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SPINTRÔNICA: Receita para Correntes de Spin

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O domínio da spintrônica – a eletrônica com o spin – procura explorar o spin dos elétrons nos metais e semicondutores a fim de realizar tarefas que, atualmente, são rotineiramente realizadas pelo transporte da carga dos elétrons.(ver “Spintrônica: Catracas de Spin”)

A spintrônica oferece um caminho promissor para alcançar novas reduções tanto nas dimensões quanto no consumo de energia dos dispositivos de estado sólido.

Nos últimos anos, muitas experiências engenhosas têm procurado desvendar os princípios básicos que governam a criação e a manipulação das correntes de spin: o fluxo de elétrons com polarização efetiva de spin.

Em uma pesquisa inédita, a equipe de Uchida introduz o “Efeito Seebeck para Spin” como uma maneira sobretudo elegante de gerar correntes de spin a partir de uma fonte de tensão de spin, a qual pode ser aplicada e mantida até a distância de aproximadamente 1 centímetro à temperatura ambiente.

O conhecido Efeito Seebeck refere-se ao aparecimento de uma tensão elétrica quando as extremidades de um fio, eletricamente isolado, são colocadas em diferentes temperaturas (Fig. 1A).

O gradiente de temperatura produz um fluxo de corrente que é transportada pelos elétrons para a extremidade com menor temperatura.

Como o fio está eletricamente isolado, há um fluxo invertido de elétrons impulsionado por um gradiente finito no potencial químico, μ, a energia dos elétrons mais energéticos no fio.

A situação é análoga a usar um ventilador para amontoar água em uma lateral de um aquário: o curso de água superficial na direção do vento é equilibrado por um fluxo oposto impulsionado pelo gradiente de pressão na água.

No estado estacionário, o nível de água no tanque – análogo a função do potencial químico μ – tem um perfil inclinado.

Do mesmo modo, o potencial químico μ exibe um perfil inclinado em um gradiente de temperatura (Fig. 1A) e a tensão observada é a diferença no potencial químico μ nas duas extremidades do fio.

Essa tensão termelétrica pode ser usada para gerar eletricidade e é uma fonte vital de energia para os satélites espaciais.

O efeito inverso, conhecido como o Efeito Peltier, é utilizado para resfriar os materiais variando desde micro chipes até vinhos raros.

O resultado completo dessa pesquisa deve ser lido em:

Uchida, K. et al. Nature 455, 778–781 (Out. 2008).

PRÊMIO NOBEL de FÍSICA: Universo Anti-Simétrico

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Os vencedores do Prêmio Nobel de Física em 2008 – físicos nascidos no Japão – desenvolveram pesquisas para compreender o modo como são quebradas as simetrias fundamentais da natureza.

Quem são os premiados?

Ganhando um quarto do prêmio de 1,0 milhão de euros para cada um:

1- Makoto Kobayashi da Organização de Pesquisa do Acelerador de alta Energia (High Energy Accelerator Research Organization) em Tsukuba, Japão;

2- Toshihide Maskawa Yukawa do Instituto de Física Teórica (YITP), na Universidade de Kyoto,

Qual foi o grande motivo da premiação dessa dupla?

- A descoberta da origem da “quebra de simetria” na natureza que contribuiu para a preponderância da matéria sobre a antimatéria neste Universo.

Quem ganhou a outra metade do prêmio?

3- Yoichiro Nambu, da Universidade de Chicago, em Illinois, USA.

O que ele fez para merecer esse prêmio?

- Demonstrou que o conceito dequebra espontânea de simetria” pode explicar a diversidade de partículas e forças visualizadas na característica quântica da natureza.

A quebra de simetria na natureza descreve como os sistemas físicos podem subitamente mostrar uma preferência por certa direção em detrimento de outras direções.

Por exemplo: um lápis equilibrado sobre a sua ponta apresenta simetrias em torno do seu comprimento visto a partir do topo, mas quando o mesmo se desequilibra e cai, aponta em determinada direção e essa simetria é quebrada.

O mesmo conceito se aplica a muitos sistemas, mas foi Nambu quem ampliou essa teoria para as partículas fundamentais, explica John Ellis, físico teórico do CERN, o laboratório de física de partículas da Europa, em Genebra, Suíça.

Ellis é um dos milhares de cientistas que desejam usar o Large Hadron Collider (LHC) do CERN para desvendar um famigerado produto da quebra de simetria – o boson de Higgs – o qual se acredita ser capaz de dotar as outras partículas com massa.(ver “Large Hadron Collider”)

Kobayashi e Maskawa, entretanto, mostraram como a violação de certa simetria particular poderia criar mais matéria do que antimatéria no Universo – um mistério que vem de longo tempo escondido na física das partículas.

Em um artigo publicado em 1973, eles calcularam que as interações entre os quarks através da força fraca – uma das quatro forças fundamentais da natureza – naturalmente dá origem a uma violação na simetria da paridade de carga elétrica (simetria CP), quando as partículas de matéria não se comportam precisamente como imagens espelhadas das suas homólogas de antimatéria.

“Eles registraram essa enorme manifestação física cuja interpretação é a violação da simetria entre matéria e antimatéria“, comenta Ken Peach, físico da Universidade de Oxford, Inglaterra.

As equações também apresentavam a previsão da existência de uma terceira família de quarks, uma idéia que parecia completamente “artificial” em 1973, até que os quarks foram identificados.

O trabalho de Kobayashi e Maskawa já foi verificado por dois experimentos de alta energia: o experimento Belle no Japão e o experimento BaBar no Centro do Acelerador Linear de Stanford, na Califórnia.

Esses experimentos mediram o decaimento de partículas que incluiu os quarks bottom e os seus resultados experimentais comprovaram as previsões iniciais: “Todas as conclusões são consistentes”, afirma Peach.

No entanto, a violação da simetria CP descoberta pela dupla, atualmente ainda não é suficiente para explicar a dominância total da matéria sobre a antimatéria no Universo .

Peach diz que muitos físicos acreditam que outra violação de simetria ainda mais poderosa pode ser identificada, talvez também por meio das medidas que serão realizadas no LHC.

(Baseado na matéria de Geoff Brumfiel publicada na Nature em 7 de outubro de 2008)

SUPERCONDUTOR: Magnetismo Exótico

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A supercondutividade e o ordenamento magnético geralmente são considerados processos concorrentes, sendo os dois mutuamente exclusivos, ou vistos apenas em uma pequena região do diagrama de fase de materiais não homogêneos.

A liga CeCoIn5 (cerium, cobalto, indio) é um material extremamente limpo que pode ser preparado com alta qualidade cristalina.

Sendo um dos chamados supercondutores exóticos, exibe muitas propriedades similares aos mais complexos supercondutores de alta temperatura que utilizam materiais contendo cobre.

A equipe de Kenzelmann utilizou o espalhamento de nêutrons para sondar o ordenamento magnético nesse material a baixa temperatura e na presença de alto campo magnético.

Os resultados publicados mostram que encontraram provas de que o ordenamento magnético está estabilizado pelo comportamento de supercondução e coexiste com o mesmo.

Se ficou interessado por essa novidade, consulte:

M. Kenzelmann, Th. Strässle, C. Niedermayer, M. Sigrist, B. Padmanabhan, M. Zolliker, A. D. Bianchi, R. Movshovich, E. D. Bauer, J. L. Sarrao, J. D. Thompson, Coupled Superconducting and Magnetic Order in CeCoIn5, Science, vol. 321. no. 5896, 19 Setembro 2008.

GRAFENO: Identificação Colorida

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Proveniente da grafite, o grafeno é um material constituído por uma única camada de átomos de carbono organizados em uma estrutura hexagonal, muito parecido com uma única lâmina bem fina dos casulos de mel da colméia.

O material se mostra promissor para várias aplicações, principalmente na eletrônica por causa da alta mobilidade dos elétrons.

Ao utilizar o grafeno, no entanto, é importante saber com quantas camadas você está lidando: se há uma ou mais camadas de grafeno amontoadas.

Na procura de uma solução, a equipe de Wencai Ren e Huiming Cheng da Academia Chinesa de Ciências, em Shenyang, delineou um método ótico para identificar (ou caracterizar) as amostras rapidamente – mesmo em grandes áreas de amostra – e sem danificar o material.

Os métodos óticos utilizados no passado para estudar o grafeno utilizavam luz monocromática, mas as imagens produzidas apresentavam uma variedade de tons que não são facilmente diferenciados sem uma análise mais aprofundada e, em consequência, mais dispendiosa.

O novo método dos pesquisadores utiliza uma gama de comprimentos de onda da luz visível produzindo imagens nas quais as diferentes cores associadas com a quantidade de camadas de grafeno, são facilmente distinguíveis pelo olho humano (foto).

As diferentes cores são produzidas pelas reflexões da luz de diferentes comprimentos de onda a partir das diferentes camadas do grafeno sobre o substrato.

Além disso, os pesquisadores descobriram que com uma ligeira diminuição do intervalo dos comprimentos de onda da luz incidente sobre o grafeno, eles conseguem aumentar esse contraste.

Os resultados deverão ajudar a identificar e preparar as amostras de grafeno ideais para as todas as aplicações.

Você se interressou pelo assunto? Consulte:
Gao, L., Ren, W., Li, F. & Cheng, H. M. Total color difference for rapid and accurate identification of graphene. ACS Nano doi: 10.1021/nn800307s (2008).