ÁTOMO: Esse Desconhecido (Parte 1)

A base do modelo atômico que até agora sobrevive a todas as experiências, vai completar 100 anos em 2013.

Aqui vou abordar alguns aspectos históricos que podem suscitar melhor compreensão a respeito do desenvolvimento desse modelo atômico.

1- Origem Ocidental do Atomismo

A concepção do modelo atômico no ocidente europeu está vinculada às primeiras teorias da estrutura da matéria resultante de dedução filosófica realizada pelos filósofos rotulados de materialistas em contraponto aos filósofos idealistas.

Há fragmentos interessantes do trabalho-poema Pery Physeos (Sobre a Natureza), do filósofo grego Parmênides (séc. VI AC) – nascido em Elea, cidade no sul da Italia – no qual o mesmo afirma que “o que é, é”, “o que não é, não é”, “o que é, não pode vir a ser o que não é” e “o que não é não pode vir a ser o que é”, concluindo pela impossibilidade de qualquer mudança no mundo. Desse modo, as mudanças observadas ao nosso redor, são apenas ilusões dos sentidos.

A primeira especulação filosófica registrada confere aos filósofos gregos pré-socráticos Leucipus de Mileto (ou de Eleia) e Democritus de Abdera (ambos do séc. V AC) e, posteriormente, a Epicurus de Samos (séc. IV AC), a proposta e o desenvolvimento da primeira teoria atômica considerando que a matéria é divisível de fato – conforme nos mostra a experiência diária – porém essa divisão não continuaria indefinidamente, devendo apresentar um limite quando fossem identificadas as partículas indivisíveis, pois então não seria mais possível cortá-las.

Essas partículas são os eternos e imutáveis corpúsculos atômicos, para os quais não havia explicação e nem a necessidade de haver, pois dotados de uma forma definitiva, não tinham cor, nem cheiro ou sabor e nem temperatura; eram separados entre si pelo espaço vazio e, pelas diferentes posições e movimento nesse espaço vazio, era produzida a ampla variedade de fenômenos perceptíveis ao ser humano.

Para Democritus, essas partículas são os eternos e imutáveis corpúsculos atômicos.

Em suas próprias palavras – “as únicas coisas que existem são os átomos e o espaço vazio; qualquer outra coisa é mera opinião” – fica patente a construção ocidental do átomo, do verdadeiro núcleo objetivamente real da matéria e de todos os fenômenos.

Os filósofos gregos considerados idealistas, como Platão (séc. IV a.C) e Aristóteles (séc. IV a.C), não concordavam com o conceito de atomismo.

Platão concebia as menores partículas de matéria apenas como formas geométricas e, como Empédocles de Agrigentum (séc. V AC), admitia a terra, a água, o ar e o fogo como os quatro elementos estruturais da natureza.

Na concepção platônica, as menores partículas do elemento terra tinham a forma de cubos, as menores partículas do elemento água tinham a forma de icosaedros, em forma de octaedros eram as partículas do elemento ar e de tetraedros aquelas do elemento fogo, pois a forma é característica para as propriedades do elemento.

Ao contrário de Democritus, Platão considerava que as menores partículas podiam ser alteradas, destruídas ou reconstituídas, pois todas podiam ser resolvidas em triângulos.

Com essa concepção, as menores partículas já não são indivisíveis e os triângulos deixam de ser matéria porque não possuem dimensões espaciais.

Conforme Platão, não existe mais algo efetivamente material e sim uma forma matemática, ou uma construção intelectual, pois o universo pode ser uniformemente inteligível a partir da simetria matemática, a imagem, a idéia.

Mas o poeta romano Lucretius (séc. I AC) retomou a teoria atômica de Demócritus em sua obra De Rerum Natura (Sobre a natureza das coisas), na qual o tema fundamental é que toda a matéria é composta de duas realidades: o sólido constituído pelos átomos e o espaço vazio, no qual os átomos se movem.

Sem dúvida, essa proposta tinha apenas cunho filosófico, pois até o século XVII DC, nenhuma conseqüência frutífera e concreta fora obtida dessa concepção atômica.

OBS: Na seqüência vamos abordar o advento científico do modelo atômico.

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