EXOPLANETAS: Para onde fugiremos?

Uma razão básica para buscarmos conhecer a nossa vizinhança cósmica está vinculada a nossa sobrevivência: precisamos identificar outros lugares no universo onde seja possível manter e reproduzir as formas de vida existentes no planeta Terra.

As tentativas registradas já acontecem a mais de 150 anos: em 1855 o capitão inglês e astrônomo W. S. Jacob, na direção do Observatório Masdras montado na India, anunciou que havia grande possiblidade de uma anomalia no movimento orbital das estrela binárias 70 Ophiuchi – situadas a 16,6 anos luz – ser provocada por um planeta pertencente àquele sistema.

Hoje essa suspeita já foi descartada, bem como outras manifestadas até o início dos anos de 1990, basicamente porque os astrônomos avaliam que aquelas tentativas de identificar a existência de planetas extra solares estavam equivocadas, tanto pelas técnicas utilizadas, quanto pelos instrumentos que apresentavam muitas limitações tecnológicas.

É de 1992 a primeira identificação confirmada de um sistema extra solar composto por dois, ou mais planetas, feita pelos radioastrônomos Aleksander Wolszczan, polonês, e Dale Frail, canadense. Esses planetas pertencem ao sistema pulsar PSR1257 + 12.

O ceticismo da comunidade científica em relação a identificação de exoplanetas foi alterado principalmente a partir dos resultados de Artier P. Hatzes e colaboradores – publicados no Astrophysical Jornal, 599, em dezembro de 2003 – confirmando a identificação de um planeta no sistema binário gama-Cephei realizado em 1988, por Campbell, Walker e Young e publicado na mesma revista.

O avanço tecnológico na construção de equipamentos mais aprimorados e o consequente aperfeiçoamento das técnicas – medidas do efeito Doppler, medidas da velocidade radial -para identificação de planetas em outras constelações, ou até em outras galáxias, aconteceram durante a última década do século XX e atualmente já foram identificados 202 exoplanetas.

Desses, a maioria é semelhante ao planeta Júpiter – bolas de gás – e só dois desses têm massa menor que oito vezes a massa da Terra: um é muito frio e o outro, muito quente para manter água no estado líquido na superfície.

Na última semana de abril, a equipe de astrônomos de Stéphane UDRY do Observatório de Genebra, Suíça, anunciou que conseguira, pela primeira vez, identificar um planeta fora do sistema solar, semelhante à Terra e que pode ser habitável.

Esse mundo rochoso, possivelmente coberto por água, orbita uma estrela anã vermelha da constelação de Libra, há 20,5 anos luz de distância do nosso sistema solar.

Porém o novo planeta tem formação rochosa, com massa em torno de 1,5 a massa da Terra, orbita a cerca de 14,6 milhões de quilômetros de distância, exatamente na região habitável da sua estrela mãe, Gliese 581, com temperaturas no intervalo de zero graus Celsius a 40 graus Celsius, ou seja, é possível ter água no estado líquido.

A nova descoberta é uma “maravilhosa notícia”, diz Geoffrey Marcy da Universidade da Califórnia, Berkeley, cuja equipe encontrou mais da metade de todos os exoplanetas mais distantes.

Mas o caçador de planetas William Cochran da Universidade de Texas, Austin, lembra que “ainda permanece a dúvida sobre o quanto esse planeta é realmente habitável” e ressalta a possibilidade, ainda não comprovada, do planeta manter sempre a mesma face para a sua estrela mãe.

Além disso, alguns teóricos pensam que, por causa da maneira como são formados, os planetas próximos das anãs vermelhas podem acumular pouca água.

Descontando o possível sensacionalismo da mídia internacional – interessante para os pesquisadores sob o aspecto do apoio financeiro – a busca de vida extra sistema solar faz parte das grandes indagações milenares que circundam a existência humana.

OBS: O raio orbital da Terra em torno do Sol é cerca de 14 vezes maior do que o desse novo planeta.

Deixe um comentário