_eRlYy8OBRNA/SEWjEuaV3MI/AAAAAAAAAEM/LRUvxU-9J9Q/s320/Resistividade.bmp" border="0" />
<p>na qual constam o comprimento <em>L</em> e a área transversal<em> A</em> do fio.</p>
<div>Ainda no século XIX, os pesquisadores já haviam observado que a resistência elétrica dos metais vai diminuindo conforme a temperatura também diminui.</p>
<p>Em 1908, o físico alemão Heike Kammerlingh Onnes (1853-1926) consegue desenvolver um complexo processo de <span style="color:#ff0000;">criogenia</span> que liquefaz o gás hélio quando atinge a temperatura <em>T</em> = – 269 graus Celsius ou 4,2 Kelvin.</p>
<p>Em 1911, Onnes começa a utilizar o hélio líquido para observar o comportamento elétrico de várias substâncias com a diminuição da temperatura, pois ele supunha que deveria haver uma temperatura limite abaixo da qual a resistência elétrica daquele metal atingiria o menor valor ou seria anulada e isso permitiria a melhor condução de eletricidade.</p>
<p>Não havia concordância com essa suposição, pois o matemático e físico escocês William Thomson, o Lord Kelvin (1824-1907) imaginava que em temperaturas muito baixas os condutores de carga elétrica – os elétrons, partículas atômicas identificadas em 1897, pelo físico inglês Joseph John Thomson (1856-1940) – congelariam.</p>
<p>O primeiro resultado de Onnes foi com o <span style="color:#ff0000;">mercúrio, Hg</span> – substância metálica – e para a sua surpresa, o que aconteceu foi completamente diferente do que ele imaginara: enquanto a temperatura diminuía até pouco acima de 4,2K, a resistência também diminuía conforme se esperava, mas quando o Hg atingiu a temperatura de 4,2K, <span style="color:#ff0000;">a resistência simplesmente despencou para zero</span>, conforme mostra o gráfico da resistência em função da temperatura medida em Kelvin, feito com as medidas realizadas pelo próprio Onnes. <img style="display:block;cursor:hand;text-align:center;margin:0 auto 10px;" height="270" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_eRlYy8OBRNA/SEWfPPxYX4I/AAAAAAAAAD8/P510rY7em3E/s320/Supercondutor-Gr%C3%A1ficoHg.bmp" width="211" border="0" />Diante disso, Onnes registrou: “Abaixo da temperatura de 4,2K, o mercúrio passou para um novo estado com extraordinárias características elétricas, o qual pode ser chamado de <span style="color:#ff0000;">estado supercondutor</span>”.</p>
<p>Assim nasce um novo campo de pesquisa para melhor conhecermos a natureza: em princípio <span style="color:#ff0000;">todos os materiais podem apresentar a <span style="color:#330033;">propriedade de supercondução</span> abaixo de certa temperatura crítica específica para cada material</span>.</p>
<p>A compreensão dos conceitos de resistência e resistividade elétrica e a descrição teórica da supercondutividade só foram adequadamente desenvolvidas com os conceitos da <span style="color:#ff0000;">física quântica</span>, pois é proveniente do comportamento coletivo dos átomos dos materiais, impossível de ser explicado com os conceitos da física clássica.</p>
<p>Durante mais de 60 anos esse conhecimento ficou hibernando nos laboratórios e nas bibliotecas das universidades, porque a supercondutividade dos materiais conhecidos só se manifestava para temperaturas críticas abaixo de 4,2K.</p>
<p>Essa limitação inviabilizou a sua utilização tecnológica, pois para manter o material com essa temperatura era muito dispendioso, tanto pelo custo do hélio líquido, quanto pelo sofisticado isolamento térmico que deveria envolver o material.</p>
<p>O grande desafio estava em identificar algum novo material, ou alguma modificação nos materiais conhecidos, que apresentasse a supercondutividade em temperatura crítica mais elevada, se possível até mesmo em temperatura ambiente.</p>
<p>Isso só aconteceu em 1987, com o surgimento das <span style="color:#ff0000;">cerâmicas</span> feitas em laboratório que apresentam supercondutividade em <span style="color:#ff0000;">temperaturas críticas de 77K</span> – a temperatura do nitrogênio líquido (ver comentário em postagem anterior: Supercondutores Cerâmicos – 20 Anos).</p>
<p>Agora, com custo inferior a 10% do custo do hélio líquido e menor custo no isolamento térmico, já é possível viabilizar o aproveitamento desse fenômeno, como já estão fazendo com <span style="color:#ff0000;">eletroímãs</span> em regime supercondutor, além do projeto de <span style="color:#ff0000;">computador</span> com todas os seus circuitos elétricos funcionando como supercondutor.</p>
<p>Nós ainda não estamos convivendo com as inovações provenientes dos materiais supercondutores.</p>
<p>Porém os atuais avanços tecnológicos estão aproximando esses materiais do nosso dia-a-dia.</p>
<p>Por isso continuarei a escrever sobre esse assunto.</p></div>
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