A pergunta que ficou anteriormente foi:
Será que o Ocidente tem alguma vantagem competitiva que poderia aproveitar para corrigir esta tendência?
Um fato ainda verdadeiro é que as instituições de ensino superior nos Estados Unidos e na maioria dos países da Europa Ocidental, ainda são consideradas como as melhores do mundo.
Em 2007, a Universidade Shanghai Jiao Tong na China classificou as universidades no mundo e listou 48 instituições norte-americanas e européias entre as primeiras 50 universidades.
O que isso representa?
Possivelmente essas instituições, juntas, detêm invejável massa crítica intelectual de talento e criatividade.
Há mais três aspectos importantes relacionados com essas 48 universidades:
1- o custo efetivo da força de trabalho dos estudantes de pós-graduação em pesquisa e desenvolvimento continua sendo a melhor relação em comparação a qualquer outro lugar.
2- os salários da maioria dos membros docentes são pagos pelas faculdades e universidades para a atividade de ensino e seriam mínimos os custos para incorporar estes intelectuais aos projetos de pesquisa e desenvolvimento.
3- muitas faculdades e universidades têm laboratórios ativos que seriam proibitivamente caros para a maioria das empresas.
Diante dessa constatação, surgem dois questionamentos:
Porque as corporações estadunidenses e européias ainda não adotaram as suas faculdades e universidades como centros corporativos de pesquisa e desenvolvimento?
Por que não existem mais empresas de base tecnológica incubando os seus novos conceitos de produtos nas universidades?
Acontece que existem muitos obstáculos tanto acadêmicos quanto empresariais desfigurando as possibilidades de aproximação.
A seguir são feitas observações sobre alguns fatores do lado acadêmico que atuam contra os melhores interesses de todos os envolvidos.
O primeiro é o fator “Gatorade“: um pequeno número de faculdades e universidades, principalmente nos Estados Unidos, tem recebido extraordinário retorno financeiro proveniente de propriedade intelectual desenvolvida pelos seus membros docentes.
É o caso da Universidade da Flórida a qual, desde a invenção da bebida Gatorade em 1965, já recebeu mais de 150 milhões de dólares de royalties pela concessão de licenças para a sua fórmula.
Esse sonho de retorno financeiro significativo empurrou as faculdades e universidades à procura ávida dos direitos de propriedade intelectual e os conseqüentes pagamentos dos royalties do setor empresarial com tal insistência, que muitos projetos colaborativos foram encerrados por advogados antes de sequer começarem.
Infelizmente, a maioria dos membros docentes e administradores universitários normalmente não têm noção do que é necessário para desenvolver uma idéia até o ponto em que possa ser transformada em um novo produto ou serviço para o qual há demanda comercial.
Essa ingenuidade pode frustrar as negociações com a academia a respeito das questões da propriedade intelectual e dos royalties.
Muitas vezes os acadêmicos dizem “dê-nos o dinheiro e nós vamos trabalhar em algo relacionado com o seu interesse”.
Os docentes habitualmente estão à procura de apoio financeiro para as suas próprias idéias, não para as idéias dos outros, e isso faz com que muitos empresários executivos perguntem: “o que estamos financiando?”
Por último, há o fator tempo: “financie-me por três anos e ao final lhe darei um relatório mostrando o progresso do projeto”.
O calendário acadêmico normalmente é muito mais longo e elástico do que as empresas podem suportar, especialmente quando estão sob a pressão competitiva proveniente do estrangeiro.
É bom pensar que as empresas não estão em atividade para financiar teses de PhD, pois têm questões específicas que precisam de respostas em curto prazo: um ano ou menos.
Na próxima publicação serão apresentadas as questões pelo lado empresarial.