ÁTOMO: Esse Desconhecido (Parte 3B)

No final do século XVIII, os químicos haviam identificado muitas substâncias, principalmente no estado gasoso, e os estudos de Lavoisier e Proust indicavam que essas substâncias eram constiuídas por pequenas partículas que definiam a característica química de cada uma delas.

Estava faltando arrumar as interpretações sobre essas partículas que resultavam das pesquisas daquela época.

Fundamentado na lei das proporções fixas desenvolvida por Proust, o químico inglês John Dalton (1766-1844) propôs, em 1803, um modelo atômico ao estabeler que:

1- cada elemento é constituído de um número de átomos, todos com a mesma massa fixa;

2- Elementos diferentes são identificados por serem constituídos por átomos com massas diferentes;

3- Os compostos são formados pela união de pequena quantidade de átomos na forma de moléculas (do latim: pequena massa);

É importante observar que as pesquisas posteriores sobre a estrutura da matéria, comprovaram que essas propostas não estão corretas.

Porém, considerando as dificuldades científicas e tecnológicas existentes no início do século XIX, o modelo atômico de Dalton foi importante por representar uma “primeira aproximação” muito útil para a continuação das pesquisas que melhoraram esse modelo conforme mais e melhores informações foram obtidas e tornaram irreversível a interpretação atômica associada à estrutura da matéria.

Uma das perguntas relacionadas com a existência do átomo diz respeito ao seu tamanho e ao valor de sua massa. As respostas só se tornaram possíveis quando o número de Avogadro foi medido.

Em 1811, o químico italiano Amedeo Avogadro (1776-1856) propôs a seguinte hipótese:

- “sob as mesmas condições de temperatura e pressão, volumes iguais de todas as substâncias gasosas contêm a mesma quantidade de moléculas, independente de suas propriedades químicas e físicas”.

Em consequência dessa hipótese, estabeleceu-se a idéia de que em um mol de qualquer substância existe sempre a mesma quantidade de átomos ou moléculas: o número de Avogadro.

Se fosse conhecido o valor exato do número de Avogadro, seria possível determinar a massa atômica da substância.

Naquela época só se tinha idéia de que deveria ser um valor muito grande e passaram mais de cinqüenta anos até a determinação do número de Avogadro.

Em 1865, com a contribuição das pesquisas teóricas do físico escocês James Clerk Maxwell (1831-1879) e do físico austríaco Ludwig Boltzmann (1844-1906), que fazem a análise do comportamento dos gases supondo que os mesmos tenham uma estrutura atômica, foi possível prever teoricamente o valor do número de Avogadro.

Usando métodos experimentais cada vez mais acurados desenvolvidos para avaliar os resultados teóricos de Maxwell-Boltzmann, foi possível determinar o valor de partículas por mol, atualmente aceito.

Em um mol existem 602.300.000.000.000.000.000.000 partículas.

Com esse resultado foi possível determinar as massas dos diversos átomos e fazer uma estimativa do volume dos mesmos.

Foi um avanço enorme!

Supondo que os átomos tenham a forma esférica e que nos sólidos estão de tal modo empacotados que ficam em contato, obtém-se o valor aproximado da ordem de (1/100.000.000) centímetros para o diâmetro de um átomo.

Esse valor estimado significa que devemos colocar 100 milhões de átomos lado a lado para preencher a distância de 1,0 centímetro.

Essa foi a primeira estimativa relacionada com o volume do átomo esférico e foi esse o modelo atômico que prevaleceu durante todo o século XIX.

Depois desse pequeno, mas importante passo, só em 1897 começaram a acontecer novas descobertas relacionadas com o átomo.

Então as preocupações passaram a ser outras, como serão apresentadas nas próximas publicações.

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