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O Futuro da Economia: Como serão os modelos?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A atual instabilidade da economia mundial escancara aos olhos a às mentes que a dependência dos modelos econômicos baseados em axiomas incorretos e dogmatizados, apresenta efeitos claramente danosos e de alcance planetário.

O modelo Black-Scholes, por exemplo, que foi inventado em 1973 para as opções de preços de produtos, é ainda amplamente utilizado, apesar da atual configuração da economia ser muito mais complexa.

Além disso, esse modelo pressupõe que a probabilidade de mudanças extremas dos preços é insignificante, quando, na realidade, os preços das ações apresentam flutuações caóticas que superam muito os limites suportados pelo modelo.

Há vinte e um anos atrás, o uso indevido do modelo espiralou drasticamente na quebradeira de outubro de 1987 em todo o mundo: em um único dia o índice Dow Jones despencou 23%.

Só isso mostra o nanismo dos recentes soluços do mercado ao mesmo tempo que coloca um sinal vermelho de pânico mediante do que ainda pode acontecer na presente conjuntura.

Ironicamente, foi a própria utilização de um modelo livre de quebradeira que ajudou a desencadear uma quebradeira no mercado de ações.

Apesar disso, os autores desse modelo foram agraciados com o Nobel de Economia em 1997!!!!

Desta vez, o problema reside, em parte, no desenvolvimento de produtos financeiros estruturados os quais empacotam um suposto baixo risco em investimentos de alto rendimento aparentemente respeitáveis e seguros.

Fica então comprovado que os modelos utilizados para definir os preços desses produtos estão fundamentalmente errados: subestimaram a probabilidade de que múltiplos mutuários falhassem no pagamento dos empréstimos simultaneamente.

Esses modelos novamente negligenciaram a real possibilidade de uma crise global, inclusive uma crise iniciada com a própria contribuição.

Surpreendentemente, a economia clássica não tem referencial através do qual possa entender os “mercados selvagens“, embora a sua existência seja tão evidente para os leigos.

A Física, por outro lado, tem desenvolvido vários modelos que explicam como as pequenas perturbações podem conduzir a efeitos selvagemente devastadores.

A teoria da complexidade mostra que embora um sistema possa ter um estado fisicamente otimizado, às vezes é tão difícil de identificá-lo que o sistema nunca se encontra nesse estado.

Esse estado otimizado não é só ilusório, também é hiper-frágil mesmo diante de pequenas alterações no ambiente e, por isso, na maioria das vezes é irrelevante para a compreensão do que está acontecendo em certo fenômeno.

Há boas razões para considerar que este paradigma deve ser aplicável aos sistemas econômicos em geral e aos mercados financeiros em particular.

Temos de romper com a economia clássica e avançar no desenvolvimento de ferramentas estruturadas em modelos mais realistas e capazes de prever o largo espectro do atual e do futuro comportamento da economia em âmbitos local e mundial.

Alguns economistas comportamentais e ecônomo-físicos estão tentando fazer isso agora, de uma forma desigual, mas os seus frágeis esforços não são levados a sério pelos gurus da economia.

Enquanto o trabalho é feito para renovar os modelos econômicos, a regulamentação do esplêndido negócio de papeis também precisa melhorar e muito.

Antes de serem lançadas no mercado as inovações em produtos financeiros deverão:

A) ser comprovadamente bem analisadas pelos agentes financeiros;

B) ter suas resistências testadas contra cenários extremos fora do reino dos modelos atuais e, muito importante,

C) ser aprovadas por agências independentes, tal como é feito com outras indústrias potencialmente letais (química, farmacêutica, aeronáutica, energia nuclear).

É crucial a mudança de mentalidade das pessoas que trabalham em economia e engenharia financeira.
Um passo importante seria reconhecer que os currículos das escolas de economia necessitam incluir mais ciências naturais.

Sem qualquer pretenção dogmática, para que as transformações econômicas garantam melhor estabilidade econômica de longo prazo, devem estar apoiadas em dois pré-requisitos:

1- o desenvolvimento de uma representação (ou abordagem) mais pragmática e realista a respeito do que está acontecendo nos mercados financeiros, e

2- centralização do controle nas informações obtidas das medidas do comportamento da economia, as quais deverão sempre substituir as equações perfeitas e os axiomas estéticos.

É preciso REVOLUCIONAR a Economia Mundial!!!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Há muito tempo “os deuses da engenharia financeira” têm colocado muita fé em axiomas econômicos não testados e nos modelos de economia equivocados.

Para impedir a devastação econômica mundial, é preciso acabar com essa incompetência, é necessário alterar urgentemente esse procedimento.

Comparando com a Física, parece justo afirmar que o sucesso quantitativo das ciências econômicas tem sido extremamente decepcionante.

Os físicos têm garantido que os foguetes voem para a Lua, que a energia seja extraída de mínimas variações de massa atômica, que haja maior precisão nos dignósticos de doenças etc…

E os economistas? Qual é a realização emblemática da economia no nosso planeta?

Só a sua recorrente incapacidade de prever e evitar crises, incluindo a atual quebra de crédito em âmbito mundial.

Por que isto acontece?

Claro que, parafraseando Isaac Newton, criar um modelo para a loucura das pessoas é muito mais difícil do que modelar o movimento dos planetas.

Mas as regularidades estatísticas devem emergir do comportamento das grandes populações, tal como a lei dos gases ideais emerge a partir do caótico movimento das moléculas individuais do mesmo.

Para mim, a diferença crucial entre os modelos em física e em economia reside na forma de como são tratados os campos relativos das funções dos conceitos, das equações e dos dados empíricos.

A economia clássica está alicerçada sobre muitos pressupostos poderosos que rapidamente se tornam axiomas, como:

1- acredita-se na racionalidade dos agentes econômicos (a premissa de que cada agente econômico, seja uma pessoa ou uma empresa, age para maximizar seus lucros);

2- acredita-se na «Mão Invisível» (que os agentes, na defesa dos seus próprios lucros, são levados a fazer aquilo que é melhor para a sociedade como um todo);

3- acredita-se na eficiência do mercado (que os preços do mercado refletem fielmente todas as informações conhecidas a cerca dos ativos).

Certa vez ouvi de um economista, para meu espanto: “Estes conceitos são tão fortes que eles substituem qualquer observação empírica“.

Isso lembra o argumento do economista Robert Nelson em seu livro “Economia e Religião” (Pennsylvania State Univ. Press, 2002): o mercado tem sido divinizado.

Os físicos, por outro lado, aprenderam a suspeitar dos axiomas.

Se uma observação empírica é incompatível com um modelo, o modelo deve ser alterado ou ir para a lixeira, mesmo que seja conceitualmente bonito ou matematicamente conveniente.

Na história da física está registrado que muitas idéias (modelos) aceitas durante algum tempo estavam erradas, por isso os físicos cultivam a crítica e desconfiam dos seus próprios modelos.

Infelizmente, essas saudáveis revoluções científicas ainda não aconteceram na economia, onde as idéias são solidificadas em dogmas.

Estes acabam sendo perpetuados através do sistema educacional: os alunos não questionam as fórmulas que podem usar sem pensar.

Embora ao longo das últimas décadas, muitos físicos tenham sido recrutados por instituições financeiras, eles parecem esquecer a metodologia das ciências naturais na medida em que absorvem e regurgitam os dogmas econômicos existentes.

A suposta onisciência e a perfeita eficácia do livre mercado é reminiscência do mundo econômico das décadas de 1950 e 1960, o qual, retrospectivamente, manipulava mais com a propaganda anticomunista do que com uma ciência plausível.

Na realidade, os mercados não são eficientes, pois os humanos tendem a focar excessivamente nas ações de curto prazo e a ficar cegos no longo prazo e os erros são amplificados de tal forma que levam, em última análise, à irracionalidade, ao pânico e à quebradeira geral.

Os livres mercados de fato são mercados selvagens.

XIII OLIMPÍADA IBERO-AMERICANA DE FÍSICA: Estudantes Brasileiros são Campeões

terça-feira, 14 de outubro de 2008

ESTUDANTES BRASILEIROS CONQUISTAM TRÊS MEDALHAS DE OURO E UMA DE PRATA E SÃO OS CAMPEÕES DA XIII OLIMPÍADA IBERO-AMERICANA DE FÍSICA. (ver “Olimpiada Internacional de Fisica”)

A disputa aconteceu na cidade de Morelia, no México, no período de 28 de setembro até 3 de outubro de 2008, tendo 68 estudantes de 19 paises participando.

A equipe brasileira – acompanhada pelo Prof. Carlito Lariucci, do Instituto de Física da Universidade Federal de Goiás – foi composta pelos estudantes:

1- Ceará – Mariana Quezado Costa Lima – Medalha de Ouro – George Gondim Ribeiro – Medalha de Ouro – e Deric de Albuquerque Simão – Medalha de Prata;

2- São Paulo – Leonardo Mendes Valerio Almeida – Medalha de Ouro.

Os estudantes brasileiros participam dessas Olimpíadas desde 2000 e já foram campeões em 2004 e 2005 quando conquistaram 2 medalhas de ouro, 1 medalha de prata e 1 medalha de bronze.

Neste ano, a equipe obteve a melhor nota nas provas experimental e teórica e a primeira posição na classificação geral.

No Brasil, a seleção e preparação dessas equipes é resultado da Olimpíada Brasileira de Física desenvolvida todo ano pela Sociedade Brasileira de FísicaSBF.

PARABÉNS PARA TODOS!!!!!!!

Olimpíada Internacional de Física: Brasileiro Conquista a Medalha de Prata

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Estudantes Brasileiros Conquistam Medalha Inédita e Menções em Olimpíada Internacional de Física.

A equipe Brasileira conquistou, na 39ª International Physics Olympiad (IPhO):

- uma Medalha de Prata inédita (Guilherme V. Alves da Costa – SP);

- uma Medalha de Bronze (Alex Atshushi Takeda – PR);

- duas Menções Honrosas (André Gentil G. Agostinho – PE e Rafael Parpinel Carvina – SP).

A IPhO ocorreu em julho último em Hanói, Vietnã, e dela participaram 381 estudantes de 82 paises.

Nossa equipe, selecionada e preparada pela Olimpíada Brasileira de Física (OBF) com a supervisão do Prof. Euclydes Marega (IFSC – USP/S.Carlos) e Coordenadores Estaduais, contou ainda com a participação do aluno Vitor Mori (SP).

O Brasil participou pela primeira vez da IPhO em 2000, quando não obteve premiação.

Desde então, a equipe de professores da OBF, responsável pela preparação dos estudantes, vem aprimorando sua forma de atuação e, em conseqüência, temos conquistado Medalhas de Bronze e Menções Honrosas, sendo, no entanto, a primeira vez que trouxemos Medalha de Prata.

Com essa conquista o Brasil ficou à frente de vários países da Europa e classificou-se como o melhor entre os paises latino-americanos.

Em seguida ficou Cuba, que tem uma longa tradição neste tipo de evento e que nesta IPhO conquistou uma Medalha de Bronze.

A OBF, como se sabe, é um programa da Sociedade Brasileira de Física (SBF), destinado aos estudantes do ensino médio e último ano do ensino fundamental, e que conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os estudantes que formaram a equipe brasileira para a 39ª IPhO iniciaram sua maratona de estudos em 2006, na primeira série do ensino médio e tiveram as melhores classificações entre os 65.000 (sessenta e cinco mil) alunos que participaram da OBF2006.

Durante 2007 e o primeiro semestre de 2008 foram orientados por professores, participaram de estágio na USP e fizeram provas teóricas, experimentais e orais, até serem selecionados.

Além da preparação e seleção dos estudantes a OBF vem, em alguns estados, patrocinando Oficinas e Encontros de Professores para discussão do ensino de Física, e dando apoio aos estudantes de escolas públicas com acompanhamento e discussões sobre a Física em sala de aula bem como editando textos didáticos com problemas e soluções.

A OBF tem buscado, nestes nove anos de atuação, tornar-se um instrumento de diagnóstico do ensino de Física nos níveis médio e fundamental e mostrado ser um eficiente meio das Universidades, envolvidas com o Projeto, se aproximarem das escolas e professores desses níveis de ensino.

A participação na OBF tem crescido a cada ano: em 2007, foram 130.000 (cento e trinta mil) estudantes e este ano o número de inscritos ultrapassa os 300.000 (trezentos mil) em todo País.

Parabéns a nossa delegação, aos Colégios e Professores que apóiam a Olimpíada Brasileira de Física e dela participam, e a toda a equipe – Coordenadores Estaduais, Secretaria da OBF- que fez o acompanhamento e preparação dos estudantes.

A próxima Olimpíada Internacional de Física que o Brasil participará por intermédio da Olimpíada Brasileira de Física será a XIII Olimpíada Ibero-Americana de Física (OIbF) que acontecerá no México em final de setembro próximo.

A nova equipe já está formada e a ela desejamos sucesso.

José David M. Vianna – Presidente da Comissão da OBF – Sociedade Brasileira de Física.(david@ufba.br)

SUPERCONDUTIVIDADE: Alta Temperatura 2

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Continuam efervescentes as pesquisas experimentais por materiais que apresentem o efeito de supercondução de corrente elétrica em temperaturas cada vez mais elevadas.

O objetivo é descobrir um processo físico que produza esse efeito o mais próximo possível da temperatura ambiente: cerca de 303 Kelvin, ou 30 graus Celsius.

Em 1986 foi alcançada a temperatura de 77 Kelvin (-296 graus Celsius) com a liga cerâmica BaLaCuO desenvolvida em laboratório.

Porém, o progresso que parecia evidente foi adiado, porque não se encontrou meios científicos e tecnológicos para superar a baixa intensidade da densidade de corrente necessária para produzir e manter o estado de supercorrente nesse material (ver publicação de 26. junho.2008).

Atualmente, há um novo material feito em laboratório combinando o óxido de ferro com elementos químicos de terras raras - os lantanideos – que tem apresentado características supercondutoras muito interessantes.

No início de 2008, uma equipe de pesquisadores do Japão (Ref 1) anunciou o primeiro material supercondutor com óxido de ferro, LaFeAsO(1-x)Fx, com temperatura de transição igual a 26 Kelvin.

Três meses depois, uma equipe da China (Ref 2) publicou os resultados obtidos com um material supercondutor com óxido de ferro, mas trocando o lantanium (La) pelo samarium (Sa) – SaFeAsO(1-x)Fx – com temperatura de transição igual a 43K.

Agora outra equipe chinesa (Ref 3), liderada por Nanlin Wang e trabalhando na Chinese Academy of Sciences em Beijing (Pequim), comunicou a identificação de outro material supercondutor com óxido de ferro, desta vez trocando o samarium (Sa) pelo cerium (Ce) – CeFeAsO(1–x)Fx – cuja temperatura de transição é 41K.

Os pesquisadores testaram a resistividade elétrica do novo material dopado com várias quantidades de flúor (verfigura abaixo) submetido a temperaturas desde muito próximas do zero absoluto (zero Kelvin) até a temperatura ambiente (próximo de 300K).

A resistividade do composto sem flúor (curva preta no gráfico) exibiu um pico alto incomum para a temperatura de 145 Kelvin, mas isso foi atribuído a instabilidades na onda de densidade de spin – o estado fundamental dos metais.

Quanto mais flúor foi adicionado ao material, maior foi o decréscimo da resistividade, até que a quantidade de flúor atingiu a proporção ideal e a temperatura de transição alcançou os 41 Kelvin (curva ciano).

Esse valor da temperatura de transição é maior do que o previsto pela teoria clássica da supercondutividade, a famosa teoria BCS (iniciais dos sobrenomes dos três autores: Bardeen, Cooper e Schrieffer).

Segundo os autores, parece que a dopagem com o flúor adiciona elétrons extras que eliminam a instabilidade da onda de densidade de spin e produz o estado de supercondução.

Os pesquisadores também consideram uma função potencialmente importante para os elétrons externos do cerium.

Essas novas interações estão se tornando o interesse central na pesquisa de materiais supercondutores com alta temperatura de transição.

Referências:

1- Kamihara, Y., Watanabe, T., Hirano, M. & Hosono, H. Iron-based layered superconductor La[O1-xFx]FeAs (x = 0.05–0.12) with Tc = 26 K. J. Am. Chem. Soc. 130, 3296–3297 (2008). Article

2- Chen, X. H. et al. Superconductivity at 43 K in SmFeAsO1-xFx. Nature 453, 761–762 (2008). Article

3- Chen, G. F. et al. Superconductivity at 41 K and its competition with spin-density-wave instability in layered CeO1-xFxFeAs. Phys. Rev. Lett 100, 247002 (2008). Article

NOVO COMBUSTÍVEL: Armadilha de Fótons

sábado, 12 de julho de 2008

Há muito tempo os químicos tentam recriar a fotossíntese em laboratório e aumentar a eficiência de conversão da luz solar em combustível limpo.

As células solares recebem a luz do Sol e produzem uma corrente elétrica, de maneira instantânea, mas, assim que o sol se põe, a células solares ficam inativas.

Essa limitação só pode ser superada se a energia solar for armazenada em baterias, no entanto esse processo ainda é muito caro!

Por essa razão os químicos perguntam: será possível transformar a luz solar em combustível?

A natureza já faz isso através da fotossíntese: as plantas verdes misturam água, luz solar e dióxido de carbono para fazer açúcares e amidos e isto fornece todo o combustível de que necessitam.
Esse é um tipo de combustível que também precisamos muito, sob a forma de alimentos ou de petróleo.

O problema é que as plantas não são muito eficientes em produzir esse combustível: apenas cerca de 3% da energia do sol é convertida em combustível utilizável.

E o combustível que serve para as plantas não necessariamente funciona para nós: os amidos e açúcares têm de ser tratados posteriormente se as nossas necessidades são mais sofisticadas do que simplesmente comer e depois expelir as sobras.

Mas as plantas têm uma especialidade que precisamos aprender com elas: retirar elétrons da água para produzir combustível.

Enquanto o sistema fotovoltaico, ou célula solar, é um processo que produz corrente elétrica deslocando os elétrons de um lugar para outro, para produzir combustível com a fotossíntese os elétrons precisam ser retirados da água e armazenados em ligações químicas.

As plantas obtêm o seu suprimento eletrônico da água e ao redor do mundo os químicos estão tentando projetar sistemas sintéticos que façam o mesmo.

E o projeto que eles têm de superar ou, pelo menos, imitar, não só funciona em temperatura ambiente como também não necessita de metais catalisadores caros.

Produzir algo tão barato e similar as máquinas utilizadas pelas plantas continua sendo um desafio fundamental.

Alguns químicos estadunidenses, encarando esse desafio, fazem parte de um esforço de colaboração chamado Powering the Planet (Energizando o Planeta), apoiado pela National Science Foudation (Fundação Nacional de Ciência) do Estados Unidos.

O cerne do projeto é constituído por três problemas químicos básicos, cada um abordado por uma equipe de pesquisadores.

1- Conceber um material acessível para coletar energia do Sol e convertê-la em corrente elétrica (a equipe responsável é liderada por Nate Lewis, no Caltech – California Institute of Technology).

2- Aperfeiçoar um catalisador na extremidade do material para separar água e produzir oxigênio (essa equipe é liderada por Dan Nocera, no MIT – Massachusetts Institute of Technology).

3- Conceber outro catalisador para a outra extremidade do material para produzir hidrogênio, o qual será utilizado como combustível (a equipe é liderada por Harry Gray, também no Caltech).

Iniciado em 2006, esse programa continua em pleno desenvolvimento e isso será apresentado nas próximas publicações.

SPINTRÔNICA: Reviravolta do Silício (Parte 1)

sábado, 28 de junho de 2008

Durante décadas, o silício - pelas propriedades óticas e elétricas de semicondutor – tem sido o material dominante na eletrônica convencional à base do transporte de carga elétrica.

Uma reviravolta nas pesquisas está fazendo o silício reunir as condições para entrar no domínio da spintrônica, onde a nova moeda é o spin do elétron.

Os computadores modernos apresentam sérios desafios para a eletrônica convencional baseada na tecnologia do silício.

A crescente demanda sobre a velocidade dos processadores, a capacidade das memórias de armazenamento de dados e a potência de consumo estão forçando os pesquisadores a adentrar em territórios ainda não explorados para melhorar o desempenho desses dispositivos.

No âmbito destas iniciativas, APPELBAUM e sua equipe apresentam um desenvolvimento possivelmente decisivo: a primeira demonstração do transporte e manipulação coerente dos spins dos elétrons no silício.

Na eletrônica de spin, ou spintrônica, a informação é representada pelo spin e pela direção da correspondente magnetização.

Os materiais ferromagnéticos, tais como o ferro ou o cobalto, têm uma magnetização finita, porque a maior parte dos spins dos elétrons estão orientados no mesmo sentido ou em sentido oposto ao eixo de magnetização, dependendo do material.

Essa direção da magnetização persiste sem ação externa, e, portanto, é estável.

Por esse motivo, muitas aplicações da spintrônica baseadas em nanoestructuras de metais ferromagnéticos – tais como os discos rígidos magnéticos e, mais recentemente, as memórias magnéticas de acesso aleatório (MRAMs) – já mostraram o alcance comercial.

Porém há outras aplicações – tais como a lógica reprogramável – em que a spintrônica ainda não conseguiu superar muitas dificuldades.

Para que isso aconteça, a spintrônica tem que conquistar o silício – material abundante, barato e entrincheirado na eletrônica convencional para os semicondutores.

Supõe-se que o spin dos elétrons do silício consegue sobreviver por tempo suficientemente longo para permitir a persistência da informação “spin-codificada”.

Desse modo, os dispositivos à base de silício poderiam oferecer melhorias significativas nos transistores de spin propostos e nos esquemas de computação quântica fundamentados na spintrônica.

No entanto, a demonstração dos ingredientes básicos da spintrônica – a injeção de spin, o transporte de spin, a manipulação e a detecção de spin – tem sido difícil de realizar no silício.

Então porque o silício resistiu durante tanto tempo, quando outros semicondutores – tais como o arseneto de gálio (GaAs) usado na eletrônica de telefonia celular – se revelaram mais adequados?

Veremos isso na próxima parte.

ENERGIA SOLAR: Aproveitamento Barato

sábado, 21 de junho de 2008

Estudantes do MIT (Massachusetts Institute of Technology) fizeram um teste nesta semana com o protótipo de um equipamento que pode obter a melhor relação custo-eficiente para aproveitar a energia solar do mundo.

O sistema consiste de uma base na forma de prato com cerca de 4 metros de largura que é coberta com lâminas espelhadas.

A estrutura da base é leve e relativamente barata pois é feita com finos tubos de alumínio encurvados conforme uma parábola, o que faz a luz solar ser concentrada no foco da parábola, aumentando a energia por um factor de 1000, gerando assim o intenso calor que pode derreter uma barra de aço!

O objetivo do equipamento não é exatamente esse.

Os autores – que já patentearam o processo e criaram uma empresa para industrializar o equipamento – querem utilizar para gerar energia elétrica, principalmente nas regiões mais distantes dos centros de distribuição de energia elétrica produzida pelos meios já conhecidos: hidrelétricas, usinas nucleares, termoelétricas etc…

Um dos membros da equipe acredita que estão com potencial para revolucionar a produção mundial de energia.

Quem estiver interessado em se associar, consulte http://www.mit.edu/

SUPERCONDUTIVIDADE: Alta Temperatura

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Um material é transformado em supercondutor quando a resistência elétrica do mesmo é anulada.

Isso ocorre quando a temperatura do material fica abaixo de certa temperatura crítica característica para cada material, conhecida como a temperatura de transição.

Até recentemente, a maioria dos supercondutores com temperaturas de transição superiores a 40K – este é o valor máximo para a temperatura prevista pela teoria clássica da supercondutividade, conhecida como a teoria BCS (Bardeen-Cooper-Schriffer) – eram construídos com camadas de óxido de cobre.

Trabalhando na Universidade de Ciência e Tecnologia da China na cidade de Hefei, a equipe de Xianhui Chen identificou um supercondutor diferente cuja temperatura de transição é superior a 43K.

No início deste ano, os pesquisadores do Japão anunciaram o supercondutor com óxido de ferro LaFeAsO1-xFx, o qual apresenta temperatura de transição de 26K.

Três meses depois, Chen e sua equipe apresentaram o supercondutor de óxido de ferro SmFeAsO1-xFx (ver figura), o qual tem o lantanídeo substituído pelo samarium e essa sutil alteração na composição do material aumentou a temperatura de transição para 43K.

Comparando as temperaturas de transição, os supercondutores com óxido de ferro ainda são inferiores aos com óxido de cobre.

No entanto, a ultrapassagem do limite de 40K previsto pela teoria clássica, torna evidente que os supercondutores de compostos de ferro não são bem descritos pela teoria clássica.

O óxido de ferro contendo samarium abre nova perspectiva para os estudos sobre a origem da supercondutividade com temperatura acima de 40K.

Está interessado no assunto? Então consulte:

1- Chen, X. H. et al. Superconductivity at 43 K in SmFeAsO1-xFx. Nature 453, 761–762 (2008).

2- Kamihara, Y., Watanabe, T., Hirano, M. & Hosono, H. Iron-based layered superconductor La[O1-xFx]FeAs (x = 0.05–0.12) with Tc = 26 K. J. Am. Chem. Soc. 130, 3296–3297 (2008).

OBS: A figura faz parte do trabalho da equipe do Chen e foi publicada na Nature China de 18 de junho de 2008.

ÁTOMOS FRIOS: Colisões Inelásticas Aumentam o Tempo de Vida

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Átomos frios confinados em pequenas dimensões podem dar origem a efeitos surpreendentes, tais como os bósons comportarem-se como férmions repelindo-se mutuamente (Ver “Condensação de Polaritons”).

Para ocorrer esse efeito imaginou-se que as colisões elásticas fossem uma condição necessária e muitos esforços têm sido orientados para atingir os regimes de colisão elástica, sem levar em conta a possibilidade de ocorrerem colisões inelásticas nesse processo.

Contudo, agora a equipe de Syassen mostrou que as colisões inelásticas entre os átomos frios também podem dar origem a efeitos de correlação.

Começando com um condensado de moléculas confinadas a um tubo unidimensional, eles acrescentam um potencial periódico fraco ao longo do eixo e mostram que o tempo de vida das moléculas no tubo é aumentado por mais de uma ordem de grandeza (mais de 10 vezes maior).

Os resultados devem ser úteis para explorar mais o parâmetro espacial no qual as colisões inelástica dominam.

Trabalho publicado em SCIENCE, 6 June 2008, 320 (5881)