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BIOCOMBUSTÍVEL: Novas Relações Internacionais (parte 2)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A pergunta que ficou anteriormente foi:

Será que o Ocidente tem alguma vantagem competitiva que poderia aproveitar para corrigir esta tendência?

Um fato ainda verdadeiro é que as instituições de ensino superior nos Estados Unidos e na maioria dos países da Europa Ocidental, ainda são consideradas como as melhores do mundo.

Em 2007, a Universidade Shanghai Jiao Tong na China classificou as universidades no mundo e listou 48 instituições norte-americanas e européias entre as primeiras 50 universidades.

O que isso representa?

Possivelmente essas instituições, juntas, detêm invejável massa crítica intelectual de talento e criatividade.

Há mais três aspectos importantes relacionados com essas 48 universidades:

1- o custo efetivo da força de trabalho dos estudantes de pós-graduação em pesquisa e desenvolvimento continua sendo a melhor relação em comparação a qualquer outro lugar.

2- os salários da maioria dos membros docentes são pagos pelas faculdades e universidades para a atividade de ensino e seriam mínimos os custos para incorporar estes intelectuais aos projetos de pesquisa e desenvolvimento.

3- muitas faculdades e universidades têm laboratórios ativos que seriam proibitivamente caros para a maioria das empresas.

Diante dessa constatação, surgem dois questionamentos:

Porque as corporações estadunidenses e européias ainda não adotaram as suas faculdades e universidades como centros corporativos de pesquisa e desenvolvimento?

Por que não existem mais empresas de base tecnológica incubando os seus novos conceitos de produtos nas universidades?

Acontece que existem muitos obstáculos tanto acadêmicos quanto empresariais desfigurando as possibilidades de aproximação.

A seguir são feitas observações sobre alguns fatores do lado acadêmico que atuam contra os melhores interesses de todos os envolvidos.

O primeiro é o fator “Gatorade“: um pequeno número de faculdades e universidades, principalmente nos Estados Unidos, tem recebido extraordinário retorno financeiro proveniente de propriedade intelectual desenvolvida pelos seus membros docentes.

É o caso da Universidade da Flórida a qual, desde a invenção da bebida Gatorade em 1965, já recebeu mais de 150 milhões de dólares de royalties pela concessão de licenças para a sua fórmula.

Esse sonho de retorno financeiro significativo empurrou as faculdades e universidades à procura ávida dos direitos de propriedade intelectual e os conseqüentes pagamentos dos royalties do setor empresarial com tal insistência, que muitos projetos colaborativos foram encerrados por advogados antes de sequer começarem.

Infelizmente, a maioria dos membros docentes e administradores universitários normalmente não têm noção do que é necessário para desenvolver uma idéia até o ponto em que possa ser transformada em um novo produto ou serviço para o qual há demanda comercial.

Essa ingenuidade pode frustrar as negociações com a academia a respeito das questões da propriedade intelectual e dos royalties.

Muitas vezes os acadêmicos dizem “dê-nos o dinheiro e nós vamos trabalhar em algo relacionado com o seu interesse”.

Os docentes habitualmente estão à procura de apoio financeiro para as suas próprias idéias, não para as idéias dos outros, e isso faz com que muitos empresários executivos perguntem: “o que estamos financiando?

Por último, há o fator tempo: “financie-me por três anos e ao final lhe darei um relatório mostrando o progresso do projeto”.

O calendário acadêmico normalmente é muito mais longo e elástico do que as empresas podem suportar, especialmente quando estão sob a pressão competitiva proveniente do estrangeiro.

É bom pensar que as empresas não estão em atividade para financiar teses de PhD, pois têm questões específicas que precisam de respostas em curto prazo: um ano ou menos.

Na próxima publicação serão apresentadas as questões pelo lado empresarial.

BIOCOMBUSTÍVEL: Novas Relações Internacionais

terça-feira, 1 de julho de 2008

A inovação na área de combustível exige um tipo de colaboração diferente entre os pesquisadores da indústria e da academia.

Por muitas décadas, o padrão de vida da maioria dos países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos tem sido sustentado por novos produtos, serviços e comércio que são o resultado de mais de 100 anos de liderança desses países em pesquisa e desenvolvimento mundial.

No entanto, a foice do custo competitivo tem forçado a eliminação de todos os programas de pesquisa e desenvolvimento de curto prazo do setor privado nesses países.

Os maiores laboratórios corporativos, que já foram notáveis catalisadores para o desenvolvimento econômico, todos estão desaparecendo. Por exemplo, os Laboratórios da RCA – empresa de telecomunicações estadunidense criada em 1919 – já não existem.

Os Laboratórios Bell, em Murray Hill, New Jersey-USA, que já foi o principal laboratório corporativo de pesquisa no mundo, viu o seu orçamento reduzido de 3,0 bilhões de dólares em 1982 para 1,3 bilhões de dólares em 2005 (sem os ajustes inflacionários).

Enquanto isso, as corporações competitivas da Ásia e em outros lugares do mundo, em muitos casos aproveitando a vantagem do baixo custo do trabalho, incrementaram o investimento em pesquisa e desenvolvimento a tal ponto que muitas delas agora estão superiores às companhias do Ocidente industrializado, tanto na qualidade do produto quanto na produtividade.

A conseqüência principal dessas mudanças é que a Europa e os Estados Unidos logo vão verificar que, pela primeira vez na história moderna, a maioria das novas idéias para os produtos e serviços que resultam no crescimento econômico, está sendo gerada em outros lugares do planeta.

Isso representa a perda das hegemonias industrial e econômica.

Essa situação pode ter conformação de dois tipos: circunstancial ou estrutural.

Em ambas as conformações, cabe uma questão básica:

Será que o Ocidente tem alguma vantagem competitiva que poderia aproveitar para corrigir esta tendência?

Se não tiver vantagem competitiva que permita a reação imediata, significa que o problema é estrutural, sendo muito mais difícil de ser alterado.

OBS: Vamos continuar essa análise na próxima publicação.

FUNGOS DA AMAZÔNIA

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Laboratório de Bioorgânica especializado no estudo de fungos começou a funcionar neste mês de junho na Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas.

Concentrando seus esforços em pesquisas de biomoléculas, particularmente em fungos da região amazônica, os pesquisadores do Laboratório afirmam que esse interesse é determinado por uma questão muito singular: a ciência ainda não consegue estimar com segurança a quantidade de espécies de fungos existente no nosso planeta.

Genericamente são feitas referências a milhões de espécies, das quais cerca de 70% habitam a Amazônia.

Por não serem conhecidos, também não há informação sobre a função desses fungos na ecologia desta região.

Um exemplo são os fungos endofídicos que habitam as folhas das árvores e só são detectados com aparelhos adequados.

Outro interesse na identificação dos fungos é a aplicação desses organismos vivos como matéria prima de produtos voltados para a saúde do ser humano, o que também faz parte do processo biotecnológico.

O Laboratório pretende desenvolver pesquisas com substâncias de fungos que podem ser aplicadas como inseticidas naturais, biomoléculas de fungos com propriedades antibióticas e de fungos produtores de proteínas unicelulares que podem ser aplicadas para minimizar o impacto ambiental de resíduos madeireiros.

Quem estiver interessado em participar dessas pesquisas em nível de pós-graduação, pode fazer contato:

Escolar Superior de Ciências da Saúde
Av. Carvalho Leal, 1777 – Cachoeirinha – CEP 69065-001 – Edifício Adriano Jorge – Manaus/AM
Fone: (92) 3214-9701