VIDAS EM PERIGO: Como vencer as Bactérias?

As bactérias parecem estar vencendo todas as batalhas em sua contínua guerra contra os antibióticos!

Essa guerra – que raramente é manchete nos meios de comunicação – tem registros recentes em todos os lugares do mundo, inclusive nos países industrializados, apesar destes oferecerem serviços de saúde com tecnologia de ponta.

A narrativa a seguir apresenta inicialmente os registros de Vance Fowler – um especialista em doenças infecciosas do Centro Médico da Universidade Duke, em Durham, Carolina do Norte, USA.

Os fatos ocorrem no primeiro mês da primavera de 2008 naquele país – final de março e parte de abril – e talvez tenha sido apenas um mau mês… uma infeliz flutuação estatística?… talvez não…

O primeiro caso apareceu no início da primavera de 2008: uma menina com 13 anos, cujo sintoma de gripe involuiu para pneumonia necrotizante com uma estirpe particularmente perniciosa de bactéria conhecida como Staphylococcus aureus (MRSA), muito resistente à meticilina.

Caso a menina sobreviva, sua vida estará “mudada para sempre”, diz Fowler, pois a doença nos pulmões causou a morte de tecido pulmonar.

O caso seguinte aconteceu uma semana mais tarde, com um técnico de pesquisa do laboratório de Fowler: foi hospitalizado com um abcesso facial que não apresentava sinais de cura. Mais uma vez, a Staphylococcus aureus foi a causa.

Outra semana depois disso e o terceiro caso: um homem e a mulher foram as novas vítimas. “Ambos foram internados com infecções agudas por Staphylococcus aureus sem causa aparente”, comenta Fowler.

Nenhuma dessas pessoas trabalhou em um hospital ou em casas de cuidados prolongados, ambientes típicos nos quais essas bactérias comumente podem ser encontradas. Nem haviam visitado um desses lugares recentemente.

Então, como foram infectados por essa bactéria?

“Foi má sorte, fragilidade genética, uma bactéria malvada, ou todas as três juntas”, sugere Fowler.

Apesar desse irônico comentário, Fowler sabe que durante a última década, as pessoas estão sendo atacadas por uma inexorável proliferação de bactérias resistentes aos antibióticos, não apenas a Staphylococcus aureus, mas outras espécies também insidiosas: Acinetobacter baumannii, Enterococcus faecium, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Enterobacter.

O problema era previsível – “a resistência bacteriana acontece”, observa Karen Bush, uma pesquisadora de anti-infecção da Johnson e Johnson (J&J), em Raritan, New Jersey – mas a previsão não torna mais fácil combatê-la.

Em 2002, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos estimou que pelo menos 90.000 mortes por ano naquele país poderiam ser atribuídas às infecções bacterianas, sendo mais da metade (45.000) causadas por bactérias resistentes a pelo menos um antibiótico comumente usado.

Em outubro de 2007, o CDC relatou no Journal of American Medical Association que a quantidade de infecções graves causadas só pela Staphylococcus aureus estava perto de 100.000 por ano, causando quase 19.000 mortes – quantidade maior do que as mortes atribuídas ao HIV / SIDA nos Estados Unidos durante o mesmo ano.

Até agora, esses focos estão concentrados nos hospitais, onde o ambiente é particularmente propício à aquisição e disseminação de bactérias resistentes aos antibióticos.

Mas a grande preocupação é: e se as bactérias se espalharem pela comunidade vizinha ao hospital? – Será um cenário de pesadelo!

A Staphylococcus aureus é particularmente preocupante, mas há outra classe de bactérias, a classe Gramnegative, que é ainda mais difícil de derrotar.

Esta classe inclui a bactéria A. baumannii, que tem atormentado os soldados feridos que regressam do Iraque: para essas bactérias, os novos antibióticos são ineficazes.

Diante desse desafio, cabe perguntar:
O que você faz quando se depara com uma infecção em um paciente muito doente, e o os exames de laboratório constatam que cada um dos fármacos está listado como resistente?”
Na próxima publicação serão apresentados outros elementos desse problema.

Você também pode consultar a revista SCIENCE, VOL 321, 18 julho 2008, http://www.sciencemag.org/.

3 comentários para “VIDAS EM PERIGO: Como vencer as Bactérias?”

  1. Caloã disse:

    Aqui na Fundação de Medicina Tropical estão tomando todos os cuidados com relação à ministrar antibióticos. Até o sistema dele terá todo esse controle e os relatórios serão gerados com um clique de mouse.

    Isto tudo devido à atual resistência das bactérias, que está atribuída também ao mau uso de antibióticos por pacientes e médicos.

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  2. Maria Luiza Bringel disse:

    E que eu estive a beira da morte por conta de uma bacteria.Nao tive nem um sintoma,so uma moleza,vontade de estar deitada e as costa doendo,mas como sofro da coluna tomei umas injeçoes pensando ser a coluna.Com uns tres dias acordei com febre de 40 e cuspindo sanque,fui imediatamente para o hospital e quando bati raio x do pulmao ela ja tinha tomado conta do direito por inteiro e mais da metade do esquerdo,passei 12 dias hospitalizada e o medico falou que nao sabe como escapei.Mas ele nao me falou o nome da bacteria.Voce sabe me informar.E para ela nao criar registencia passei um grande periodo de repouso,boa alimentaçao e muito suco

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    Raffa reply on novembro 5th, 2009 17:27:

    Maria Luiza, as bactérias são organismos que podem sofrer mutações diversas em função de sua adaptação a um novo ambiente.
    Por isso, o modo correto de identificá-las é por meio de exames específicos que só os médicos podem receitar.
    O seu caso foi gravíssimo devido a demora que ocorreu até sentir a necessidade de procurar socorro médico.
    Esse é um dos truques de algumas bactérias: ficam camufladas no organismo humano até aniquilá-lo.
    No seu caso ainda deu tempo de ajudar a reação do seu organismo.
    Converse com médicos especialistas em infecções para evitar outras situações tão desagradáveis e muito perigosas.

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