No último quarto do século XX os pesquisadores envolvidos com o processo de ensino e aprendizagem de Física, constataram a necessidade de modificar a questão tradicional de “como melhor ensinar a Física?” para o questionamento mais abrangente de “como melhor compreender a Física?”.
Diante desse novo paradigma, surge a necessidade de definir os processos e os procedimentos necessários para desenvolver a nova abordagem, que não se restringe aos limites da concepção didática.
Dentre os processos apontados com tal perspectiva, a História da Física apresenta importantes características que podem estimular a cognição e promover melhor compreensão crítica do desenvolvimento das interpretações sobre os fenômenos da natureza e dos conceitos físicos inventados para representar esses fenômenos.
Para introduzir a História da Física como um elemento ativo no processo de ensino e aprendizagem – contrariando o uso tradicional de apenas contar fatos relevantes ou curiosos da ciência – é necessário construir novos textos fundamentados no desenvolvimento dos processos científicos que alteraram o conhecimento humano sobre a natureza, ou seja, é preciso contextualizar historicamente as interpretações e os conceitos físicos.
Os resultados dessa alteração ainda não estão incorporados, infelizmente, aos processos de ensino e aprendizagem nas escolas e universidades brasileiras.
Os atuais livros textos destinados aos ensinos médio e universitário, estão ainda em adaptação embrionária e, quase sempre, equivocada, pois apenas incluem alguns textos soltos da História da Física, sem a incorporação ao processo de ensino e aprendizagem. Parecem não compreender que essa modificação de paradigma vai além da simples técnica de ensinar.
No Brasil está constatada por várias instituições públicas a existência do “analfabetismo científico” imperando entre os jovens que terminam o ensino médio e, inclusive, os cursos universitários..
Esse fato voltou às manchetes da mídia brasileira em 2003, após a divulgação do resultado do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), sob a responsabilidade da Unesco, que avalia os conhecimentos básicos de estudantes com 15 anos de idade – idade idealizada para o fim da escolaridade obrigatória. Naquele ano, a segunda participação dos estudantes brasileiros mereceu a quadragésima posição entre 41 países participantes.
Desde então os brasileiros não superaram essa situação e o desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), promovido pelo Ministério de Educação (MEC), corrobora essa avaliação.
Esses resultados não são surpreendentes considerando alguns fatores importantes que estão historicamente arraigados ao comportamento institucional e profissional dos responsáveis pelos programas de ensino no nosso país, tais como o tempo de escolaridade média do brasileiro (abaixo de 5 anos), a falta de formação atualizada dos professores (não há cursos de atualização continuada) e a ausência de interesse em investir na divulgação e na educação científica.
A premissa básica necessária para alterar positivamente esse quadro é a ação efetiva sobre esses fatores através de processos de ensino e aprendizagem eficazes.
É com essa intenção que consideramos a necessidade de construir um processo de atualização dos professores de Física e de Ciências no qual o conhecimento organizado da Física seja discutido mediante textos que insiram a História da Física como elemento vivo no processo de ensino e aprendizagem.
OBS: A foto foi “roubada” do folheto de um concurso literário realizado em 2008, na Escola Normal Superior da Universidade do Estado do Amazonas.