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OS DESAFIOS DA CHINA

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Por quase todos os parâmetros de medidas utilizados, o crescimento da China é extraordinário.

Porém por trás das espantosas estatísticas existe uma realidade bem mais complexa.

As discussões sobre a emergência da China como uma superpotência muitas vezes se concentram em questões de grande escala.

Isso é compreensível, pois no interior das fronteiras da China habitam mais de 1,3 mil milhões de pessoas – são 20% da população mundial, ou seja, uma em cada cinco pessoas no planeta é chinesa.

Atualmente nas áreas da ciência e da tecnologia, a China já gera mais publicações do que qualquer outro país exceto os Estados Unidos, e ocupa o terceiro lugar em número de doutoramentos premiados.

Praticamente por qualquer parâmetro de medida que você utilize, vai encontrar um extremo na China.

Por exemplo: em que lugar do planeta as autoridades teriam sequer considerado um plano para redistribuir os recursos hídricos com o desvio dos rios importantes por mais de mil quilômetros?

Mas esses números gigantes podem não significar o que parecem ser.

A atual população da China representa uma proporção menor dos habitantes do planeta do que era no século XVII.

Muitos analistas concordam que o atual crescimento econômico daquele país está em uma fase de “boom” e não deve perdurar.

Mais importante, a imagem da China como um gigante monolítico esconde uma realidade mais complexa e mais interessante.

A equipe de Rogers Hollingsworth, por exemplo, argumenta que a expansão da ciência chinesa não significa necessariamente que irá substituir os Estados Unidos como uma nova hegemonia, mas sim que irá encontrar e desempenhar uma função proeminente no interior de uma comunidade global de pesquisa mais diversificada, na qual nenhuma nação terá o domínio absoluto.

Além disso, não está claro se a força crescente da China na ciência – que cada vez mais desmente a noção de que a pesquisa nos países da Ásia carece de originalidade – irá automaticamente tornar as instituições chinesas em importantes atores em todas as fronteiras estabelecidas: o desenvolvimento de drogas, a nanotecnologia ou a ciência espacial.

As nações têm prioridades diferentes e isso é especialmente verdade para aquelas cujo desenvolvimento econômico e tecnológico é relativamente recente.

Lan Xue delineia os perigos de simplesmente competir com base em uma agenda determinada pelas superpotências científicas anteriores, com as suas regras não declaradas sobre quais são as áreas de pesquisas mais importantes e onde os resultados devem ser publicados.

Se a China fosse decidir quais são os seus interesses, digamos, um investimento maciço na produção de energia limpa – um assunto de urgência nacional, para o qual pode ser imprudente entregar a liderança do trabalho sub-financiado no Ocidente – ela tanto poderia atender as próprias necessidades quanto determinar uma ação em escala global.

Na verdade, os problemas globais que iriam ser abordados pelo prisma chinês das prioridades domésticas, formam uma lista de desejos quase perfeita.

Estas prioridades incluem a conservação de água e tratamento da poluição da água, previsão de abalos sísmicos e tecnologias para a construção resistente ao abalo sísmico, a gestão das cheias e culturas resistentes as secas – todas com ampla aplicação generalizada em qualquer outro lugar.

O mesmo procedimento deve acontecer com a saúde: os desafios domésticos da China são também os desafios do mundo.

Por exemplo, a droga antimalárica artemisina é um dos mais célebres benefícios encontrados nas ervas medicinais chinesas.

A gripe aviária ameaça ser uma epidemia doméstica da China, e a propagação da SIDA agora é reconhecida como uma questão nacional, especialmente após o escândalo das infecções por HIV dos camponeses doadores de sangue da província de Henan na década de 1990, minada pela negação oficial.

Quando o Premier Wen Jiabao foi fotografado em 2003 de mãos dadas com um portador do vírus da AIDS, pareceu claro que o governo resolveu enfrentar o problema.

Há muito mais sobre a misteriosa China que será apresentado nas publicações subsequentes.

OBS: Essas informações estão na Nature, Jul 2008.