Arquivo da Categoria ‘biologia’

AMAZÔNIA: Piaba Dálmata

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Mais uma pequena novidade para o mundo.

A pesquisadora Cristina Bührneim, professora do curso de Biologia da Escola Normal Superior da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), identificou uma espécie de peixe ornamental até agora desconhecida, habitante dos igarapés dos rios Madeira e Purus.

Com quase dois centímetros de comprimento, a descoberta foi batisada como Amazonspinther dalmata e publicada no periódico científico da Sociedade Brasileira de Ictiologia, a revista “Neotropical Ichthyology”, de dezembro de 2008.

Tomara que a identificação desse peixe ornamental sirva para oferecer melhores condições de vida para os habitantes das florestas e não como mais um pretexto para enriquecer os de sempre e empobrecer mais ainda a região amazônica.

A foto faz parte da publicação acima citada.

VIDAS EM PERIGO: Como vencer as Bactérias?

sábado, 19 de julho de 2008

As bactérias parecem estar vencendo todas as batalhas em sua contínua guerra contra os antibióticos!

Essa guerra – que raramente é manchete nos meios de comunicação – tem registros recentes em todos os lugares do mundo, inclusive nos países industrializados, apesar destes oferecerem serviços de saúde com tecnologia de ponta.

A narrativa a seguir apresenta inicialmente os registros de Vance Fowler – um especialista em doenças infecciosas do Centro Médico da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, USA.

Os fatos ocorrem no primeiro mês da primavera de 2008 naquele país – final de março e parte de abril – e talvez tenha sido apenas um mau mês… uma infeliz flutuação estatística?… talvez não…

O primeiro caso apareceu no início da primavera de 2008: uma menina com 13 anos, cujo sintoma de gripe involuiu para pneumonia necrotizante com uma estirpe particularmente perniciosa de bactéria conhecida como Staphylococcus aureus (MRSA), muito resistente à meticilina.

Caso a menina sobreviva, sua vida estará “mudada para sempre”, diz Fowler, pois a doença nos pulmões causou a morte de tecido pulmonar.

O caso seguinte aconteceu uma semana mais tarde, com um técnico de pesquisa do laboratório de Fowler: foi hospitalizado com um abcesso facial que não apresentava sinais de cura. Mais uma vez, a Staphylococcus aureus foi a causa.

Outra semana depois disso e o terceiro caso: um homem e a mulher foram as novas vítimas. “Ambos foram internados com infecções agudas por Staphylococcus aureus sem causa aparente”, comenta Fowler.

Nenhuma dessas pessoas trabalhou em um hospital ou em casas de cuidados prolongados, ambientes típicos nos quais essas bactérias comumente podem ser encontradas. Nem haviam visitado um desses lugares recentemente.

Então, como foram infectados por essa bactéria?

“Foi má sorte, fragilidade genética, uma bactéria malvada, ou todas as três juntas”, sugere Fowler.

Apesar desse irônico comentário, Fowler sabe que durante a última década, as pessoas estão sendo atacadas por uma inexorável proliferação de bactérias resistentes aos antibióticos, não apenas a Staphylococcus aureus, mas outras espécies também insidiosas: Acinetobacter baumannii, Enterococcus faecium, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Enterobacter.

O problema era previsível – “a resistência bacteriana acontece”, observa Karen Bush, uma pesquisadora de anti-infecção da Johnson e Johnson (J&J), em Raritan, New Jersey – mas a previsão não torna mais fácil combatê-la.

Em 2002, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos estimou que pelo menos 90.000 mortes por ano naquele país poderiam ser atribuídas às infecções bacterianas, sendo mais da metade (45.000) causadas por bactérias resistentes a pelo menos um antibiótico comumente usado.

Em outubro de 2007, o CDC relatou no Journal of American Medical Association que a quantidade de infecções graves causadas só pela Staphylococcus aureus estava perto de 100.000 por ano, causando quase 19.000 mortes – quantidade maior do que as mortes atribuídas ao HIV / SIDA nos Estados Unidos durante o mesmo ano.

Até agora, esses focos estão concentrados nos hospitais, onde o ambiente é particularmente propício à aquisição e disseminação de bactérias resistentes aos antibióticos.

Mas a grande preocupação é: e se as bactérias se espalharem pela comunidade vizinha ao hospital? – Será um cenário de pesadelo!

A Staphylococcus aureus é particularmente preocupante, mas há outra classe de bactérias, a classe Gramnegative, que é ainda mais difícil de derrotar.

Esta classe inclui a bactéria A. baumannii, que tem atormentado os soldados feridos que regressam do Iraque: para essas bactérias, os novos antibióticos são ineficazes.

Diante desse desafio, cabe perguntar:
O que você faz quando se depara com uma infecção em um paciente muito doente, e o os exames de laboratório constatam que cada um dos fármacos está listado como resistente?”
Na próxima publicação serão apresentados outros elementos desse problema.

Você também pode consultar a revista SCIENCE, VOL 321, 18 julho 2008, http://www.sciencemag.org/.

PRIMEIRO BEBÊ DE PROVETA: Faz 30 anos!

quinta-feira, 17 de julho de 2008

No próximo dia 25 deste mês de julho, fará 30 anos do nascimento do primeiro bebê de proveta deste planeta.

Foi uma menina inglesa, Louise Brown, o resultado da fertilização in vitro realizada pelo médico obstetra Patrick Christopher Steptoe (1913-1988) e o fisiologista Robert Geoffrey Edwards (1928) no Reino Unido, após mais de 15 anos de pesquisas.

Em 1959, o biologista chinês Min-Chueh Chang (1908-1991) mostrou que a fertilização in vitro funcionava em coelhos, mas o método não surtia o mesmo efeito nos humanos até descobrirem que o espermatozóide humano precisava ser “capacitado” para fertilizar o óvulo in vitro.

Na relação sexual normal, in vivo, o ambiente interno do genital feminino favorece essa capacitação, por isso era necessário criar essas mesmas condições no processo in vitro.

Em 1964, Robert Edwards mudou-se da Inglaterra e foi para a Universidade Johns Hopkins nos Estados Unidos, para conseguir óvulos humanos para a sua pesquisa, pois estava tendo dificuldades no seu país de origem.

Nessa Universidade trabalhou com o médico Howard Jones e juntos desenvolveram toda a pesquisa para criar as condições in vitro que permitissem ao espermatozóide fecundar o óvulo.

Voltando para o Reino Unido, Robert convidou o obstreta Patrick para desenvolverem o processo de fertilização in vitro.

Após 30 anos de pesquisas, esses procedimentos iniciais já estão em estágios muito mais avançados.

Porém ainda cabe a pergunta: PODEMOS COMEMORAR?

OBSERVAÇÕES:

1- Min-Chueh Chang ficou muito conhecido pela contribuição para a pírula oral contraceptiva.

2- Patrick Steptoe conheceu a técnica da laparoscopia e promoveu a sua utilização na ginecologia ao publicar o livro Laparoscopy in Gynaecology em 1967.

3- Howard Jones, atualmente professor emérito da Escola de Medicina em Virgínia do Leste, foi o responsável pelo primeiro bebê de proveta nascido nos Estados Unidos em 1981.
OBS: A foto foi colada do http://www.wikipedia.com/.

QUEM SOMOS NÓS?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Quem sou eu?” tem sido uma questão frequentemente solicitada e raramente respondida a contento.
Mas, como sugerem vários artigos científicos recentemente publicados, pode ser necessário reorientar a própria pergunta: os biólogos estão descobrindo que é frequentemente mais informativo perguntar: “Quem somos nós?”

Nós?

O ‘nós’ refere-se à profusão selvagem de bactérias, fungos e vírus – micróbios – que colonizam o corpo humano: a quantidade destes passageiros invisíveis é da ordem de trilhões de seres.

É surpreendente a quantidade e a variedade de espécies de micróbios que parasitam o corpo humano.
De acordo com uma estimativa bem aceita, só a flora intestinal humana contém, pelo menos, um quilograma de bactérias!

E é muito provável que a colônia de micróbios desenvolvida em um ser humano, não seja igual à de nenhum outro humano.
Isso pode significar que se as colônias de dois humanos forem comutadas, ambos podem até morrer!

Essas colônias contribuem tanto para a biologia humana que é difícil identificar onde termina o corpo e começam os micróbios!

É impressionante!

Por isso, vários e grandes projetos de pesquisa estão iniciando agora para caracterizar a microbiota humana na sua totalidade.

Sem entusiasmo exagerado e sem fobia, certamente há razão para aceitar o fato de que todas as pessoas têm dentro de si ambientes exóticos que dão suporte para a existência de comunidades microbióticas tão diversas, semelhante ao que acontece em qualquer floresta tropical.

É isso mesmo. O nosso corpo é parecido com uma árvore cheia de parasitas!

Existe uma perspectiva ecológica no nosso próprio alimento e os efeitos que diferentes gêneros alimentícios – tais como aqueles processados versus aqueles não processados – têm sobre estes ambientes microbióticos.

Desse modo, agora há uma atraente novidade tomando o lugar da humanidade neste mundo: a compreensão de que a pergunta “Quem sou eu?” não pode ser respondida até que seja plenamente compreendido “Quem nós somos”.

Quer saber mais? Consulte a revista Nature, Vol 453 Issue no. 7195 29 May 2008.