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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Durante o inverno europeu de janeiro de 1609, o italiano Galileo Galilei (15 feveireiro 1564 – 8 janeiro 1642) usou, pela primeira vez, um monóculo tubular capaz de aproximar os objetos por cerca de 30 vezes – feito por ele, mas não por ele inventado – para olhar os céus.

A sua surpresa foi indescritível, pois conseguiu ver coisas nunca antes vistas por um olhar humano.

Registrou a superfície rugosa da lua – com montanhas e vales muito semelhantes aos da Terra - e, um ano mais tarde (janeiro de 1610), quatro pequenas estrelas errantes que se movimentavam nas proximidades de Júpiter, a maior estrela errante até então conhecida.

Dito e visto deste modo, fica a impressão de que essas descobertas de Galileo não têm a menor importância.

Para entender a revolução provocada por essas observações de Galileo, é preciso lembrar que na Europa de há 4 séculos todo o universo conhecido era dividido em duas partes bem diferentes, ainda conforme a interpretação do grego Aristóteles, que viveu cerca de 350 anos a.C:

1- As Esferas Celestes: da Lua para cima tudo era perfeito

     Detalhes: a superfície da Lua era um espelho, as estrelas fixas e as estrelas errantes (os planetas) eram imutáveis.

2- O planeta Terra, o centro imóvel do Universo, composto pelas esferas dos 4 elementos nessa sequência: terra, água, ar e fogo.

     Detalhe: era a zona da imperfeição, onde tudo era mundano e deveria desenvolver-se para a perfeição.

É principalmente a essa concepção que as observações de Galileo se contrapõem: os céus não pareciam ser perfeitos!!!!!

Se os céus não eram perfeitos, então a imperfeita Terra podia fazer parte dos céus.

Desse modo, Galileo reforça a proposta heliocêntrica do polonês Nicolao Copernico (1473-1543): a Terra também é uma estrela errante em movimento circular em torno do Sol.

É claro que Galileo não se conveceu tão facilmente da proposta heliocêntrica.

Por isso, fez outras observações sobre os movimentos dos planetas que só poderiam ser aceitos mediante o movimento da Terra em torno do Sol.

Mais tarde, em 1687 o inglês Isaac Newton (1643-1727), interpretando os movimentos das estrelas errantes do sistema solar estudados por Johannes Kepler (1571-1630), publicou a sua interpretação de que esse movimento é provocado por uma força responsável pela atração gravitacional entre o Sol e as estrelas errantes.

Desde então, o Universo conhecido foi se expandindo e hoje já brincamos com a possibilidade de múltiplos universos.

As pessoas que gostarem desse assunto podem consultar, entre tantos outros, os seguintes textos:

1.   ASIMOV, Isaac, Understanding Physics, Ed. Barnes and Noble (1993)

2.   CROMBIE, A. C., Historia de la Ciência, vols. 1 e 2, 7a ed. Espanhola, Editorial Alianza (1996)

3.  HOLTON, G. e Roller, D. H. D., Fundamentos de la Física Moderna, Editorial Revert

4.   GALILEI, Galileo, Sidereus Nuncius, Ed. Marsílio, (1993)

5. GAMOV, George, The Great Physicists: from Galileo to Einstein, Dover Publications (1988)

6. NEWTON, Isaac, Principia: Princípios Matemáticos de Filosofia Natural, vol. 1, Trad. Trieste Ricci et al, EDUSP (1990)

7.   SEGRÈ, Emilio, Personaggi e Scoperte della Física, vols. 1 e 2, Ed. Oscar Mondadori (1996)

EXOPLANETAS: Para onde fugiremos?

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Uma razão básica para buscarmos conhecer a nossa vizinhança cósmica está vinculada a nossa sobrevivência: precisamos identificar outros lugares no universo onde seja possível manter e reproduzir as formas de vida existentes no planeta Terra.

As tentativas registradas já acontecem a mais de 150 anos: em 1855 o capitão inglês e astrônomo W. S. Jacob, na direção do Observatório Masdras montado na India, anunciou que havia grande possiblidade de uma anomalia no movimento orbital das estrela binárias 70 Ophiuchi – situadas a 16,6 anos luz – ser provocada por um planeta pertencente àquele sistema.

Hoje essa suspeita já foi descartada, bem como outras manifestadas até o início dos anos de 1990, basicamente porque os astrônomos avaliam que aquelas tentativas de identificar a existência de planetas extra solares estavam equivocadas, tanto pelas técnicas utilizadas, quanto pelos instrumentos que apresentavam muitas limitações tecnológicas.

É de 1992 a primeira identificação confirmada de um sistema extra solar composto por dois, ou mais planetas, feita pelos radioastrônomos Aleksander Wolszczan, polonês, e Dale Frail, canadense. Esses planetas pertencem ao sistema pulsar PSR1257 + 12.

O ceticismo da comunidade científica em relação a identificação de exoplanetas foi alterado principalmente a partir dos resultados de Artier P. Hatzes e colaboradores – publicados no Astrophysical Jornal, 599, em dezembro de 2003 – confirmando a identificação de um planeta no sistema binário gama-Cephei realizado em 1988, por Campbell, Walker e Young e publicado na mesma revista.

O avanço tecnológico na construção de equipamentos mais aprimorados e o consequente aperfeiçoamento das técnicas – medidas do efeito Doppler, medidas da velocidade radial -para identificação de planetas em outras constelações, ou até em outras galáxias, aconteceram durante a última década do século XX e atualmente já foram identificados 202 exoplanetas.

Desses, a maioria é semelhante ao planeta Júpiter – bolas de gás – e só dois desses têm massa menor que oito vezes a massa da Terra: um é muito frio e o outro, muito quente para manter água no estado líquido na superfície.

Na última semana de abril, a equipe de astrônomos de Stéphane UDRY do Observatório de Genebra, Suíça, anunciou que conseguira, pela primeira vez, identificar um planeta fora do sistema solar, semelhante à Terra e que pode ser habitável.

Esse mundo rochoso, possivelmente coberto por água, orbita uma estrela anã vermelha da constelação de Libra, há 20,5 anos luz de distância do nosso sistema solar.

Porém o novo planeta tem formação rochosa, com massa em torno de 1,5 a massa da Terra, orbita a cerca de 14,6 milhões de quilômetros de distância, exatamente na região habitável da sua estrela mãe, Gliese 581, com temperaturas no intervalo de zero graus Celsius a 40 graus Celsius, ou seja, é possível ter água no estado líquido.

A nova descoberta é uma “maravilhosa notícia”, diz Geoffrey Marcy da Universidade da Califórnia, Berkeley, cuja equipe encontrou mais da metade de todos os exoplanetas mais distantes.

Mas o caçador de planetas William Cochran da Universidade de Texas, Austin, lembra que “ainda permanece a dúvida sobre o quanto esse planeta é realmente habitável” e ressalta a possibilidade, ainda não comprovada, do planeta manter sempre a mesma face para a sua estrela mãe.

Além disso, alguns teóricos pensam que, por causa da maneira como são formados, os planetas próximos das anãs vermelhas podem acumular pouca água.

Descontando o possível sensacionalismo da mídia internacional – interessante para os pesquisadores sob o aspecto do apoio financeiro – a busca de vida extra sistema solar faz parte das grandes indagações milenares que circundam a existência humana.

OBS: O raio orbital da Terra em torno do Sol é cerca de 14 vezes maior do que o desse novo planeta.