DESAFIOS DA CHINA: A Questão Científica

A responsabilidade no tratamento da questão ambiental na China tem vínculo direto com as prioridades científicas adotadas pela sociedade chinesa (Ver “Desafios da China”).

Uma das principais questões para os observadores externos é:
em que medida o social, o cultural e o político estão moldando e continuarão a moldar, a própria prática de fazer ciência na China.

A legislação proposta no ano passado (2007) com o objetivo de fazer com que os pesquisadores aceitem e admitam as suas falhas, sugere que há equívocos sobre como a ciência funciona, profundamente enraizados em nível institucional – equívocos que sufocam a adoção de riscos e que promovem o corporativismo.

Mas alguns suspeitam que tais esforços cosméticos farão pouco para resolver os problemas criados por uma cultura de pesquisa fortemente hierarquizada, na qual uma imensa pressão para ter sucesso poderia ser vista como uma condição prévia para o surgimento de evidentes abusos, como ocorreu no caso da falsa clonagem apresentada pelo pesquisador Woo Suk Hwang da Coréia do Sul.

Uma questão ainda mais profunda é a de saber se realmente é possível uma cultura científica vibrante sem um compromisso mais generalizado e aprofundado da sociedade chinesa com a liberdade de expressão.

O direito de desafiar a autoridade e para duvidar de tudo é crucial para a pesquisa científica.

No mundo moderno nenhum país pode ter grande atuação científica a menos que seus cientistas possam colaborar com os pesquisadores do resto do mundo.

Um recorde de pobreza em matéria de direitos humanos não vai tornar essa colaboração impossível – mas vai dificultar muito.

Os cientistas, em grande parte, têm um compromisso com os direitos humanos e ficarão felizes de trabalhar com colegas que compartilham esse compromisso.

Talvez seja uma boa notícia que a história do atual sucesso da China continue a ser caracterizada por um pragmatismo sério.

Com certeza, esta atitude algumas vezes pode fazer parecer que tudo é motivado pelo aspecto econômico de mais baixo nível.

Por exemplo, embora seja demasiado cínico sugerir que o aquecimento global e a degradação ambiental agora estão sendo levados a sério só porque consomem o produto interno bruto da China, esta é sem dúvida uma grande razão de preocupação.

Porém, motivados pelo mesmo pragmatismo, as autoridades chinesas estão reconhecendo cada vez mais que valorizar melhor os seus cientistas significa garantir-lhes os financiamentos adequados com a mínima interferência.

Atualmente, muitos pesquisadores do exterior têm ficado surpresos ao verificar que os estudantes chineses graduados e pós-doutores agora estão muito dispostos a desafiar os seus professores.

A exagerada deferência à autoridade claramente está em franco declínio na jovem geração de cientistas da China – e quem sabe até onde irá essa pragmática liberalização?

Entretanto, o resto do mundo poderá certamente se beneficiar da auto-confiança que faz da China não apenas uma imensa fonte de mão-de-obra altamente qualificada, mas a promessa de uma nova ordem de trabalho, transmitindo uma tradição de inovação da Antiguidade quase sem sofisticação.

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