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FÍSICA QUÂNTICA: O Gato de Schrödinger

sábado, 5 de julho de 2008

Quem estuda Física Quântica e se anima para desvendar os segredos mais profundos da natureza, em algum momento se depara com o paradoxo do “gato de Schrödinger“.

O paradoxo é apresentado em uma experiência imaginária (ou de pensamento) proposta pelo físico austríaco Erwin Schrödinger, em 1935:

Um gato é preso em uma caixa hermeticamente fechada, acompanhado de um frasco de gás venenoso e de uma partícula quântica a qual só tem dois estados de energia possíveis: E1 e E2.

Se a partícula quântica estiver no estado de energia E1 o frasco de gás pode ser quebrado, mas permanecerá intacto se a partícula estiver no outro estado de energia.

Como estará o gato quando a caixa for aberta: vivo ou morto?

Embora a caixa esteja fechada, a interpretação da física quântica – definida durante um congresso em Copenhagen em 1927 – afirma que a partícula existirá como a superposição de ambos os estados de energia simultaneamente.

Essa interpretação propõe que a partícula tem certa probabilidade de ser encontrada em algum dos dois estados de energia de tal forma que a soma das probabilidades seja 100%.

Neste caso, é possível supor que a partícula tem 50% de probabilidade de ser encontrada em cada um dos estados de energia

Em consequência, o veneno também deve estar simultaneamente liberado e contido no frasco, e, por sua vez, o gato também deve estar tanto vivo quanto morto, enquanto a caixa permanecer fechada.

Porém quando a caixa é aberta, a superposição quântica colapsa – só um dos estados de energia pode ser medido – e, em um só instante, ou o gato está morto ou está vivo.

Schrödinger não propôs esse paradoxo para ficar brincando, mas para tentar mostrar que a interpretação da Física Quântica estaria incompleta ao afirmar que as partículas microscópicas existem em um estado de superposição dos dois, ou mais estados de energia quantizada.

Albert Einstein também não estava satisfeito com essa interpretação.

Recentemente foram publicados alguns trabalhos que apresentam resultados muito interessantes no campo da Física Quântica.

Nos próximos dias apresentarei esses resultados.

OBS: Erwin Rudolf Josef Alexander Schrödinger (1887-1961)
Albert Einstein (1879-1955)

Informação no Buraco Negro: Unificar Quântica e Gravitação?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sobreviver sob a ação de um buraco negro não é fácil.

Simulações sugerem que quanto mais próximo dele, maior será a aceleração gravitacional.

Por exemplo: se a distância for 100 vezes o raio do buraco negro, a aceleração será 15 milhões de vezes maior que a aceleração g na superfície da Terra.

A aceleração aumentará para 9 bilhões de g se a distância diminuir para 4,5 vezes o raio do buraco negro. E assim por diante.

Mas os cálculos feitos por Abhay Ashtekar da Universidade Estadual da Pennsylvania, e seus colaboradores, sugerem que, sob certas condições, a informação quântica poderia sobreviver.

Essa equipe de físicos imagina o espaço-tempo como tendo fundamentalmente uma estrutura quântica.

Considerada desta forma, um ponto do buraco negro com massa infinita e atração gravitacional, conhecida como a “singularidade” do buraco negro, desaparece, evapora-se e as flutuações quânticas podem viajar direto através do núcleo do buraco negro.

Este resultado é importante porque atende a um princípio básico estipulado pela mecânica quântica: a informação quântica é sempre conservada.

Os autores esperam que o seu trabalho possa, um dia, ajudar a unificar a mecânica quântica com as teorias da gravidade, fato ainda hoje impossível.

OBS: Em 1975 Steve Hawking publicou um trabalho apresentando o “paradoxo da perda de informação” quando um buraco negro primordial evapora [S.W.Hawking, Comm.Math.Phys.43, 199 (1975)].

Mais informações: Phys. Rev. Lett. 100, 211302 (2008)
Foto colada de UTE KRAUS em “Step by step into a Black Hole”, 2004-2005