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AMAZÔNIA: Como desenvolver sem destruir?

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Em entrevista publicada no jornal a Crítica de domingo, 24 de maio, o Arcebispo de Manaus e atual vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Luiz Soares Vieira, comenta alguns pontos relacionados com o ambiente da região amazônica.

Na questão ambiental, Dom Luiz refaz perguntas que ainda continuam difíceis de ser respondidas:

Como vamos desenvolver esta região sem deteriorar o ambiente?

Que modelo de desenvolvimento deve ser efetivado de tal modo que as populações desta região tenham condições de viver econômica e socialmente bem, sem destruir a própria casa que oferece água e florestas?

A proposta básica trazida por Dom Luiz é que “para preservar as florestas e a água é preciso colocar nas mãos do povo o resultado das pesquisas sobre a Amazônia e não nas mãos dos grandes laboratórios“.

Comentando a atual situação do desmatamento, o Bispo confirma que a soja está invandindo a Amazônia pelo sul do Pará e do Amazonas, trazendo violência e morte, semelhante ao que ocorreu e continua acontecendo em outras regiões brasileiras.

Afirma que na escolha do modelo de desenvolvimento de qualquer região, é necessário fazer o balanço do custo benefício de longo prazo.

Se na Amazônia temos água e florestas que, no médio e longo prazos, são de uma riqueza inestimável, vale a pena destruir esse ambiente para plantar soja, ou qualquer outra monocultura, cujo valor fica ao sabor do mercado mundial?

Além disso, a riqueza imediatista trazida por essas monoculturas fica nas mãos de poucos, concentrada com os proprietários. Com a soja, em particular, a maior parte do trabalho é mecanizado e poucas pessoas são contratadas durante todo o processo de produção.

É bom lembrar que a ocupação desordenada e destruidora no sul da região amazônica também acontece com a introdução da bovino cultura.

Na opinião dele “o que falta para a Amazônia é um projeto de desenvolvimento global da região“.

Considera que as universidades e institutos de pesquisas da região asssociados com as representações da sociedade organizada devem discutir e decidir quais devem ser as regiões que precisam ser preservadas.

Realmente o desenvolvimento da região amazônica sem a conseqüente destruição, precisa estar na pauta de qualquer programa de governo, ou de empresários, para este primoroso pedaço de Mundo.

As civilizações originais desta região, os chamados índios atrasados, aqui viveram por cerca de 10 mil anos e desenvolveram culturas não destrutivas para a água e as florestas.

A nossa civilização avançada, mal completou 500 anos e já se encontra nesse terrível dilema.

É IMPRESSIONANTE!!!!

É bem possível que o conhecimento sobre esta região esteja bem melhor desenvolvido nas atitudes das populações que habitam nas beiras dos rios e que tiram a sobrevivência diária da água e das florestas.

OBS: a foto acima registra o rio Negro em frente à cidade de Manaus no meio do período de cheia, mostrando o perfil da floresta do outro lado a mais de 6 km; aí estão presentes os três elementos da natureza: a água, a floresta e o ser humano.