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COMBUSTÃO QUÍMICA: Desafiando as Estatisticas

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A combustão do hidrogênio e do oxigênio desenvolve dinâmicas que as estatísticas não conseguem predizer.

A equação química da combustão do hidrogênio com oxigênio (H2 + O2 — H2O) pode parecer bastante simples, mas, na realidade, é um resumo de mais de 50 reações de combustão química.

Em particular, a reação (H + O2 — OH + O) é considerada por muitos pesquisadores como «a mais simples e importante reação de combustão”, pois caracteriza a dinâmica da combustão química.

Tem havido uma boa parte de controvérsia sobre se tal dinâmica pode ser descrita por um modelo estatístico, mas os cálculos de mecânica quântica feitos por Donghui Zhang (Academia Chinesa de Ciências em Dalian), Daiqian Xie (Nanjing University), Hua Guo (Universidade do Novo México) e colaboradores mostraram agora que isso não pode ser feito facilmente.

Na reação (H + O2 — OH + O), um radical livre (hidrogênio) produz dois radicais livres (oxigênio e hidroxila). Esses radicais livres podem reagir outra vez e produzir mais radicais e intermediários, permitindo assim que aconteça uma cadeia de reações de combustão.

Os pesquisadores estudaram o radical peridroxila HO2, um intermediário na cadeia de reações.

Eles calculam a seção transversal da reação, ou a probabilidade de que a reação de HO2 irá ocorrer (foto).

Esse resultado não concorda com as previsões estatísticas, que supõem que a formação e o decaimento do radical HO2 são eventos distintos.

De fato, o radical HO2 existe por tão pouco tempo que ele pode manter alguma ‘memória’ do seu estado inicial e, portanto, não se comporta estatisticamente.

Interessante é que comportamento não estatístico similar tem sido observado em colisões de alta energia.

Os pesquisadores esperam que essa descoberta estimule ainda mais os estudos experimentais da reação (H + O2 — OH + O).

Melhores informações:

Sun, Z. et al. State-to-state dynamics of H + O2 reaction, evidence for nonstatistical behavior. J. Am. Chem. Soc. (Out 2008)

ÁTOMO: esse desconhecido (parte 3A)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

3.A- A Teoria Atômica do Século XIX

Ao final do século XVIII, os químicos começam a considerar além das propriedades qualitativas, também os aspectos quantitativos dos resultados das reações químicas.

O químico mais proeminente na sedimentação dessa nova fase foi Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794), considerado o pai da química moderna.

Lavoisier estabeleceu em 1789, a partir do enorme conjunto de informações que acumulara em suas pesquisas, que em qualquer reação química dentro de um sistema fechado, a massa total se mantém inalterada: a massa dos reagentes é igual à massa do produto da reação.

É o princípio de conservação da massa!

No prefácio do seu livro Elementos de Química, publicado em 1789, Lavoisier escreve:

“… se, pelo termo elemento fazemos referência aos átomos simples e indivisíveis dos quais se compõe a matéria, é muito provável que não saibamos nada sobre os mesmos; porém se aplicamos o termo elemento … para expressar a idéia da menor partícula que a análise química pode alcançar, devemos admitir como elementos todas as substâncias nas quais, por qualquer meio, podemos decompor os corpos.”

E continua manifestando a sua percepção científica:

Nada nos autoriza a afirmar que essas substâncias haverão de ser consideradas tão simples que não sejam compostas de dois ou mais elementos; porém, considerando que esses elementos não podem ser separados (uns dos outros), ou até o momento não descobrimos a maneira de separá-los, essas substâncias serão considerados como substâncias simples e nunca deveríamos supô-las como compostas até que a experiência e a observação nos tenham mostrado.”

A partir do princípio de conservação da massa, ficou mais fácil medir separadamente a massa de cada componente em uma reação química.

Os trabalhos desenvolvidos pelo químico francês Joseph Louis Proust (1754-1826) nessa área, o levaram a formular, em 1797, a lei das proporções fixas ou definidas, a qual traduz o fato de sempre se encontrar a mesma proporção numérica entre as massas dos constituintes de determinada substância composta, independente de qualquer modo de preparação da substância.

Ou seja, agora era possível medir a proporção entre as massas dos componentes da substância e essa medida resultava sempre na comparação de números inteiros, nunca fracionários.

Isso significou que a lei de Proust estabeleceu uma maneira experimental para comprovar razoavelmente a hipótese atômica, tanto para admitir a existência do átomo como para garantir a sua indivisibilidade, tal qual imaginara Democritus.

OBS: Essa parte será completada com as contribuições de John Dalton e de Amedeo Avogadro.