A MULHER!!! Transformando o Mundo…

15 de março de 2010

15/03/2010 09:30
Divorciada aos 10 anos: A incrível história de uma menina chamada Nujood
Eliane Brum

Ela sai de casa para comprar pão para a família. É o único momento que terá. Seu coração bate tão forte e tão rápido que teme que o escutem. Deixa as ruas conhecidas e dirige-se à avenida. Nas mãos, tem o pouco dinheiro que a segunda esposa do pai botou em suas mãos, dinheiro ganho pedindo nas ruas. E o dinheiro do pão, também ganho pedindo nas ruas. Ela é a única criança sem acompanhante. Olha para o chão. Salta para dentro do ônibus junto com a multidão. Escapa.

Quando o ônibus a deixa nas ruas novamente, ela não sabe como vai atravessar a avenida de tráfego insano. Ela nunca fez isso antes. Ela nunca fez tanta coisa antes. Avista o táxi. E faz sinal, como viu sua irmã mais velha fazer um dia. Entra no táxi e diz: “Me leve ao tribunal”. O motorista estranha, mas nada diz. Na corte, há tanta gente, e ela não sabe a quem se dirigir. Então avista a mulher numa mesa e anuncia: “Quero falar com o juiz”.

A mulher faz muitas perguntas. Ela só repete: “Quero falar com o juiz”. Finalmente a mulher a leva até uma sala onde, ao longe, sentado atrás de uma mesa, ela vê um homem parecido com aqueles que viu na televisão do vizinho. Espera a sua vez pensando no mar que sonha conhecer. Ela tem um oceano inteiro na cabeça, como todas as crianças que precisam imaginar para vencer dias em que a sobrevivência é arrancada minuto a minuto. A sala se esvazia. É a sua vez. Ela se posta diante do juiz. Diz:

Quero o divórcio.

Era 2 de abril de 2008. Em Sanaa, capital do Iêmen. Neste dia, Nujood Ali, uma menina de 10 anos, torna-se maior do que qualquer das lendas de sua infância brutalmente interrompida. Sozinha, metida no véu preto das mulheres casadas, ela atravessa um mundo para transformá-lo para sempre.

Sua história em livro, escrita com a ajuda de uma jornalista radicada em Beirute, Delphine Minoui, acaba de ter a versão em inglês lançada nos Estados Unidos – I am Nujood, Age 10 and Divorced (“Eu sou Nujood, 10 anos e divorciada” – Three Rivers Press, 2010).

O que me capturou na história de Nujood, além do extraordinário explícito, foi compreender que tipo de força moveu uma menina de 10 anos a vencer as ruas de uma cidade caótica e séculos de submissão para alcançar a mesa do juiz de um país muçulmano para pedir o divórcio. Quando fazem a ela a pergunta – como você foi capaz? –, a pequena Nujood apenas diz: “Eu não suportava mais”.

Era isso. Ela não suportava mais.

Olho para o globo na minha escrivaninha xerife – tenho um mini que levo a todos os lugares onde trabalho para nunca me esquecer que o mundo é grande e a pequenez não vale nem a pena nem a vida. Quero compreender melhor Nujood. O Iêmen é distante para mim.

As últimas notícias que ouvi sobre esse país tão longe de nós contavam que a Al Qaeda havia transferido sua base de operações terroristas para lá. No passado, os romanos chamavam a região de “Arábia Feliz”, porque suas terras eram as mais férteis e irrigadas da desértica península arábica. A rica rainha de Sabá, citada na Bíblia, era dessa terra solar.

A região teve muitos conquistadores, de turcos otomanos a britânicos. O Iêmen do Norte tornou-se republicano nos anos 60 e sofreu uma sucessão de golpes militares durante os 70. Na mesma época, o Iêmen do Sul tornou-se o único estado comunista do Oriente Médio. Apenas em 1990 o Iêmen fundiu-se em uma só nação, até hoje assolada por conflitos separatistas que já geraram mais de 150 mil refugiados.

Não por acaso a Al Qaeda acha que é uma boa ideia se estabelecer nesse país convulsionado de 23,6 milhões de habitantes: além de preencher os requisitos geográficos, 41% da população é analfabeta, quase metade vive abaixo da linha de pobreza e o desemprego atinge um quarto da força de trabalho.

Nujood é filha de uma dessas famílias abaixo da linha de pobreza. Migrou para a capital, Sanaa, com seus pais e irmãos, depois de serem expulsos de sua aldeia no campo em uma desavença que envolveu o estupro de uma das irmãs mais velhas. Na cidade, o pai perdeu o emprego e não conseguiu outro, os filhos passaram a vender bugigangas e a pedir esmolas nas avenidas, como fazem a maioria de seus vizinhos. Apesar de seu país ter um presidente e uma legislação unificada, o mundo de Nujood é ainda aquele que se curva à tradição e ao poder dos chefes locais. A força dos costumes revela-se no ditado popular: “Se quiser garantir um casamento feliz, case-se com uma menina de 9 anos”.

Não é uma brincadeira. Metade das meninas do Iêmen é casada por seus pais na infância e na adolescência com homens adultos. Quando o pai de Nujood anunciou que a entregara em casamento a um homem de sua aldeia, na faixa dos 30 anos, aos olhos de seu mundo não estava fazendo nada nem errado nem incomum. Mona, a irmã preferida de Nujood, levantou os olhos num movimento que deve ter lhe custado muito e disse: “Ela é muito jovem para se casar”. O pai retrucou: “Muito jovem? Quando o profeta Mohammad desposou Aïsha, ela tinha apenas 9 anos”. Depois, o pai ainda afirmou: “Ele prometeu não tocá-la antes da primeira menstruação”.

Em fevereiro de 2008, dois meses antes de postar-se diante do juiz e mudar um mundo inteiro, Nujood foi casada contra a sua vontade. E levada pelo marido desconhecido de volta à aldeia onde nasceu. Na mesma noite, foi violentada por esse homem cheirando a cebola. Nujood gritou, pediu socorro à sogra, correu e derrubou coisas pelo caminho. Silêncio. Ninguém a acudiu. Quando se sentiu queimar por dentro, e uma dor além do suportável, desmaiou.

No dia seguinte, nua e machucada, foi acordada pela sogra e pela cunhada: “Parabéns!”. E assim seguiram-se as horas de sua nova vida de criança casada, trabalhando na cozinha durante o dia, sendo estuprada e espancada à noite. Maltratada pelas mulheres da família do marido e pelas vizinhas por gritar e chorar nas madrugadas, o que consistia numa rebeldia inaceitável.

No mês seguinte, o marido a levou à capital e consentiu que ela ficasse algumas semanas na casa de sua família. Nujood achou que estaria salva. Mas o pai disse a ela que agora era uma mulher casada e seu lugar era ao lado do marido. Do contrário, estaria jogando na lama a honra da família. A mãe afirmou que a vida de todas as mulheres era assim, que era preciso se resignar e aceitar seu destino.

Com o tempo se esgotando, Nujood descobriu que estava sozinha. Como último recurso, bateu no pobre apartamento onde a segunda esposa do pai vivia com cinco filhos, à custa de pedir esmolas nas ruas. Depois de ouvi-la, a jovem mulher disse: “Você precisa ir ao tribunal”. E fechou as mãos da menina sobre o pouco dinheiro que conseguira naquele dia.

Na manhã seguinte, quando a mãe disse a Nujood que fosse comprar pão para a família, a menina atravessou o mundo e postou-se diante do juiz.
O juiz e seus colegas acolheram Nujood. Shada Nasser, advogada iemenita e ativista dos direitos das mulheres, assumiu sua causa. Um repórter brilhante, Hamed Thabet, e a editora-chefe do jornal Yemen Times, Nadia Abdulaziz al-Saqqaf, fizeram um grande barulho na imprensa, que atravessou as fronteiras e se espalhou pelo Ocidente. Nujood começou a conhecer uma outra face da sociedade iemenita, culta e progressista, onde as mulheres não se sentiam obrigadas a cobrir o rosto e o corpo com niqabs, estudavam e elegiam seus destinos.

Em 15 de abril de 2008 Nujood tornou-se a primeira esposa-criança a obter o divórcio no Iêmen. Hoje, com 12 anos, vive com sua família. No princípio, os pais e os irmãos achavam que ela tinha lançado vergonha sobre seu nome. Agora, que os royalties do livro garantem uma parte do sustento de todos, sua história tornou-se mais palatável. Em casa, não se fala sobre o que aconteceu. O irmão mais velho apenas anuncia, a voz irritada, que mais um jornalista estrangeiro está batendo na porta.

Nujood e sua irmã menor voltaram para a escola. E esta é outra face extraordinária da história de Nujood: depois de toda a violência, ela voltou a ser criança. Mais madura, mais sábia, mais doída, mais livre. Ainda assim, de volta à infância como uma criança que brinca, desenha e sonha.

Como repórter, acompanhei muitas histórias de crianças violadas de todas as maneiras. Percebi que só sobreviviam com chance de ter uma vida àquelas que conseguiam manter dentro de si algo de intacto. Uma parte delas mesmas que seus algozes não conseguiam alcançar. Com essa ínfima parcela íntegra nos confins de si mesmas, quando tinham a sorte de serem salvas, reinventavam uma vida. As que não conseguiam, as que eram violadas por inteiro, podiam seguir respirando, mas estavam mortas. E não há nada mais brutal do que o rosto de uma criança morta que respira.

Ao ler a história de Nujood, penso que com ela se passou algo assim. E, por mais paradoxal que pareça, acredito que ela tenha encontrado forças para sobreviver e para resistir porque era amada por sua família e, mesmo em meio à pobreza e a dificuldades de toda ordem, conheceu momentos de alegria. Pela memória, pela imaginação e pelo sonho, Nujood manteve sua subjetividade intacta. E, por fim, encontrou alguém que a escutou: a segunda esposa do pai, os juízes da corte.

Nujood tornou-se o fio de esperança e de possibilidade onde as meninas casadas do Iêmen podem se agarrar para alcançar um destino novo. Depois de seu exemplo, outras duas garotas, Arwa, de 9 anos, e Rhim, de 12, foram à corte pedir o divórcio. O parlamento iemenita aprovou uma lei proibindo casamentos antes dos 17 anos para ambos os sexos. Ainda que no interior do Iêmen as leis tribais e os costumes pesem mais que a legislação oficial, é um começo promissor. Na vizinha Arábia Saudita, outra criança entregue pelo pai a um homem na faixa dos 50 anos pediu o divórcio. A menina tinha 8 anos.

Este é o momento em que muitos de nós, brasileiros, suspiramos aliviados. Gratos por viver em um país menos arcaico, onde coisas assim não acontecem. O Iêmen, trazido para perto de nós por Nujood, volta a tornar-se borrado no tempo e no espaço, longe e diferente demais para nos reconhecermos nele. Exótico.

Não é o que vejo. Guardadas as enormes diferenças culturais e históricas, há muito de semelhante que deixamos de enxergar. E não apenas a prostituição infantil diante de nossos olhos nas capitais do Nordeste e do Norte, nas estradas que cortam o país, no interior de São Paulo, em todos os lugares.

Não foi o Superior Tribunal de Justiça do Brasil que, em 2009, absolveu o corredor Zequinha Barbosa e seu assessor, Luiz Otávio da Anunciação, acusados de terem feito sexo com três meninas, de 13, 14 e 15 anos, em troca de valores entre R$ 60 e R$ 80? A justificativa: as garotas já eram “prostitutas reconhecidas”. Não foi o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal do Brasil, que em 1996 absolveu um homem que tinha feito sexo com uma garota de 12 anos? O argumento: “Nos nossos dias, não há crianças, mas moças de 12 anos”.

Nessas duas decisões antológicas, é importante assinalar, não estamos falando dos fóruns estropiados dos rincões do Brasil, mas das cortes superiores. Se aplicassem a lógica contida nessas decisões, diante do pedido de Nujood os juízes do Iêmen poderiam argumentar que: 1) casamentos de meninas fazem parte da tradição do país; 2) ela já não era uma virgem, mas uma “esposa reconhecida”; 3) Não existem crianças de 10 anos no Iêmen, mas moças. E, com tantos bons argumentos, poderiam ter despachado Nujood de volta ao inferno. Benditos juízes do “exótico” Iêmen.

Para muitos – como Nujood lá do outro lado do mundo, como milhares aqui –, a Justiça não é o último recurso, mas o único que têm para conter a violência da qual são vítimas. Se ela falha ao deixar de escutar ou tarda demais, arrebenta a vida daquele indivíduo que sofre – e corrompe a todos nós.

Em 2006, busquei investigar um fenômeno novo: as viúvas-crianças do tráfico. Na periferia de Fortaleza, entrevistei uma menina que, se escrevesse um livro como o de Nujood, poderia ter o seguinte título: xxxxxx , 14 anos, viúva, uma filha. Não posso dar o nome sem violar o Estatuto da Criança e do Adolescente. Mas ela estava lá, conversando comigo com a filha nos braços. E sua história foi contada em meu terceiro livro.

A garota vivia com um assaltante viciado em crack por vontade própria. Quando ele foi assassinado, tinha 13 anos e estava grávida. Este não era um drama para ela. A tragédia era voltar para o barraco da família. Tinha escolha? Nenhuma.

Em 1997, numa reportagem sobre incesto, entrevistei uma menina de 12 anos que havia sido estuprada pelo pai numa das maiores cidades do interior do Rio Grande do Sul. Ao longo de seu terrível relato, ela me contou que agora namorava o policial que havia atendido o seu caso. Ou seja: aquele que tinha, oficialmente, como representante do Estado, o dever de defendê-la dos abusos do pai e de qualquer outra violação, botou o pai na cadeia e passou a abusar dela. Eu o denunciei. Mas com certeza não é o único caso.

Conto estas histórias aqui porque não acredito no jornalismo que transforma o outro em exótico. Aquele que permite aos leitores acreditarem que a violência e a injustiça pertencem ao outro – e, neste caso, ao outro do outro lado do mundo. Prefiro que meus leitores não respirem aliviados nem se sintam tão a salvos. O mundo só começa a mudar quando olhamos para dentro de nós – e para o nosso quintal – com a verdade possível.

O que mais me fascina, na história de Nujood, é a força que moveu essa criança de 10 anos a atravessar sozinha a cidade e vencer séculos de opressão para dizer uma frase que continha o mundo inteiro: “Quero o divórcio”. Nujood não dá a si mesma nenhuma qualidade especial. Com sinceridade, ela apenas diz a todos que insistem em compreender o extraordinário que ela contém: “Eu não suportava mais”. Em sua simplicidade, ela não permite que lhe atribuam algo de especial – e então outras meninas não poderiam seguir o mesmo caminho por não possuir este algo a mais.

Acho que é isso que ela também nos dá. Nas pequenas e nas grandes tragédias da vida de cada um de nós – e de nossa comunidade, de nosso país, do planeta – às vezes, tudo o que precisamos dizer para os outros e principalmente para nós mesmos é isso: “Eu não suporto mais”.

Estamos, então, prontos para atravessar a rua de nós mesmos. E mudar nosso pequeno mundo.

ELIANE BRUM
ebrum@edglobo.com.br
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).

Informação Eleitoral: Muito Cuidado com os Politiqueiros

11 de março de 2010

O COTIA RISONHA RI DE QUEM?
José Ribamar Bessa Freire – 07/03/2010 – Diário do Amazonas

José Raphael Siqueira Filho, o "Cotia Risonha", intimida repórter
José Raphael Siqueira Filho, o “Cotia Risonha”, intimida repórter

O juiz aposentado do Tribunal de Justiça do Amazonas, José Raphael Siqueira Filho, carrega, desde sua infância, o apelido de Cotia Risonha. O ‘risonha’ é um enigma. Mas cotia, todo mundo sabe por quê. É que seu colega na escola primária, o Nininho, gostava de se divertir, pedindo-lhe:

- Siqueirinha, repete: paca, tatu, cotia não!

Siqueirinha sempre se confundia e reproduzia a frase inteira. Nem desconfiava que em Epitácio ‘p’ soa. Por isso, todo mundo passou a chamá-lo de Cotia. O apelido colou. Tem tudo a ver com ele. A cotia é um mamífero e ainda por cima roedor, ou seja, gosta de mamar e de roer o que encontra pela frente. Tem as pernas finas, os olhos arregalados e as unhas afiadas e cortantes. Apesar da aparente leseira pra certas coisas, é um animal esperto, que vive fuçando o chão, buscando vorazmente o que comer.

Tudo bem! Está explicada a origem e justificada a propriedade do substantivo ‘cotia’. E o qualificativo ‘risonha’, de onde veio? Em que momento foi acrescentado? De quem, afinal, a Cotia Risonha está rindo? Essas perguntas podem ser respondidas, analisando a amizade do Siqueirinha com Nininho.

Os dois cresceram unha-e-carne, mamando e roendo. Nininho, menino inocente que saiu de Eirunepé para fazer a primeira comunhão na capital, assumiu várias vezes a Prefeitura e o Governo do Estado, com o nome de Amazonino Mendes (PTB, vixe, vixe!). Siqueirinha se tornou juiz, pronunciou algumas sentenças polêmicas e se aposentou. Mas a amizade continuou.

Coisa bonita, a amizade! Para onde vai, Amazonino leva Siqueirinha, indicando-o para diversos cargos, como a presidência da Companhia Energética (CEAM), a presidência do Detran, a Superintendência da Companhia do Estado do Amazonas (CIAMA). Dizem que até o cargo de cônsul honorário da Coréia no Amazonas, exercido por Siqueirinha, foi indicação do amigo. Na atual administração, ele ocupa presidência do Instituto Municipal de Trânsito e Transporte Urbano (IMTT).

Casca de tucumã

Não é uma amizade qualquer, ela está cimentada por interesses comuns e cumplicidades, como conta o combativo vereador Marcelo Ramos (PSB). O ‘Cotia Risonha’ “é o tipo de amigo daqueles que descasca tucumã, que tira o caroço da pupunha e entrega a partida de dominó só para agradar. Também, intimida jornalistas, agride pessoas ou faz qualquer outro trabalho sujo que Amazonino precise”.

Um desses trabalhos ocorreu recentemente. O sorriso de Siqueirinha ganhou contornos enigmáticos de Mona Lisa, quando em julho de 2009 o prefeito Amazonino aumentou inexplicavelmente em 12,5%, a passagem de ônibus em Manaus, que era de R$ 2,00 e subiu para R$2,25. O protesto dos usuários e a proximidade das eleições levaram Amazonino a reduzir, nove meses depois, o aumento para R$2,10.

O prefeito, todo farofeiro, todo bacabeiro, deu, então, uma entrevista coletiva, mas em vez de dizer que estava corrigindo o aumento da passagem, anunciou que estava baixando o seu preço. Parece até a Gol, que em seus vôos está cobrando agora dos passageiros R$10,00 por um sanduíche e R$3,00 por um cafezinho e anunciou cinicamente:

“Viajar agora tem um sabor especial. A Gol não pára de inovar. E para deixar a sua viagem ainda mais gostosa, está oferecendo uma novidade em alguns de seus vôos domésticos: a venda de sanduíches e bebidas. É um novo conceito que a Gol disponibiliza aos passageiros no Brasil”.

Amazonino também não pára de oferecer novidades aos usuários de ônibus, “para deixar a viagem mais gostosa”. Na entrevista em que explicou seu “novo conceito” de tarifas estava ladeado pelo ‘Cotia Risonha’ e pela secretária municipal de Comunicação Social, Celes Calpúrnia Borges Melo, que sem qualquer pudor orientavam os jornalistas: “pergunta isso, pergunta aquilo”. Foi ai que a jovem repórter deste Diário do Amazonas, Vanessa Brito, decidiu perguntar o que está na garganta de todos:

- Quais os critérios para determinar o preço da passagem? Se o prefeito reconhece hoje que o aumento dado em julho do ano passado foi exorbitante, as empresas vão devolver aos usuários de ônibus o que cobrou indevidamente?

A reação da intrépida trupe foi surpreendente. Amazonino suava como se estivesse em uma sauna. O Cotia deixou de sorrir e fuzilou com os olhos a repórter. Tentou impedir que ela se manifestasse. Seu olhar, juro, mete medo. Chamou Celes Calpúrnia e ordenou: “Anota o nome dela”. Calpúrnia – que vergonha! – respondeu: “Ela é do Diário”. Foi tudo gravado e pode ser acessado no You Tube (htttp://bit.ly/agzSQF).

Vanessa, a jovem repórter que encostou o Cotia na parede dizendo – “Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor”, é uma esperança de que o jornalismo no Amazonas não será chapa branca. Siqueirinha ficou com dor de dente, como naquela música que as crianças cantavam: “A cotia está com dor de dente, e é de tanto, tanto, comer doce quente”.

Fioforum cotiae

O amigo Amazonino, no entanto, fez voltar o sorriso do Cotia, segundo denúncia publicada em O Globo (04/03/2010) e pelo Estado de São Paulo, intitulada: “Indenização milionária em Manaus. Desapropriação rende R$6,5 milhões a secretário municipal”. A matéria informa que “o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB) assinou ontem um acordo extrajudicial que permite o pagamento de R$6.577.166,07 ao juiz aposentado Raphael Siqueira, que é secretário municipal e exerce o cargo de presidente do IMTT”.

A notícia está incompleta porque não diz, numa linguagem que um ex-juiz entende, que “hic culum cotiae sibilare”, isto é, aqui é que o fiofó da cotia começa a assoviar. O vereador Marcelo Ramos fez suas contas e descobriu que numa só jogada entre amigos, o Cotia Risonha embolsou muito mais. Foram R$8,5 milhões pagos com dinheiro público, “a título de indenização por um terreno que em momento algum prova que é seu”.

Amanhã, Marcelo Ramos, que é advogado, entra com Ação Popular para solicitar que a dupla Amazonino e Siqueirinha sejam condenados a devolver todo o dinheiro público que embolsaram. Amazonino, em novembro do ano passado, foi cassado pela juíza Maria Eunice, em primeira instância, sob a acusação de comprar votos.

Por quem os sinos dobram? A Cotia Risonha ri de quem? De nós, leitores, que somos otários e estamos repassando para os bolsos de dois espertalhões recursos públicos que deviam ser usados para melhorar os serviços de saúde, educação e transporte. Agora, é rezar para que saia vitoriosa a Ação Popular contra essa operação escandalosa que clama aos céus e pede a Deus vingança.

AMAZONAS – Olimpíada de Astronomia e Astronáutica

12 de fevereiro de 2010

AstronomiaSe depender da iniciativa do mestre em Física da Matéria Condensada pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Walter Esteves de Castro Junior, os estudantes do Amazonas têm tudo para se destacar nas próximas edições da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA).

Pelo terceiro ano consecutivo, o professor teve o projeto “Olimpíada de Astronomia e Astronáutica – Nível Estadual” aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) por meio do Programa de Apoio às Olimpíadas em Ciências no Estado do Amazonas que teve o resultado divulgado na última quarta-feira (10/2).

Segundo Walter Junior, a maior influência do projeto é aproximar a universidade proporcionando desafios aos estudantes dos ensinos fundamental e médio, despertando os interesses pela astronomia e astronáutica. “Ao fim de cada OBA, procuramos identificar os estudantes talentosos na área, preparando-os para as próximas olimpíadas e estimulando-os a seguir carreiras científico-tecnológicas”, destacou.

O projeto receberá recursos no valor de R$ 35 mil (auxilio-pesquisa) e mais R$ 12,8 mil (bolsas) para concretizar as ações programadas para a capital e interior do Estado.

A iniciativa abrange duas etapas: implementar a OBA nos municípios do interior e, na medida do possível, realizar oficinas preparatórias, iniciando ainda em fevereiro a preparação, aqui em Manaus, dos alunos que participam das atividades da Casa da Física na UFAM.

“O apoio da FAPEAM é de fundamental importância, pois o gasto com materiais de consumo está aumentando na proporção direta do aumento no número de participantes. Além disso, sem a participação direta da FAP do Amazonas não tenho como viajar ao interior para divulgar e fazer as oficinas”, esclareceu Walter Junior.

Olimpíada no AM
Astronomia1
O Programa de Apoio às Olimpíadas em Ciências no Estado do Amazonas pretende apoiar a realização das Olimpíadas em Ciências, entendidas como instrumento de melhoria do desempenho dos estudantes do ensino fundamental e médio, e também de identificação de jovens talentosos que possam vir a seguir carreira científico-tecnológica.

A OBA, que em 2010 realizará a 13ª edição nacional, é uma atividade da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e com Furnas Centrais Elétricas S/A. Seu público específico são os estudantes do ensino fundamental e médio em todo o território nacional. Este ano, a Olimpíada será realizada em única etapa no dia 14 de maio.

As provas têm quatro níveis distintos:
- Nível 1, destinada aos alunos participantes regularmente matriculados do 1º ao 3º ano do ensino fundamental, com duas horas de duração;
- Nível 2, destinada aos alunos regularmente matriculados no 4º e 5º ano do ensino fundamental, com duas horas de duração;
- Nível 3, destinada aos alunos participantes regularmente matriculados do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, com três horas de duração;
- Nível 4, destinada aos alunos participantes regularmente matriculados em qualquer ano do ensino médio e com duração de quatro horas.

A correção das provas da OBA é feita pelos próprios professores representantes da OBA e pela equipe de professores sob sua coordenação. Ao final deste processo é selecionada uma equipe para representar o Brasil na correspondente Olimpíada Internacional de Astronomia.

A OBA é de nível nacional e as provas são elaboradas pela coordenação que fica no Rio de Janeiro. O número de participantes cresce a cada ano. Em 2008 foram mais de 400 mil participantes nos quatro níveis.

Luana Gomes e Ulysses Varela – Agência Fapeam

Ai de ti, Ayiti!!!!

15 de janeiro de 2010

Construir esse país e ajudar o seu povo a transformá-lo em nação.

Esse é o desafio para o resto do mundo: demonstrar humanidade responsável com todos os povos habitantes deste planeta.

Se essa responsabilidade não for assumida por todos nós,… ai de nós!

Então, em pleno século XXI, todos nós – confortáveis nas as sociedades eletronicamente avançadas – estaremos assinando um termo de incompetência absoluta no trato da sobrevivência humana neste planeta.

Se formos inconsequentes neste momento de urgente ação humanitária estaremos desqualificando o que nos distingue dos outros animais, retrocedendo na nossa condição humana e… ai de nós… teremos dificuldades para chegar ao século XXII.

Cada lugar será transformado em um Ayiti de hoje, sem ser necessário nenhum terremoto.

Essa mesma ação humanitária deve ser desenvolvida para outras nações como aquelas que – por outros motivos -agonizam na África.

Deveríamos ao menos fazer como disse, certa vez Cristóvan Buarque: todas as crianças deste planeta devem ser patrimônio da humanidade.

Trabalho e Energia Mecânica – Parte II

17 de dezembro de 2009

2 – Trabalho Físico versus Trabalho Mecânico

A partir do momento em que o ser humano usou algo mais rígido que os seus dentes para quebrar algum objeto, começou a se estabelecer a noção de trabalho mecânico: a substituição do trabalho físico realizado pelo ser humano pelo trabalho mecânico realizado por uma máquina com o objetivo de obter melhor resultado no menor tempo possível e com o menor esforço.

Começou a era da preguiça!!!

O uso da pedra, substituída pelos metais para quebrar ou perfurar um corpo, da alavanca para mover um corpo que os músculos não conseguem, do plano inclinado ou da roldana para facilitar o transporte de um corpo entre duas superfícies fora de nível, exemplifica o desenrolar do processo de substituição do trabalho físico pelo mecânico.

Verifica-se essa mesma característica no uso da tração animal para transportar, ou arar, ou mover a pedra mó. Também no uso das correntezas e das quedas d’água, dos moinhos de vento para mover a roda d’água ou a pedra mó.

Essa transição também acontece na navegação com o uso da ação do vento sobre a vela de um barco substituindo o trabalho realizado pelo ser humano para mover o barco com os remos.

SPINTRÔNICA: a vez do Silício – I

16 de dezembro de 2009

Durante décadas, o silício tem sido o material dominante na eletrônica convencional com base no transporte de carga elétrica.

Recente reviravolta no conhecimento desse material está fazendo o silício reunir as condições para entrar no domínio da spintrônica, onde a nova moeda é spin do elétron.

Os computadores modernos apresentam sérios desafios para a eletrônica convencional baseada na tecnologia do silício.

A crescente demanda sobre a velocidade dos processadores, a capacidade das memórias de armazenamento de dados e a potência de consumo estão forçando os pesquisadores a adentrar em territórios ainda não explorados para melhorar o desempenho desses dispositivos.

No âmbito destas iniciativas, APPELBAUM e sua equipe apresentam um desenvolvimento possivelmente decisivo: a primeira demonstração do transporte e manipulação coerente dos spins dos elétrons no silício.

Na eletrônica de spin, ou spintrônica, a informação é representada pelo spin e pela direção da correspondente magnetização.

Os materiais ferromagnéticos, tais como o ferro ou o cobalto, têm uma magnetização finita, porque a maioria dos spins dos elétrons está orientada no mesmo sentido ou em sentido oposto ao eixo de magnetização, dependendo do material.

Essa direção da magnetização persiste sem ação externa, e é, portanto, um estado de energia estável.

Por esse motivo, muitas aplicações da spintrônica baseadas em nanoestruturas de metais ferromagnéticos – tais como os discos rígidos magnéticos e, mais recentemente, as memórias magnéticas de acesso aleatório (MRAMs) – já mostraram o forte alcance comercial.

Porém há outras aplicações – tais como a lógica reprogramável – em que a spintrônica ainda não conseguiu superar muitas dificuldades.

Para que isso aconteça, a spintrônica tem que conquistar o silício, material abundante, barato e entrincheirado na eletrônica convencional com os materiais semicondutores.

Supõe-se que o spin dos elétrons do silício consegue sobreviver por tempo suficientemente longo para permitir a persistência da informação “spin-codificada”, e por isso os dispositivos spintrônicos feitos com silício poderiam oferecer melhorias significativas nos transistores de spin propostos e nos esquemas de computação quântica fundamentados na spintrônica.

No entanto, uma demonstração dos ingredientes básicos da spintrônica – tais como a injeção de spin, o transporte de spin, a manipulação e a detecção de spin – tem sido difícil de realizar no silício.

Então porque o silício resistiu durante tanto tempo, quando outros materiais semicondutores – tais como o arseneto de gálio (GaAs) usado na eletrônica de telefonia celular – se revelaram mais adequados?

A resposta para essa questão será apresentada no próximo poster sobre esse assunto.

Trabalho e Energia Mecânica – Parte I

21 de novembro de 2009

1 – Introdução

A interpretação de Isaac Newton (1642-1727) inventando a força como causa das modificações nos movimentos dos corpos, teve enorme aceitação durante os séculos XVIII e XIX, principalmente porque obteve boas respostas para várias indagações da época estabelecendo o desenvolvimento de uma nova ciência, como anunciara Galileo Galilei (1564-1642), a qual, nesse período, conseguiu modificar substancialmente a estrutura da sociedade européia, principalmente nos aspectos econômico e político.

Mas na Inglaterra do período de Newton, aconteceu a invenção pela via empírica, da primeira máquina a vapor de água para atender a necessidade de retirar água das minas de carvão mineral inundadas, viabilizando economicamente a continuação da extração dessa substância e de outros minerais (ferro, cobre e estanho) das minas cada vez mais profundas.

Essa máquina à vapor deu início, na Inglaterra, ao período econômico europeu denominado de Primeira Revolução Industrial.

Em conseqüência dessas alterações no processo industrial, a Física avançou para além dos conceitos de força e desenvolveu o conceito de energia mecânica.

Naquela época já eram conhecidos vários tipos de máquinas mecânicas simples, muitas concebidas há muito tempo: o plano inclinado, a alavanca, a catapulta, a roldana, a balança, o arco e a flecha, a arma branca. Essas máquinas (ou instrumentos) eram usadas para realizar trabalho mecânico em substituição ao trabalho físico humano, mas o funcionamento de todas ainda dependia da ação muscular do ser humano porque nenhuma delas era movida por transformação física de qualquer substância.

A arma de fogo, talvez desenvolvida pelos árabes e presente na Europa desde o século XIII, provavelmente foi a primeira máquina a funcionar com a transformação físico-química de uma substância – a combustão da pólvora, inventada pelos chineses por volta do ano 1000 d.C – para realizar trabalho mecânico capaz de impulsionar um corpo, a bala, com mais eficiência do que quando é lançada pela mão humana.
A partir do século XVII, as interpretações isoladas de vários fenômenos vão sendo reunidas e os resultados animam os pesquisadores na busca de novas tecnologias. Duas dessas interpretações são a do Torricelli e a do Boyle sucintamente descritas a seguir.

Anterior a Newton, o italiano Evangelista Torricelli (1608-1647) – colaborador de Galileo nos últimos 3 meses de vida deste – não conheceu a interpretação de força e não tinha evidência que a atmosfera do planeta fosse composta de elementos atômicos.

Nessa época, a conceituação de átomo como uma partícula real ainda era embrionária, pois ainda prevalecia a concepção filosófica herdada dos gregos pré-aristotélicos.

Apesar disso, em 1643, Torricelli realizou uma experiência para demonstrar que a atmosfera terrestre exerce uma pressão sobre os corpos e com isso criou o barômetro, um instrumento para medir a pressão atmosférica. Também pré-Newton, o irlandês Robert Boyle (1627-1691) publicou em 1662 o resultado de seus estudos experimentais relacionando a pressão e o volume de um gás contido em um recipiente em função da temperatura do mesmo.

É com base na pressão atmosférica e na relação entre pressão e volume que, por volta de 1670, o francês Denis Papin (1647-1712) e o holandês Christiaan Huygens (1629-1695) realizaram experiências usando a combustão da pólvora para deslocar verticalmente um pistão (êmbolo) dentro de um cilindro fechado.

Primeiro, o pistão é forçado a subir contra o seu próprio peso devido à pressão do ar que é introduzido no cilindro, depois a pólvora é queimada dentro do cilindro causando a rápida diminuição da pressão interna em comparação com a pressão atmosférica e próprio peso, o que força a descida do pistão.

Depois disso Papin teve a idéia de substituir a pólvora por vapor de água produzido por aquecimento dentro do cilindro por baixo do pistão.

O vapor d’água aumenta a pressão interna causando o deslocamento do pistão para cima vencendo a pressão do próprio peso e a pressão atmosférica. A seguir, o pistão é resfriado bruscamente com água a temperatura ambiente para condensar o vapor d’água e, desse modo, diminuir a pressão interna, forçando a rápida descida do pistão (ver figura 01).
Papin-Pistão
Desse modo, foi concebida uma maneira de tornar o movimento do pistão independente da força muscular do ser humano.

Podemos dizer que Papin foi o inventor da “panela de pressão” e da válvula de segurança para evitar a explosão da mesma, em 1679, mas parece que não conseguiu convencer as mulheres daquela época e industrializar a sua máquina de fazer comida.

Outra máquina a vapor d’água inventada em 1712 pelo ferreiro e mecânico inglês Thomas Newcomen (1662-1729) para drenar água das minas de carvão, foi fundamentada no mesmo princípio de funcionamento do pistão de Papin, com três diferenças:

1- o vapor d’água é produzido fora do cilindro e é injetado no interior do mesmo;
2- o movimento vertical deste primeiro pistão é transmitido para outro pistão também dentro de um cilindro fechado, que extrai a água da mina;
3- o funcionamento do sistema é controlado por válvulas que são abertas ou fechadas em sequência estabelecida.

A causa do movimento do primeiro pistão é a introdução de vapor de água por baixo do mesmo para aumentar a pressão dentro do cilindro e fazer o pistão subir contra a pressão do próprio peso e a pressão atmosférica.

Em seguida, o cilindro é resfriado com água (temperatura ambiente) para condensar o vapor d’água dentro do mesmo, diminuindo bruscamente a pressão interna para fazer o pistão descer até a base do cilindro. Depois o processo é repetido, sendo controlado pelo abrir e fechar de válvulas em cada estágio.

A parte externa desse pistão está rigidamente conectada a outro pistão que é obrigado a se mover dentro de outro cilindro fechado e, com esse movimento vai sugando, através de um tubo cilíndrico, a água de dentro da mina (ver figura 02).
Newcomen-MáquinaVapor
Com uma potência de 5,5 HP e bombeando 12 vezes por minuto, a bomba de água de Newcomen puxava cerca de 45 litros de água por vez, da profundidade de até 46 metros.

Em 1763 o mecânico escocês James Watt (1736-1819) foi encarregado de consertar uma máquina de Newcomen e realizou modificações que aumentaram em 4 vezes a eficiência da mesma.

Então conseguiu a patente relativa a essas melhorias e, associando-se a pessoas que tinham dinheiro para investir, montou uma fábrica de bombas d’água.

Em 1781, Watt inventou uma máquina a vapor com movimento de rotação a qual, em 1783, foi aproveitada por Richard Arkwright (1702-1792) para movimentar os teares de suas fábricas de tecidos.

Essa ainda muito lenta evolução empírica da máquina a vapor dá início à primeira revolução industrial na Inglaterra.
Newcomen-MáquinaVapor1

Máquina a Vapor de Newcomen

O funcionamento da máquina a vapor exigiu dos pesquisadores a construção de uma interpretação e conceituação teóricas para descrever o fenômeno do calor, o responsável pela transformação física da substância água para movimentar o pistão.

Foi necessário também compreender melhor a resistência dos materiais sólidos para construir as caldeiras com mais segurança e mais economia.
OBS: A segunda parte desse artigo tratará da construção do conceito de Energia Mecânica.

Sacanagem da nossa Sociedade Falso Moralista

9 de novembro de 2009

Não consigo concordar com as considerações e os termos da decisão contidos no Anúncio Publicitário da Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL – no recente caso da estudante que “provocou” ESTARRECIMENTO (por que não dizer: ESTUPEFACTAÇÃO) naquele “ambiente escolar“.

Não vou me enganchar no disse-me-disse publicado pela imprensa, pois é um labirinto sem saída, provavelmente.

No entanto vou tentar interpretar o Anúncio Oficial, pois este é o único fato concreto até agora.

Inicia com duas frases muito importantes para uma Instituição de Ensino Superior consciente da própria responsabilidade social:

“Responsabilidade educacional”
“A educação se faz com atitude e não complacência”

A partir dessas frases de profundo significado eu esperava uma aula magna de cidadania fundamentada nos princípios constitucionais da liberdade de de ir e vir e de manifestar o pensamento sempre com completa responsabilidade social.

Pura ilusão!

Deparei-me com um boletim de escola privada sem qualificação, repleto de falso moralismo com ranço machista inspirado em épocas de costumes pré-medievais deste planeta (e só em algumas sociedades daquela época).

Amparados “legalmente” por um artigo do Regimento Interno e se apoiando no artigo 207 da Contituição do Brasil, discorrem os “fatos” apurados:

“Foi apurado que a aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade, e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento.”

Na minha opinião, aqui está instalado um absurdo: o “fato apurado” nem resvalou na violência animalesca manifestada “livremente” por todos os que se se sentiram ““aviltados”” pela suposta atitude da estudante.

Outro absurdo: a Instituição não se preocupou em alertar – melhor seria, EDUCAR – a sua comunidade – estudantes, professores e funcionários – para não se “comportar selvagemente” diante de qualquer situação inesperada ou aparentemente inoportuna.

Afinal, nem tudo o que parece ser, o é, pois a interpretação de um fato não deve passar só por um olhar para não se tornar direcionado, parcial e inconsequente.

Além disso, esse trecho da Nota já revela o preconceito entranhado nos dirigentes dessa Instituição: identificam os trajes da estudante como “inadequados” para aquele “ambiente da universidade“.

Quais são os princípios utilizados para definir o que é um traje adequado? Será que devemos institucionalizar a burca como o traje adequado para as mulheres?

Só por esse início da Nota perdi completamente a confiança no resto do conteúdo da mesma e, é claro, o que começa com princípios absurdos continua absurdamente estapafúrdia.

“A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma, explícita, os apelos dos alunos que se manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos.”

A Comissão de Sindicância conseguiu medir o grau de tara sexual que a estudante provocou quando passeou pela Instituição e aumentou a sua exposição, ensejando explicitamente que todos os presentes – homens e mulheres – a estuprassem!!!

Seu comportamento sexual foi tão explicitamente excitante que culminou nas poses para as fotos que os estudantes poderão utilizar para se masturbar nos momentos de tentação e se consolar solitariamente nos momentos de solidão!

Esse é um FATO INÉDITO!!!

E a peregrinação de sexo explícito da estudante continua:

“Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local.”

Agora a estudante se torna um restaurante (universitário?), pois “alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas ” que se aglomeraram no afã de saciar a sede atroz e a fome insana de sexo.

“Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima que havia criado.”

A turba desvairada precisa ser acalmada vendo aquele demônio de estudante com seu corpo adequadamente coberto.

Só pode ser brincadeira de mau gosto! Péssimo gosto!

Nem dá para continuar discorrendo minhas sandices sobre esse “FATO”!

E a decisão de expulsá-la? Por esse “fato“?

É deplorável!

Seria muito mais interessante que todos nós nos concentrássemos com ética plena nas questões centrais do nosso viver educacional: ajudar os nossos jovens a se prepararem para encarar todos os desafios sempre lembrando que todos somos humanos e, como tal, precisamos uns dos outros para sobrevivermos com dignidade.

OBS: O artigo da Constituição citado na Nota estabelece:
“Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.”

Ótica Quântica: imagens fantasmagóricas

21 de outubro de 2009

A técnica de “imagem fantasma” quântica pode ser realizada com a interferência de um único fóton.

A “imagem fantasma” – uma técnica com base na correlação quântica entre os pares de fótons – capacita uma câmera fotográfica para registrar as imagens de objetos que não são diretamente visíveis pela lente da câmera.

Essa tecnologia dá possibilidade de que os satélites artificiais fotografem através de nuvens ou os detectores revelem armas e explosivos escondidos em algum arsenal no planeta.

Em comunicação científica publicada nesta semana, a equipe de Kaige Wang na Universidade Normal de Pequim, mostra que a “imagem fantasma” pode ser produzida através da interferência de único fóton em um interferômetro incoerente.

Estudos recentes têm mostrado que uma fonte térmica de luz pode imitar uma fonte de dois fótons entrelaçados no desempenho de “imagem fantasma”.

Um divisor de luz divide um feixe de luz térmica em dois: um feixe ilumina o objeto e o outro feixe serve como uma referência.

É possível reconstruir uma imagem do objeto através de medidas da intensidade de correlação desses dois feixes de luz.

O interferômetro dos pesquisadores é baseado em um conceito semelhante: um divisor de “feixe de entrada” divide um feixe de luz incoerente em dois e os espelhos desviam os feixes de luz de modo que a interferência ocorra em um divisor do “feixe de saída”.

Os pesquisadores reconstruíram com sucesso a imagem de um objeto através do padrão de intensidade da interferência (veja as imagens: a foto original (acima) e a foto reconstruída (abaixo)).ImagemFantasma

A análise teórica mostra que a “imagem fantasma” envolve a correlação de campo de primeira ordem e, como resultado, pode ser realizada através da interferência de um único fóton.

Referência:
Gao, L. et al. Correlated imaging with one-photon interference. Phys. Rev. A 80, 021806 (2009).

HAYDÉE MERCEDES SOSA: La Negra de Arte Corajosa

7 de outubro de 2009

Tuya voz valiente e la canción profunda de Violeta Parra sigue a brotar en nuestros corazones “como el musguito en la piedra…”

Volver a los diecisiete(Violeta Parra) (1964-1965)

Volver a los diecisiete
después de vivir un siglo
es como descifrar signos
sin ser sabio competente,
volver a ser de repente
tan frágil como un segundo,
volver a sentir profundo
como un niño frente a Dios,
eso es lo que siento yo
en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando,
como en el muro la hiedra,
y va brotando, brotando,
como el musguito en la piedra.
Ay si si si

Mi paso retrocedido
cuando el de ustedes avanza,
el arco de las alianzas
ha penetrado en mi nido,
con todo su colorido
se ha paseado por mis venas
y hasta las duras cadenas
con que nos ata el destino
es como un diamante fino
que alumbra mi alma serena.

Lo que puede el sentimiento
no lo ha podido el saber,
ni el mas claro proceder
ni el más ancho pensamiento,
todo lo cambia el momento
cual mago condescendiente,
nos aleja dulcemente
de rencores y violencias,
sólo el amor con su ciencia
nos vuelve tan inocentes.

El amor es torbellino
de pureza original,
hasta el feroz animal
susurra su dulce trino,
detiene a los peregrinos,
libera a los prisioneros,
el amor con sus esmeros
al viejo lo vuelve niño
y al malo solo el cariño
lo vuelve puro y sincero.

De par en par la ventana
se abrió como por encanto,
entró el amor con su manto
como una tibia mañana,
al son de su bella diana
hizo brotar el jazmln,
volando cual serafín
al cielo le puso aretes
y mis años en diecisiete
los convirtió el querubín.

“Gracias a la vida, que me ha dado tanto…”

SAUDADES!!!! Muitas SAUDADES!!!!

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