Arquivo da Categoria ‘metamateriais’

REFRACAO NEGATIVA: de volta para o Futuro.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

As ondas refratam alterando o ângulo de propagação ao passarem de um meio físico para outro e o grau de refração depende da relação entre os índices de refração dos dois meios.

Na natureza, todos os materiais apresentam refração positiva.

Todavia, trabalhos recentes têm mostrado materiais novos feitos em laboratório, os metamateriais, que apresentam índice de refração negativo.(Ver “Manto da Invisibilidade”)

Uma das mais atrativas aplicações está na capacidade de manipular a radiação eletromagnética com esses materiais para produzir a lente perfeita e a invisibilidade perfeita.

No entanto, as limitações sobre a fabricação desses metamateriais inevitavelmente causam perdas, o que pode limitar severamente a sua execução.

Um trabalho teórico muito interessante foi publicado na revista Science de 03 de outubro de 2008 (volume 322, número 5898).

Associando processos de reversão do tempo com a refração negativa, J. B. Pendry discute uma rota alternativa que pode superar essas perdas limitadoras.

Em materiais oticamente ativos, ele explora as transições entre freqüências positivas e negativas – utilizando as propriedades óticas não-lineares corretas – e mostra como imitar a refração negativa, sem as perdas associadas com os metamateriais de refração negativa.

INFORMAÇÃO: Preenchendo a lacuna Terahertz

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Os instrumentos e equipamentos desenvolvidos pela tecnologia eletro-eletrônica dos últimos 100 anos, funcionam em função das características físicas dos seus componentes eletrônicos.

Uma dessas características é a freqüência eletromagnética utilizada para enviar ou receber informações.

Em freqüências abaixo de algumas centenas de gigahertz (GHz), os elétrons são os portadores de informação preferidos.

Já para as freqüências acima de alguns terahertz (THz) – incluindo as radiações no infravermelho (entre 300GHz e 400THZ), no visível (entre 400THZ e 790THz) e no ultravioleta (entre 790THZ e 30.000THZ – abaixo do Raio-X) – prevalecem as tecnologias ópticas.

A gama de freqüências situada entre esses dois limites, é referida como a lacuna THz, porque os materiais naturais não apresentam boa resposta nesse intervalo de freqüência

Por causa disso, ficam sem solução várias aplicações de interesse nas áreas de biosensoriamento, imagem, comunicação e segurança,.

Para ajudar a preencher essa lacuna, a equipe de Tao apresentou um metamaterial – uma estrutura artificial na qual a resposta electromagnética pode ser definida com um projeto arquitetônico – que tem forte resposta na lacuna THz.

Arquitetando uma estrutura em duas camadas de um composto metálico split-ring resonators, fios, e um poliimida spacer, eles mostram que a resposta da permissividade elétrica e da susceptibilidade magnética podem ser sintonizadas em separado.

Esses materiais arquitetados ilustram o potencial de acesso a uma faixa de freqüência normalmente inacessível aos materiais naturais.

Mais informações no Opt. Express 16, 7181 (2008).

MANTO DA INVISIBILIDADE – 2

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Para ajudar a entender melhor a informação anterior sobre o comportamento da luz nos metamateriais com índice de refração negativo, apresento duas figuras que esquematicamente representam o efeito da refração da luz nesse tipo de material artificial.

Figura 1
As linhas pretas neste desenho mostram os trajetos que os raios luminosos fariam através do dispositivo teórico do “manto da invisibilidade” (cloaking). O dispositivo feito com metamaterial é modelado de tal maneira que distribui os raios de luz em torno da esfera, formando o “manto invisível”.

Figura 2 O diagrama mostra a interpretação teórica de como os raios de luz podem ser curvados em torno de um objeto escondido, fazendo parecer como se um observador estivesse vendo diretamente através do objeto, o qual parece não estar naquele local.
OBS: Essas figuras foram copiadas de Alan Boyle em www.msnbc.msn.com.

MANTO DA INVISIBILIDADE

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Vários pesquisadores dizem que estão identificando novos tipos de materiais que podem vestir um manto de invisibilidade em torno dos objetos, realizando uma fantasia tão velha quanto os antigos mitos (o chapéu do deus grego Hermes, ou do romano Mercúrio) e tão recente quanto os filmes de “Star Trek” (o dispositivo das naves de Romulus e Klingon) e as novelas de J. K. Rowllings (o manto de Harry Potter).

“Nós estamos confiantes de que nas atuais freqüências do radar, estes materiais podem ser implementados em mais ou menos 18 meses”, diz John Pendry da Faculdade Imperial de Londres.

Os materiais artificiais, ou os metamaterials, com respostas elétricas e magnéticas ajustáveis, podem apresentar um índice de refração negativo fazendo com que a radiação eletromagnética seja desviada no sentido oposto daquele que ocorre nos materiais naturais (vidro, água etc…).

Por essa razão são capazes de apresentar outros efeitos tais como o da superlente e o manto da invisibilidade (cloaking), os quais têm sido demonstrados para comprimentos de ondas mais longos, ou menores freqüências.

Recentemente a equipe de Henri J. Lezec (Science, pág. 430, 22 março 2007) demonstrou o índice de refração negativo para a luz visível entre o verde e o azul.

Esse resultado experimental potencializa a construção de dispositivos práticos, tais como superlentes, para esta região importante de comprimento de onda.

Superlentes: superando as limitações óticas

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Com todo o avanço científico e tecnológico atual, a resolução espacial de um microscópio ótico convencional continua limitada pelo efeito da difração a um valor da ordem de 200 nanômetros (200 m/ 1.000.000.000), e isso nos impede de enxergar claramente todos os objetos com dimensões menores que esse valor, como é o caso das moléculas e dos átomos.

Essa limitação ótica tem incentivado a pesquisa na procura da “superlente” baseada nos metamaterials especialmente estruturados e projetados para exibir um índice de refração negativo, o que poderá superar essa limitação.

Entretanto, as superlentes planares apresentadas até o momento não podem fornecer essa ampliação e isso tem obrigado os pesquisadores a procurarem alternativas. Aqui estão as duas mais recentes pesquisas apresentadas na revista SCIENCE, Volume 315, Edição 5819, publicada em 23 Março 2007.

O pesquisador Smolyaninov e seus colaboradores (pág. 1699) descrevem uma “superlente” ampliadora baseada na propagação do plasma superficial de polaritons.

O objeto a ser focado e ampliado é colocado dentro da região central de sua lente, uma estrutura de círculos concêntricos feitos de um polímero depositado sobre um substrato de ouro.

A luz incidente é dispersada para fora do objeto e cria o plasma de polaritons na superfície da película de ouro. Com a lente estruturada e projetada corretamente, o plasma de polaritons se propaga radialmente para fora através da “lente” de círculos concêntricos.

Dessa maneira a imagem ampliada do objeto pode ser vista no círculo mais externo com um microscópio ótico convencional.

Por sua vez, a equipe Liu (pág. 1686) usou multicamadas curvadas com espessuras na escala nanométrica (1m/1.000.000.000) feitas com prata e alumina para criar a superlente que projeta a imagem de um objeto em uma superfície distante, onde pode ser vista com um microscópio ótico convencional.

Talvez uma dessas “superlentes” consiga concretizar a possibilidade de ensergarmos com muito maior e melhor precisão as partículas que atualmente estão inacessíveis ao nosso olhar.

OBS: 1- a limitação dos atuais microscópios óticos é determinada pela metade do menor comprimento da luz visível – luz violeta – o qual mede cerca de 400 nanômetros.

2- 1,0 nanômetro é igual a 1,0 metro dividido por 1,0 trilhão, ou seja, é a trilhonésima parte de um metro; é nessa escala que são medidos os tamanhos dos átomos, por exemplo.