Rio Mar! Mar Dulce!
Foi o sentimento de surpresa manifestado pelos primeiros europeus que por estas terras se aventuraram.
Dessa época não conhecemos nenhum registro dos períodos de cheias dos rios da Amazônia, onde a quantidade de água da maioria desses rios já impressiona mesmo em períodos normais depois da vazante.
Dos registros já realizados no século XX na cidade de Manaus, o maior nível do rio Negro – forte afluente do rio Amazonas – foi atingido no ano de 1953: 29,69 metros acima.
Outra grande enchente aconteceu em 1976, quando o nível alcançado foi de 29, 61 metros.
Naqueles anos as águas de todos os rios transbordaram por cima de todos as barreiras naturais ou não, causando enorme prejuízo a todo a população.
Este ano, 2009, essa marca está seriamente ameaçada, pois hoje, início do mês de maio o nível das águas do rio Negro já alcança os 28,83 metros.
Mesmo que isso não aconteça, infelizmente os prejuízos continuam sendo imensos, principalmente para os habitantes das margens dos rios: os ribeirinhos.
Além de perderem a colheita da época (melancia, juta, macacheira, banana, hotaliças etc…) incluindo as poucas criações de animais domésticos, perdem o bem mais precioso: a casa onde vivem.
Ainda por cima a maioria desses ribeirinhos fica mais ilhada do que já é normalmente, sem ou com muita dificuldade de acesso a alimentação, a saúde e a escola.
Nesses casos, em geral as pessoas idosas e crianças são as mais prejudicadas.
É claro que sempre surge a célebre argumentação: se a enchente sempre acontece, por que essas pessoas não se previnem? Não é assim que fazem os povos que vivem nas regiões mais frias do planeta? Armazenam lenha, comida e agasalhos para os dias mais frios do ano?
Para quem não conhece a região, parece lógica essa argumentação.
Porém as enchentes como a de 1953 e a deste ano não são frequentes e, para melhor desarmar a lógica apresentada, para a grande maioria dos ribeirinhos não há terra seca para onde ir, pois tudo fica alagado.
A Amazônia se torna um MAR de água doce, literalmente, pois é realmente uma planura só.
Um olhada de avião dá a impressão que não há solo onde aterrissar.
É muito complexo buscar soluções eficazes em outras regiões: aqui não é frio, por isso para conservar o alimento é preciso ter geladeira, a qual precisa de energia elétrica e a energia elétrica… não tem, porque não é fácil estender rede elétrica ao longo do rio.
Aproveitando a tecnologia atual – inexistente em 1953 – o que a nossa sociedade tem obrigação de providenciar são esquemas preventivos:
1- um setor meteorológico eficiente para prever com eficácia e antecipadamente a ocorrência desse tipo de fenômeno;
2- articulação dos governos locais – estadual e municipal - com apoio logístico eficaz para a retirada estratégica dos moradores das regiões ribeirinhas, antes que sejam atingidos pela ocorrência e a situação passe a ser de emergência e calamidade só ouvida pelos gritos de SOCORRO!!!
É desse modo que agem os governos dos povos das regiões frias do planeta: quando há previsão de ameaça de nevasca ou de avalanches de neve – boa parte da população vive aos pés das montanhas – os esquemas articulados funcionam e as pessoas são rapidamente retiradas desses locais antes que a situação se torne calamitosa.
Chega de tanto abandono!!!