Ai de ti, Ayiti!!!!

15 de janeiro de 2010

Construir esse país e ajudar o seu povo a transformá-lo em nação.

Esse é o desafio para o resto do mundo: demonstrar humanidade responsável com todos os povos habitantes deste planeta.

Se essa responsabilidade não for assumida por todos nós,… ai de nós!

Então, em pleno século XXI, todos nós – confortáveis nas as sociedades eletronicamente avançadas – estaremos assinando um termo de incompetência absoluta no trato da sobrevivência humana neste planeta.

Se formos inconsequentes neste momento de urgente ação humanitária estaremos desqualificando o que nos distingue dos outros animais, retrocedendo na nossa condição humana e… ai de nós… teremos dificuldades para chegar ao século XXII.

Cada lugar será transformado em um Ayiti de hoje, sem ser necessário nenhum terremoto.

Essa mesma ação humanitária deve ser desenvolvida para outras nações como aquelas que – por outros motivos -agonizam na África.

Deveríamos ao menos fazer como disse, certa vez Cristóvan Buarque: todas as crianças deste planeta devem ser patrimônio da humanidade.

Trabalho e Energia Mecânica – Parte II

17 de dezembro de 2009

2 – Trabalho Físico versus Trabalho Mecânico

A partir do momento em que o ser humano usou algo mais rígido que os seus dentes para quebrar algum objeto, começou a se estabelecer a noção de trabalho mecânico: a substituição do trabalho físico realizado pelo ser humano pelo trabalho mecânico realizado por uma máquina com o objetivo de obter melhor resultado no menor tempo possível e com o menor esforço.

Começou a era da preguiça!!!

O uso da pedra, substituída pelos metais para quebrar ou perfurar um corpo, da alavanca para mover um corpo que os músculos não conseguem, do plano inclinado ou da roldana para facilitar o transporte de um corpo entre duas superfícies fora de nível, exemplifica o desenrolar do processo de substituição do trabalho físico pelo mecânico.

Verifica-se essa mesma característica no uso da tração animal para transportar, ou arar, ou mover a pedra mó. Também no uso das correntezas e das quedas d’água, dos moinhos de vento para mover a roda d’água ou a pedra mó.

Essa transição também acontece na navegação com o uso da ação do vento sobre a vela de um barco substituindo o trabalho realizado pelo ser humano para mover o barco com os remos.

SPINTRÔNICA: a vez do Silício – I

16 de dezembro de 2009

Durante décadas, o silício tem sido o material dominante na eletrônica convencional com base no transporte de carga elétrica.

Recente reviravolta no conhecimento desse material está fazendo o silício reunir as condições para entrar no domínio da spintrônica, onde a nova moeda é spin do elétron.

Os computadores modernos apresentam sérios desafios para a eletrônica convencional baseada na tecnologia do silício.

A crescente demanda sobre a velocidade dos processadores, a capacidade das memórias de armazenamento de dados e a potência de consumo estão forçando os pesquisadores a adentrar em territórios ainda não explorados para melhorar o desempenho desses dispositivos.

No âmbito destas iniciativas, APPELBAUM e sua equipe apresentam um desenvolvimento possivelmente decisivo: a primeira demonstração do transporte e manipulação coerente dos spins dos elétrons no silício.

Na eletrônica de spin, ou spintrônica, a informação é representada pelo spin e pela direção da correspondente magnetização.

Os materiais ferromagnéticos, tais como o ferro ou o cobalto, têm uma magnetização finita, porque a maioria dos spins dos elétrons está orientada no mesmo sentido ou em sentido oposto ao eixo de magnetização, dependendo do material.

Essa direção da magnetização persiste sem ação externa, e é, portanto, um estado de energia estável.

Por esse motivo, muitas aplicações da spintrônica baseadas em nanoestruturas de metais ferromagnéticos – tais como os discos rígidos magnéticos e, mais recentemente, as memórias magnéticas de acesso aleatório (MRAMs) – já mostraram o forte alcance comercial.

Porém há outras aplicações – tais como a lógica reprogramável – em que a spintrônica ainda não conseguiu superar muitas dificuldades.

Para que isso aconteça, a spintrônica tem que conquistar o silício, material abundante, barato e entrincheirado na eletrônica convencional com os materiais semicondutores.

Supõe-se que o spin dos elétrons do silício consegue sobreviver por tempo suficientemente longo para permitir a persistência da informação “spin-codificada”, e por isso os dispositivos spintrônicos feitos com silício poderiam oferecer melhorias significativas nos transistores de spin propostos e nos esquemas de computação quântica fundamentados na spintrônica.

No entanto, uma demonstração dos ingredientes básicos da spintrônica – tais como a injeção de spin, o transporte de spin, a manipulação e a detecção de spin – tem sido difícil de realizar no silício.

Então porque o silício resistiu durante tanto tempo, quando outros materiais semicondutores – tais como o arseneto de gálio (GaAs) usado na eletrônica de telefonia celular – se revelaram mais adequados?

A resposta para essa questão será apresentada no próximo poster sobre esse assunto.

Trabalho e Energia Mecânica – Parte I

21 de novembro de 2009

1 – Introdução

A interpretação de Isaac Newton (1642-1727) inventando a força como causa das modificações nos movimentos dos corpos, teve enorme aceitação durante os séculos XVIII e XIX, principalmente porque obteve boas respostas para várias indagações da época estabelecendo o desenvolvimento de uma nova ciência, como anunciara Galileo Galilei (1564-1642), a qual, nesse período, conseguiu modificar substancialmente a estrutura da sociedade européia, principalmente nos aspectos econômico e político.

Mas na Inglaterra do período de Newton, aconteceu a invenção pela via empírica, da primeira máquina a vapor de água para atender a necessidade de retirar água das minas de carvão mineral inundadas, viabilizando economicamente a continuação da extração dessa substância e de outros minerais (ferro, cobre e estanho) das minas cada vez mais profundas.

Essa máquina à vapor deu início, na Inglaterra, ao período econômico europeu denominado de Primeira Revolução Industrial.

Em conseqüência dessas alterações no processo industrial, a Física avançou para além dos conceitos de força e desenvolveu o conceito de energia mecânica.

Naquela época já eram conhecidos vários tipos de máquinas mecânicas simples, muitas concebidas há muito tempo: o plano inclinado, a alavanca, a catapulta, a roldana, a balança, o arco e a flecha, a arma branca. Essas máquinas (ou instrumentos) eram usadas para realizar trabalho mecânico em substituição ao trabalho físico humano, mas o funcionamento de todas ainda dependia da ação muscular do ser humano porque nenhuma delas era movida por transformação física de qualquer substância.

A arma de fogo, talvez desenvolvida pelos árabes e presente na Europa desde o século XIII, provavelmente foi a primeira máquina a funcionar com a transformação físico-química de uma substância – a combustão da pólvora, inventada pelos chineses por volta do ano 1000 d.C – para realizar trabalho mecânico capaz de impulsionar um corpo, a bala, com mais eficiência do que quando é lançada pela mão humana.
A partir do século XVII, as interpretações isoladas de vários fenômenos vão sendo reunidas e os resultados animam os pesquisadores na busca de novas tecnologias. Duas dessas interpretações são a do Torricelli e a do Boyle sucintamente descritas a seguir.

Anterior a Newton, o italiano Evangelista Torricelli (1608-1647) – colaborador de Galileo nos últimos 3 meses de vida deste – não conheceu a interpretação de força e não tinha evidência que a atmosfera do planeta fosse composta de elementos atômicos.

Nessa época, a conceituação de átomo como uma partícula real ainda era embrionária, pois ainda prevalecia a concepção filosófica herdada dos gregos pré-aristotélicos.

Apesar disso, em 1643, Torricelli realizou uma experiência para demonstrar que a atmosfera terrestre exerce uma pressão sobre os corpos e com isso criou o barômetro, um instrumento para medir a pressão atmosférica. Também pré-Newton, o irlandês Robert Boyle (1627-1691) publicou em 1662 o resultado de seus estudos experimentais relacionando a pressão e o volume de um gás contido em um recipiente em função da temperatura do mesmo.

É com base na pressão atmosférica e na relação entre pressão e volume que, por volta de 1670, o francês Denis Papin (1647-1712) e o holandês Christiaan Huygens (1629-1695) realizaram experiências usando a combustão da pólvora para deslocar verticalmente um pistão (êmbolo) dentro de um cilindro fechado.

Primeiro, o pistão é forçado a subir contra o seu próprio peso devido à pressão do ar que é introduzido no cilindro, depois a pólvora é queimada dentro do cilindro causando a rápida diminuição da pressão interna em comparação com a pressão atmosférica e próprio peso, o que força a descida do pistão.

Depois disso Papin teve a idéia de substituir a pólvora por vapor de água produzido por aquecimento dentro do cilindro por baixo do pistão.

O vapor d’água aumenta a pressão interna causando o deslocamento do pistão para cima vencendo a pressão do próprio peso e a pressão atmosférica. A seguir, o pistão é resfriado bruscamente com água a temperatura ambiente para condensar o vapor d’água e, desse modo, diminuir a pressão interna, forçando a rápida descida do pistão (ver figura 01).
Papin-Pistão
Desse modo, foi concebida uma maneira de tornar o movimento do pistão independente da força muscular do ser humano.

Podemos dizer que Papin foi o inventor da “panela de pressão” e da válvula de segurança para evitar a explosão da mesma, em 1679, mas parece que não conseguiu convencer as mulheres daquela época e industrializar a sua máquina de fazer comida.

Outra máquina a vapor d’água inventada em 1712 pelo ferreiro e mecânico inglês Thomas Newcomen (1662-1729) para drenar água das minas de carvão, foi fundamentada no mesmo princípio de funcionamento do pistão de Papin, com três diferenças:

1- o vapor d’água é produzido fora do cilindro e é injetado no interior do mesmo;
2- o movimento vertical deste primeiro pistão é transmitido para outro pistão também dentro de um cilindro fechado, que extrai a água da mina;
3- o funcionamento do sistema é controlado por válvulas que são abertas ou fechadas em sequência estabelecida.

A causa do movimento do primeiro pistão é a introdução de vapor de água por baixo do mesmo para aumentar a pressão dentro do cilindro e fazer o pistão subir contra a pressão do próprio peso e a pressão atmosférica.

Em seguida, o cilindro é resfriado com água (temperatura ambiente) para condensar o vapor d’água dentro do mesmo, diminuindo bruscamente a pressão interna para fazer o pistão descer até a base do cilindro. Depois o processo é repetido, sendo controlado pelo abrir e fechar de válvulas em cada estágio.

A parte externa desse pistão está rigidamente conectada a outro pistão que é obrigado a se mover dentro de outro cilindro fechado e, com esse movimento vai sugando, através de um tubo cilíndrico, a água de dentro da mina (ver figura 02).
Newcomen-MáquinaVapor
Com uma potência de 5,5 HP e bombeando 12 vezes por minuto, a bomba de água de Newcomen puxava cerca de 45 litros de água por vez, da profundidade de até 46 metros.

Em 1763 o mecânico escocês James Watt (1736-1819) foi encarregado de consertar uma máquina de Newcomen e realizou modificações que aumentaram em 4 vezes a eficiência da mesma.

Então conseguiu a patente relativa a essas melhorias e, associando-se a pessoas que tinham dinheiro para investir, montou uma fábrica de bombas d’água.

Em 1781, Watt inventou uma máquina a vapor com movimento de rotação a qual, em 1783, foi aproveitada por Richard Arkwright (1702-1792) para movimentar os teares de suas fábricas de tecidos.

Essa ainda muito lenta evolução empírica da máquina a vapor dá início à primeira revolução industrial na Inglaterra.
Newcomen-MáquinaVapor1

Máquina a Vapor de Newcomen

O funcionamento da máquina a vapor exigiu dos pesquisadores a construção de uma interpretação e conceituação teóricas para descrever o fenômeno do calor, o responsável pela transformação física da substância água para movimentar o pistão.

Foi necessário também compreender melhor a resistência dos materiais sólidos para construir as caldeiras com mais segurança e mais economia.
OBS: A segunda parte desse artigo tratará da construção do conceito de Energia Mecânica.

Sacanagem da nossa Sociedade Falso Moralista

9 de novembro de 2009

Não consigo concordar com as considerações e os termos da decisão contidos no Anúncio Publicitário da Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL – no recente caso da estudante que “provocou” ESTARRECIMENTO (por que não dizer: ESTUPEFACTAÇÃO) naquele “ambiente escolar“.

Não vou me enganchar no disse-me-disse publicado pela imprensa, pois é um labirinto sem saída, provavelmente.

No entanto vou tentar interpretar o Anúncio Oficial, pois este é o único fato concreto até agora.

Inicia com duas frases muito importantes para uma Instituição de Ensino Superior consciente da própria responsabilidade social:

“Responsabilidade educacional”
“A educação se faz com atitude e não complacência”

A partir dessas frases de profundo significado eu esperava uma aula magna de cidadania fundamentada nos princípios constitucionais da liberdade de de ir e vir e de manifestar o pensamento sempre com completa responsabilidade social.

Pura ilusão!

Deparei-me com um boletim de escola privada sem qualificação, repleto de falso moralismo com ranço machista inspirado em épocas de costumes pré-medievais deste planeta (e só em algumas sociedades daquela época).

Amparados “legalmente” por um artigo do Regimento Interno e se apoiando no artigo 207 da Contituição do Brasil, discorrem os “fatos” apurados:

“Foi apurado que a aluna tem frequentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade, e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento.”

Na minha opinião, aqui está instalado um absurdo: o “fato apurado” nem resvalou na violência animalesca manifestada “livremente” por todos os que se se sentiram ““aviltados”” pela suposta atitude da estudante.

Outro absurdo: a Instituição não se preocupou em alertar – melhor seria, EDUCAR – a sua comunidade – estudantes, professores e funcionários – para não se “comportar selvagemente” diante de qualquer situação inesperada ou aparentemente inoportuna.

Afinal, nem tudo o que parece ser, o é, pois a interpretação de um fato não deve passar só por um olhar para não se tornar direcionado, parcial e inconsequente.

Além disso, esse trecho da Nota já revela o preconceito entranhado nos dirigentes dessa Instituição: identificam os trajes da estudante como “inadequados” para aquele “ambiente da universidade“.

Quais são os princípios utilizados para definir o que é um traje adequado? Será que devemos institucionalizar a burca como o traje adequado para as mulheres?

Só por esse início da Nota perdi completamente a confiança no resto do conteúdo da mesma e, é claro, o que começa com princípios absurdos continua absurdamente estapafúrdia.

“A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma, explícita, os apelos dos alunos que se manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos.”

A Comissão de Sindicância conseguiu medir o grau de tara sexual que a estudante provocou quando passeou pela Instituição e aumentou a sua exposição, ensejando explicitamente que todos os presentes – homens e mulheres – a estuprassem!!!

Seu comportamento sexual foi tão explicitamente excitante que culminou nas poses para as fotos que os estudantes poderão utilizar para se masturbar nos momentos de tentação e se consolar solitariamente nos momentos de solidão!

Esse é um FATO INÉDITO!!!

E a peregrinação de sexo explícito da estudante continua:

“Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local.”

Agora a estudante se torna um restaurante (universitário?), pois “alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas ” que se aglomeraram no afã de saciar a sede atroz e a fome insana de sexo.

“Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima que havia criado.”

A turba desvairada precisa ser acalmada vendo aquele demônio de estudante com seu corpo adequadamente coberto.

Só pode ser brincadeira de mau gosto! Péssimo gosto!

Nem dá para continuar discorrendo minhas sandices sobre esse “FATO”!

E a decisão de expulsá-la? Por esse “fato“?

É deplorável!

Seria muito mais interessante que todos nós nos concentrássemos com ética plena nas questões centrais do nosso viver educacional: ajudar os nossos jovens a se prepararem para encarar todos os desafios sempre lembrando que todos somos humanos e, como tal, precisamos uns dos outros para sobrevivermos com dignidade.

OBS: O artigo da Constituição citado na Nota estabelece:
“Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.”

Ótica Quântica: imagens fantasmagóricas

21 de outubro de 2009

A técnica de “imagem fantasma” quântica pode ser realizada com a interferência de um único fóton.

A “imagem fantasma” – uma técnica com base na correlação quântica entre os pares de fótons – capacita uma câmera fotográfica para registrar as imagens de objetos que não são diretamente visíveis pela lente da câmera.

Essa tecnologia dá possibilidade de que os satélites artificiais fotografem através de nuvens ou os detectores revelem armas e explosivos escondidos em algum arsenal no planeta.

Em comunicação científica publicada nesta semana, a equipe de Kaige Wang na Universidade Normal de Pequim, mostra que a “imagem fantasma” pode ser produzida através da interferência de único fóton em um interferômetro incoerente.

Estudos recentes têm mostrado que uma fonte térmica de luz pode imitar uma fonte de dois fótons entrelaçados no desempenho de “imagem fantasma”.

Um divisor de luz divide um feixe de luz térmica em dois: um feixe ilumina o objeto e o outro feixe serve como uma referência.

É possível reconstruir uma imagem do objeto através de medidas da intensidade de correlação desses dois feixes de luz.

O interferômetro dos pesquisadores é baseado em um conceito semelhante: um divisor de “feixe de entrada” divide um feixe de luz incoerente em dois e os espelhos desviam os feixes de luz de modo que a interferência ocorra em um divisor do “feixe de saída”.

Os pesquisadores reconstruíram com sucesso a imagem de um objeto através do padrão de intensidade da interferência (veja as imagens: a foto original (acima) e a foto reconstruída (abaixo)).ImagemFantasma

A análise teórica mostra que a “imagem fantasma” envolve a correlação de campo de primeira ordem e, como resultado, pode ser realizada através da interferência de um único fóton.

Referência:
Gao, L. et al. Correlated imaging with one-photon interference. Phys. Rev. A 80, 021806 (2009).

HAYDÉE MERCEDES SOSA: La Negra de Arte Corajosa

7 de outubro de 2009

Tuya voz valiente e la canción profunda de Violeta Parra sigue a brotar en nuestros corazones “como el musguito en la piedra…”

Volver a los diecisiete(Violeta Parra) (1964-1965)

Volver a los diecisiete
después de vivir un siglo
es como descifrar signos
sin ser sabio competente,
volver a ser de repente
tan frágil como un segundo,
volver a sentir profundo
como un niño frente a Dios,
eso es lo que siento yo
en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando,
como en el muro la hiedra,
y va brotando, brotando,
como el musguito en la piedra.
Ay si si si

Mi paso retrocedido
cuando el de ustedes avanza,
el arco de las alianzas
ha penetrado en mi nido,
con todo su colorido
se ha paseado por mis venas
y hasta las duras cadenas
con que nos ata el destino
es como un diamante fino
que alumbra mi alma serena.

Lo que puede el sentimiento
no lo ha podido el saber,
ni el mas claro proceder
ni el más ancho pensamiento,
todo lo cambia el momento
cual mago condescendiente,
nos aleja dulcemente
de rencores y violencias,
sólo el amor con su ciencia
nos vuelve tan inocentes.

El amor es torbellino
de pureza original,
hasta el feroz animal
susurra su dulce trino,
detiene a los peregrinos,
libera a los prisioneros,
el amor con sus esmeros
al viejo lo vuelve niño
y al malo solo el cariño
lo vuelve puro y sincero.

De par en par la ventana
se abrió como por encanto,
entró el amor con su manto
como una tibia mañana,
al son de su bella diana
hizo brotar el jazmln,
volando cual serafín
al cielo le puso aretes
y mis años en diecisiete
los convirtió el querubín.

“Gracias a la vida, que me ha dado tanto…”

SAUDADES!!!! Muitas SAUDADES!!!!

http://www.cancioneros.com

AMIGO, nem sei o que dizer…

17 de setembro de 2009

O NETO DA VOVÓ

De onde é que tio Eduardo tirou aquele nome? Ninguém sabe. Mas da Bíblia, que ele lia diariamente, não foi. Não existe, nem no Antigo nem no Novo Testamento, profeta, apóstolo, evangelista ou santo chamado Heyrton.

Foi, porém, com esse nome raro – Heyrton – que batizou o filho, pimbudo e ligeiramente estrábico, nascido em 1937, num seringal em Sena Madureira (Acre). O primogênito encabeçou uma lista de quarenta netos da vovó Marelisa, reinando durante algum tempo, soberano, como primeiro e único, até o nascimento dos demais.

Quase todo mundo tem apelido. Mas, engraçado, o Heyrton não! É fácil explicar. Um dos irmãos dele, por exemplo, reconhecido internacionalmente pelo nome artístico de Djwery Power, seria um ilustre desconhecido, se fosse apenas um Geraldo qualquer. Isso porque, em toda família que se preza, há sempre um Geraldo. Djwery Power, porém, só tem um. Aqui, o apelido é que confere a singularidade, a notoriedade.

Não é o caso do Heyrton, que carece de apelido, posto que só três seres no planeta – e olhe lá! – giram a cabeça, quando escutam esse nome: os dois Heyrton, pai e filho, e um cachorro de raça, na Bélgica que, por sua fidelidade e beleza, deu origem ao “Troféu Heyrton da Planície de Flandres”, se o Google não mente.

Na boléia

Aos quatro anos, sem ter freqüentado escola, Heyrton olhou uma placa e soletrou em voz alta: E-pa-mi-non-das, nome da avenida que corta a rua Monsenhor Coutinho, no centro de Manaus, onde vovó morava, num casarão com porão e jardim. Assombrou a família. Passou a ser atração dos vizinhos, lendo manchetes do Jornal do Commércio, como a notícia do bombardeio de Pearl Harbor pelos japoneses, em dezembro de 1941.

Foi assim que os netos cresceram, ouvindo essas e outras façanhas, enriquecidas ao longo do tempo com novos detalhes, recriados nas reuniões familiares, que eram muitas, naquela Manaus dos anos 1950, onde as famílias viviam tribalmente. A casa da vovó era uma grande maloca, com cheiro de tabaco do cachimbo, que ela pitava, e de café, que ela pessoalmente pilava. Ora tibis! Como era bom o cheiro da vovó!

Maloca aglutinadora. Ela unia e reunia a tribo. Nas noites quentes de Manaus, enquanto os adultos discutiam a empresa de ônibus estatal Transportamazon, criada pelo PTB local, os netos de todas as idades se aboletavam na carroceria de uma fubica do tio Manoel, dirigida pelo Heyrton, já com 18 anos, olhado por todos com reverência e admiração. A fubica descia a João Coelho e subia o boulevard até a Caixa D´Água, no meio de muita algazarra. Era uma senhora aventura! O lugar dele, na boléia, nunca foi questionado.

Logo depois, Heyrton encontrou Rosilene, paixão fulminante, com quem casou, levando a sério o “até-que-a-morte-nos-separe”. Quando o genro predileto, anos mais tarde, lhe prestou homenagem, batizando suas próprias úlceras – eram duas – com os nomes de Rose, uma, e de Lene, a outra, o sogro fez um comentário matemático: “É. Ela vale mesmo por duas”.

Graduado em química, Heyrton fez a pós-graduação em física, na Universidade Federal do Paraná, onde nasceu a primeira filha. De regresso a Manaus, trabalhou como pesquisador do INPA e de lá saiu, concursado, para lecionar física na Universidade Federal do Amazonas e na Escola Técnica Federal de Manaus. Suas aulas inesquecíveis lhe renderam homenagem dos alunos, que batizaram, com o nome dele, o Laboratório de Iniciação Científica.

Era seresteiro. Tocava violão e piano. Foi a primeira pessoa que ouvi cantar em espanhol: “Malagueeeeeeeña, salerosa”. Depois, a partir dos anos 1970, as noitadas de dominó e as conversas regadas à cervejinha, que ele tanto apreciava, foram tecendo relações sólidas de afeto e cumplicidade. Deixamos de ser primos. Passamos a ser irmãos, compartilhando reflexões, entre outras, sobre a educação dos filhos.

Defendeu com pensamentos, palavras e obras o direito de cada um decidir sobre sua própria vida, sobretudo seus filhos, cuja liberdade de escolha foi sempre por ele estimulada. Era um compromisso radical, que os meninos souberam apreciar e valorizar. Mas não abdicava do seu lugar na boléia: – “Baixinha, vamos combinar assim: você cuida do teu câncer, que eu cuido do meu” – ele disse pra filha mais velha, com câncer de mama, que tentava, no desespero, encaminhar o tratamento do pai.

Estou indo

No início dos anos 1990 – ele já aposentado – nossas famílias mudaram para Niterói, de onde essa coluna passou a ser remetida semanalmente até os dias de hoje. Ele dizia que era um caso singular, alguém ter que andar quase dois quilômetros – a distância entre nossas casas – para se comunicar via internet. É que, analfabeto digital, eu lhe levava um disquete com a crônica semanal. Ele me hospedava na sua home-page – Cidade Virtual dos Bessa e Birutério – e era de lá que repassávamos o artigo.

A coluna, antes de ser enviada ao jornal, era lida por ele, a quem eu solicitava críticas, argumentando: – “É para o controle de qualidade”. Suas observações, quase sempre incorporadas, me davam segurança. Heyrton tinha um raciocínio lógico, científico, rigoroso, que usava para olhar o mundo, os fatos, o cotidiano, com a precisão de um cirurgião ou de um relojoeiro, mas com um humor discreto, elegante, comedido, refinado. Era enxuto, não apreciava a verborragia nem a retórica ribombante.

Um dia, em julho de 1995, a coluna fez gozação com o prefeito de Manaus. Aí, um vereador puxa-saco, que sequer havia sido mencionado, subiu à tribuna e esculhambou o Taquiprati, só pra mostrar serviço. O troco veio na semana seguinte, procurando, porém, poupar a irmã do bajulador, uma figura doce, que merecia explicações. A sugestão do Heyrton foi substituir um parágrafo de quinze linhas por um recado fulminante que dizia tudo: “Peço desculpas, mas teu irmão atirou primeiro”.

Seu humor funcionava como uma fisgada sutil, ágil, de onde aflorava a verve popular. Os quatro testamentos do Judas, publicados em versos, em anos diferentes, foram redigidos por ele. No ano passado, Judas não poupou nem o Eduardo Braga: “E pro povo do Amazonas / governado pelo Dudu / deixo apenas a esperança / de não mais tomar na rima”. No testamento de 1987, Judas contemplou o então vice-governador: “Vivaldo Frota a ti deixo / neste claro mês de abril / pra curar tuas hemorróidas / tubinhos de Cola Mil”.

Cada ano, a família comemorava o aniversário de nós dois, com uma única festa, celebrada no mesmo dia. O último foi há menos de dois meses, quando somando as idades, completamos 134 anos. Sopramos as velinhas correspondentes que enfeitavam o bolo, onde aparecia impressa a foto da vovó cercada dos netos. De lá para cá, seu estado de saúde se agravou celeremente, o que podia ser constatado em cada visita.

Domingo passado, falamos sobre a morte. Quem puxou a conversa foi ele, quando perguntei: – “E aí?”. Respondeu sereno, digno, quase altivo: – “Estou indo. Contrariado, mas sem medo”. Enquanto o neto da vovó se ia, lembrei o poeta Vallejo: “Tanto amor y no poder nada contra la muerte”.

Se você entrar agorinha no blog e clicar em “Perfil do Heyrton”, vai ler essa frase: “Heyrton não fez nada de novo recentemente”. Não é mais verdade. Fez sim. Nessa quinta-feira, dia 3 de setembro, às 13:30hs, ele foi embora, em paz, segurando a mão do filho e da filha, cercado do carinho da família, em casa, como queria, mantendo a lucidez até o final.

Teve uma única mulher, três filhos e seis netos, mas deixou muitas viúvas e dezenas de órfãos. Sou um deles. No próximo ano, completo, na maior solidão, apenas 63 anos, com a dor dos 73 que se foram. Rose perdeu seu companheiro de meio século. Dodora, seu mano de toda a vida. Os filhos, o pai exemplar. Todos nós perdemos o patriarca, o primo, o irmão, o tio, o avô, o conselheiro, o parceirinho querido de tantos dominós, porém ficou sua referência ética. O leitor da coluna também perde seu “controle de qualidade”, a rima e a veia poética desse cavalheiro de fina estampa. Ele se foi, levando com ele o cheiro da vovó.

Taquiprati – Diário do Amazonas – José R. Bessa Freire – 06/09/2009

Química Verde: tratamento de resíduos com outros resíduos

9 de setembro de 2009

Um novo método de tratamento de águas residuais utiliza uma espécie de resíduo corante para remover outro tipo de resíduos de corante, essencialmente “elimina duas sujeiras com uma só varrida”

A cada ano as fábricas em todo o mundo estão despejando milhares de toneladas de corantes sem tratamento em rios e cursos d’água. A maioria destes corantes é tóxica para o meio ambiente e pode provocar mutações e cânceres em animais.

A equipe de Hongwen Gao na Universidade de Tongji em Shanghai desenvolveu um novo método de tratamento de águas residuais para tratar dois tipos de resíduos corantes orgânicos em uma única ação.

O método é baseado na hibridização inorgânico-orgânico – uma técnica freqüentemente empregada na síntese de materiais funcionais, como as células fotossensíveis e na ótica de filmes finos.

Para simular situações da vida real, os pesquisadores prepararam dois tipos de águas residuais dissolvendo o corante aniônico “vermelho do congo” e do corante catiônico “azul de metileno” em água destilada.

Depois derramaram essa solução em um recipiente rotativo contendo carbonato de sódio (Na2CO3) e quando estava completamente misturada, adicionaram cloreto de cálcio (CaCl2).

Após 30 minutos, os resíduos de corantes orgânicos precipitaram como lodo.

O método de tratamento de águas residuais é simples, eficaz e ecologicamente corrente. O lodo pode ser armazenado ou reutilizado para dar cor em produtos poliméricos.

Os pesquisadores também testaram seu método em águas residuais industriais e descobriram que seu método pode remover cerca de 71% a 83% dos compostos orgânicos destas águas residuais.

Em teoria, as fábricas podem descarregar a água tratada para os rios ou cursos de água, sem fazer muito dano ao ambiente aquático.

Há necessidade urgente de novos métodos menos caros para ajudar a convencer os industriais a não colaborarem com a destruição deste planetinha.

Quer outras informações? Leia:

Zhao, D. H., Zhang, Y. L., Wei, Y. P. & Gao, H. W. Facile eco-friendly treatment of a dye wastewater mixture by in situ hybridization with growing calcium carbonate. J. Mater. Chem. doi:10.1039/b911830f (2009).

Poesia Serena do Beça

2 de setembro de 2009
AníbalBeça

Poeta Caboclo ou Caboclo Poeta?

  TEMPO DE BUSCA

Procuro por uma porta que me abra um tempo mais sereno.

Pressinto que ela está por aí, talvez próxima, à toa nos meus caminhos vagos.

Entre uma passada e outra me apresso em tocá-la, e ela na sua calma surda de madeira se afasta para voltar ao estado de árvore.

Sinto que também ela procura por alguma coisa com algo de vento mastigando capim.

Vez por outra escuto um mugido rangendo entradas e saídas, trompa pastoral se fechando em tardes.

Meus amigos me dizem que possuem sua chave, que são íntimos no entrar e sair.

— seja pela parte da frente seja pela parte de trás —

sabem até do seu humor pela leitura enrugada dos múltiplos nós, mas não podem emprestá-la.

Temem que eu não volte para devolvê-la. 

Aníbal Beça (1946-2009)