Arquivo da Categoria ‘saúde’

ONDAS CARDÍACAS? Que onda!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Será que o ritmo cardíaco anormal pode ser explicado pelo estudo da dinâmica das ondas espirais cardíacas ?

Muitos sistemas naturais – incluindo os corações humanos, as colônias de bolor e algumas reações químicas – produzem um tipo de oscilação chamada de onda espiral.

Em recente trabalho, Zengru Di e colaboradores da Normal University de Beijing e da Universidade da Califórnia, conseguiram explicar como diferentes tipos de ondas espirais respondem a diferentes condições ambientais. 

O resultado desse trabalho poderá explicar o comportamento de arritmias anormais na atividade elétrica do coração que podem ser fatais.

 

Os estudos sobre reações químicas oscilantes revelaram que, quando ondas espirais são expostas a campos eletromagnéticos externos, as mesmas tendem a se deslocar em uma direção perpendicular ao campo.

O mais interessante é que uma onda espiral densa, no interior da qual outras ondas são hermeticamente embaladas, (diagrama superior na figura) irá se deslocar em direção oposta a uma onda espiral esparsa (diagrama inferior na figura), sob a ação do mesmo campo elétrico.

 

Zengru Di e sua equipe de trabalho utilizaram simulações numéricas para pesquisar o comportamento dos dois tipos de ondas espirais – as densas e as esparsas – em uma variedade de ambientes.

Desse modo, eles apresentam a primeira explicação teórica para a propagação diferente desses dois tipos de ondas espirais.

As ondas espirais densas tendem a ser encontradas em ambientes que é facilmente excitável, enquanto as ondas esparsas surgem em ambientes menos excitáveis.

O estudo revela como as diferentes partes do músculo cardíaco podem afetar o comportamento dos sinais elétricos associados ao seu movimento.

Quem quiser aprender mais sobre o assunto, deve consultar o artigo original.

Xu, L., Qu, Z. & Di, Z. Drifting dynamics of dense and sparse spiral waves in heterogeneous excitable media. Physical Review E 79, 036212 (2009).

DESAFIOS DA CHINA: A Questão Ambiental

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Com a abertura dos Jogos Olímpicos na próxima semana, as atenções estão focadas sobre o esforço final da China para reduzir a poluição atmosférica, limitando a utilização de automóvel em Pequim, expandindo os transportes públicos e desligando temporariamente algumas indústrias.

Agora é possível ver um pouco do azul do céu, um testemunho do esforço do país para limpar a casa antes da chegada dos hóspedes.

Porém a questão principal e mais importante é saber se estas intenções serão mantidas e até mesmo ampliadas, após o término dos jogos (Ver “Desafios da China”).

O desencontro entre os limitados recursos naturais da China e as exigências de uma enorme população (1,3 bilhões de habitantes), resultou em grande poluição ambiental que afeta diretamente a saúde pública e alimenta os conflitos sociais.

A deterioração ambiental tem sido considerada uma das mais importantes fontes de agitação social na sociedade chinesa: em 2005, havia 51.000 conflitos envolvendo os residentes locais e os poluidores com incidentes de degradação ambiental, incluindo a contaminação de águas, a produção de poeira e os deslizamentos de terras.

Além disso, a própria degradação ambiental em cconseqüência do rápido crescimento está causando importantes perdas econômicas: ao longo dos últimos 20 anos, o custo total da poluição ambiental e deterioração ecológica está estimado em torno de 7% a 20% do produto interno bruto anual (PIB).

No contexto global, a China afetará o resto do mundo tanto no aspecto econômico quanto na questão ambiental e, como reação, também será afetada.

Por essa razão, devem ser estabelecidas e implementadas estratégias inovadoras e eficazes, não só para facilitar o desenvolvimento sustentável na China, mas para contribuir responsavelmente com o futuro sustentável do mundo.

Continuarei esse assunto nas publicações seguintes.

OBS: A fonte dessas informações é Bojie Fu, professor no State Key Laboratory of Urban and Regional Ecology, Research Center for Eco-Environmental Sciences, Chinese Academy of Sciences (CAS), e Diretor-Geral do Bureau of Science and Technology for Resource and Environment, CAS, Science, 31 Jul 2008

OS DESAFIOS DA CHINA

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Por quase todos os parâmetros de medidas utilizados, o crescimento da China é extraordinário.

Porém por trás das espantosas estatísticas existe uma realidade bem mais complexa.

As discussões sobre a emergência da China como uma superpotência muitas vezes se concentram em questões de grande escala.

Isso é compreensível, pois no interior das fronteiras da China habitam mais de 1,3 mil milhões de pessoas – são 20% da população mundial, ou seja, uma em cada cinco pessoas no planeta é chinesa.

Atualmente nas áreas da ciência e da tecnologia, a China já gera mais publicações do que qualquer outro país exceto os Estados Unidos, e ocupa o terceiro lugar em número de doutoramentos premiados.

Praticamente por qualquer parâmetro de medida que você utilize, vai encontrar um extremo na China.

Por exemplo: em que lugar do planeta as autoridades teriam sequer considerado um plano para redistribuir os recursos hídricos com o desvio dos rios importantes por mais de mil quilômetros?

Mas esses números gigantes podem não significar o que parecem ser.

A atual população da China representa uma proporção menor dos habitantes do planeta do que era no século XVII.

Muitos analistas concordam que o atual crescimento econômico daquele país está em uma fase de “boom” e não deve perdurar.

Mais importante, a imagem da China como um gigante monolítico esconde uma realidade mais complexa e mais interessante.

A equipe de Rogers Hollingsworth, por exemplo, argumenta que a expansão da ciência chinesa não significa necessariamente que irá substituir os Estados Unidos como uma nova hegemonia, mas sim que irá encontrar e desempenhar uma função proeminente no interior de uma comunidade global de pesquisa mais diversificada, na qual nenhuma nação terá o domínio absoluto.

Além disso, não está claro se a força crescente da China na ciência – que cada vez mais desmente a noção de que a pesquisa nos países da Ásia carece de originalidade – irá automaticamente tornar as instituições chinesas em importantes atores em todas as fronteiras estabelecidas: o desenvolvimento de drogas, a nanotecnologia ou a ciência espacial.

As nações têm prioridades diferentes e isso é especialmente verdade para aquelas cujo desenvolvimento econômico e tecnológico é relativamente recente.

Lan Xue delineia os perigos de simplesmente competir com base em uma agenda determinada pelas superpotências científicas anteriores, com as suas regras não declaradas sobre quais são as áreas de pesquisas mais importantes e onde os resultados devem ser publicados.

Se a China fosse decidir quais são os seus interesses, digamos, um investimento maciço na produção de energia limpa – um assunto de urgência nacional, para o qual pode ser imprudente entregar a liderança do trabalho sub-financiado no Ocidente – ela tanto poderia atender as próprias necessidades quanto determinar uma ação em escala global.

Na verdade, os problemas globais que iriam ser abordados pelo prisma chinês das prioridades domésticas, formam uma lista de desejos quase perfeita.

Estas prioridades incluem a conservação de água e tratamento da poluição da água, previsão de abalos sísmicos e tecnologias para a construção resistente ao abalo sísmico, a gestão das cheias e culturas resistentes as secas – todas com ampla aplicação generalizada em qualquer outro lugar.

O mesmo procedimento deve acontecer com a saúde: os desafios domésticos da China são também os desafios do mundo.

Por exemplo, a droga antimalárica artemisina é um dos mais célebres benefícios encontrados nas ervas medicinais chinesas.

A gripe aviária ameaça ser uma epidemia doméstica da China, e a propagação da SIDA agora é reconhecida como uma questão nacional, especialmente após o escândalo das infecções por HIV dos camponeses doadores de sangue da província de Henan na década de 1990, minada pela negação oficial.

Quando o Premier Wen Jiabao foi fotografado em 2003 de mãos dadas com um portador do vírus da AIDS, pareceu claro que o governo resolveu enfrentar o problema.

Há muito mais sobre a misteriosa China que será apresentado nas publicações subsequentes.

OBS: Essas informações estão na Nature, Jul 2008.

FUNGOS DA AMAZÔNIA

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Laboratório de Bioorgânica especializado no estudo de fungos começou a funcionar neste mês de junho na Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas.

Concentrando seus esforços em pesquisas de biomoléculas, particularmente em fungos da região amazônica, os pesquisadores do Laboratório afirmam que esse interesse é determinado por uma questão muito singular: a ciência ainda não consegue estimar com segurança a quantidade de espécies de fungos existente no nosso planeta.

Genericamente são feitas referências a milhões de espécies, das quais cerca de 70% habitam a Amazônia.

Por não serem conhecidos, também não há informação sobre a função desses fungos na ecologia desta região.

Um exemplo são os fungos endofídicos que habitam as folhas das árvores e só são detectados com aparelhos adequados.

Outro interesse na identificação dos fungos é a aplicação desses organismos vivos como matéria prima de produtos voltados para a saúde do ser humano, o que também faz parte do processo biotecnológico.

O Laboratório pretende desenvolver pesquisas com substâncias de fungos que podem ser aplicadas como inseticidas naturais, biomoléculas de fungos com propriedades antibióticas e de fungos produtores de proteínas unicelulares que podem ser aplicadas para minimizar o impacto ambiental de resíduos madeireiros.

Quem estiver interessado em participar dessas pesquisas em nível de pós-graduação, pode fazer contato:

Escolar Superior de Ciências da Saúde
Av. Carvalho Leal, 1777 – Cachoeirinha – CEP 69065-001 – Edifício Adriano Jorge – Manaus/AM
Fone: (92) 3214-9701